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Piscina de água a ferver
Opinião Desporto 4 min. 30.07.2021
Olimpíadas de sofá

Piscina de água a ferver

Olimpíadas de sofá

Piscina de água a ferver

Foto: Lusa
Opinião Desporto 4 min. 30.07.2021
Olimpíadas de sofá

Piscina de água a ferver

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Patrícia Mamona está na final do triplo salto. Julie Meynen, a nadadora luxemburguesa, conseguiu um excelente terceiro lugar nos 50 metros livres, mas despediu-se de Tóquio. Foi, porém, da piscina que a polémica emergiu nos JO. Para quem quis ouvir.

Em geral, em redor de uma piscina que não tenha as medidas olímpicas, há um ambiente descontraído. Toalhas, chinelos, bebidas frescas, músicas parvas, maganizes sobre nada, loções e chapéus de sol. À parte dos chinelos e das toalhas, não foi, decididamente, num ambiente destes que se disputou a final masculina dos 200 metros costas. Com alguma surpresa, dizem os especialistas, o russo Eugeny Rylov conquistou a medalha de ouro, relegando o norte-americano Ryan Murphy, um dos grandes favoritos, para a medalha de prata, com o britânico Luke Greenbank a arrecadar a medalha de bronze. O desporto é mesmo assim? Tudo normal? Dois dos três atletas no pódium dizem que não.

Não é preciso ter dons adivinhatórios ou uma bola de cristal, mas ainda no Sofá de ontem se abordou a razão pela qual os atletas da Rússia não competem com a bandeira da Rússia, mas sob a bandeira do Comité Olímpico Russo (ROC). A questão explodiu com estrondo hoje mesmo, após a atribuição das medalhas. Com cara de poucos amigos, que não é invulgar quando se aspira ao ouro tendo ao peito uma medalha de prata e os mínimos de subtileza, Murphy não só pôs o dedo na ferida, como, para usar um termo para o mexilhão, ainda escarafunchou. Naquelas entrevistas ainda a quente, só faltou ao norte-americano fazer um desenho. 

Questionado sobre a prova, foi como se tivesse ouvido de novo o tiro de partida: "Tenho 15 pensamentos e 13 deles podiam criar-me imensos problemas". Importa-se de esclarecer, mister swimmer? Não seja por isso: "Provavelmente esta prova não foi limpa. Sinto-me esgotado por treinar todo o ano (a multiplicar por cinco) para competir numa prova que não será justa". Como bom nadador, deu com uma mão e tirou com a outra: "A minha intenção não é fazer nenhuma acusação. Dou os parabéns aos dois (ouro e bronze). São nadadores muito talentosos".

O ouro não tinha nada a dizer sobre este assunto. O bronze tinha algo a acrescentar. Luke Greenbank não esteve com meias-medidas: "É frustante que se saiba que há doping patrocinado pelo Estado e que não se faz nada a respeito disso". É evidente que podia ter  colocado a Rússia nesta frase e, sendo nadador, podia em vez disso ter evitado a palavra "nada". De qualquer forma, este assunto anda há quase uma década a ferver no caldeirão olímpico. Torna qualquer piscina num daqueles buracos onde se faz os cozido das furnas.

No triplo salto, Patrícia Mamona só precisou de uma tentativa para se qualificar para a final de domingo, alcançando tranquilamente a 4ª melhor marca das qualificações (14,54m). Sorte oposta para Evelise Veiga, que começou bem, batendo o seu recorde pessoal (13,83m), mas a "léguas" da qualificação. No lançamento do peso, onde também há esperanças de medalha, Auriol Dongmo também conseguiu um carimbo directo para a final. A atleta portuguesa lançou o respectivo a 18,80 metros. Nas prova dos 100 metros, Lorène Bazolo cumpriu a distância em 11,31 segundos, ficando na 4ª posição, na 4ª eliminatória de qualificação. 

Na prática, um bilhete de regresso a Portugal, que no Andebol deu excelente réplica à Dinamarca, bicampeã do mundo, mas não evitando a derrota. As esperanças de apuramento mantém-se intactas. Mas, para isso, Portugal terá de vencer o Japão e o jet-lag. O jogo será às 9 da manhã de Portugal. Na prova k1 slalom   de canoagem, Antoine Launay ainda está a pensar como não chegou à final, tão, tão perto. O canoísta português ficou a 40 centésimos de segundo deste feito. No final em vez de na final, Launay não tinha onde esconder a desilusão: "Amo este desporto, mas é difícil ficar assim tão perto", projectando este pesadelo para o sonho de uma medalha em 2024.

 A propósito (ou não), o que faziam ontem uma dezena de cavalos no parque de estacionamento do aeroporto internacional Humberto Delgado, em Lisboa, com os seus cavaleiros vestidos de gala entre uma comitiva de meia-centena de pessoas? Esperavam pelo estreante Rodrigo Torres, 8º por equipas na prova olímpica de Ensino, 16º na prova individual de equitação. Sob o olhar atento da polícia e dos fiscais da EMEL, a pensar no enquadramento legal para bloquear o entusiasmo e dez prevaricadores de puro-sangue lusitano, o jovem cavaleiro emocionou-se com esta recepção apoteótica, falando de um sonho que se concretizou e outro que toma forma. A vantagem dos JO de 2020 decorrerem em 2021 é que só faltam três anos para as olimpíadas de Paris. Rodrigo Torres foi para casa em lágrimas e a comitiva de recepção saiu do aeroporto com uma mera advertência. Para a próxima vejam lá...

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