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Palavra do dia: "repescagem"
Opinião Desporto 4 min. 24.07.2021
Olimpíadas de sofá

Palavra do dia: "repescagem"

Olimpíadas de sofá

Palavra do dia: "repescagem"

Foto: LUSA
Opinião Desporto 4 min. 24.07.2021
Olimpíadas de sofá

Palavra do dia: "repescagem"

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Ainda sobre a soporífera cerimónia de abertura dos JO de Tóquio há que deixar uma menção honrosa para a delegação portuguesa, que entrou com esfusiante alegria no recinto. Devia haver medalhas para isto, para o caso de não se alcançarem das outras.

A comitiva portuguesa, uma das maiores e mais paritária de sempre em Olimpíadas - espelhando, aliás, os 49% de representação feminina deste evento -, não chegou a Tóquio de uma leva. Veio a conta-gotas, consoante o calendário das respectivas competições. Afectaria isto o espírito de grupo e as prestações desportivas? É como comprar um melão. Directamente de Tóquio, Marco Alves, chefe da armada lusa, tranquilizou a nação, que estava em pulgas para saber como é que os atletas se tinham adaptado à dissincronose, vulgo "jet lag", e à realidade sanitária japonesa, que não é assim tão diferente da realidade portuguesa, embora, disse o chefe de missão, um "pouco mais apertada". Mas, garantiu, nada que desvie os atletas dos seus objectivos. E quais são estes? Lá veio a resposta proverbial: "os melhores resultados possíveis". Muito obrigado, senhor chefe de missão. Não fosse a diferença horária, já podíamos dormir mais descansados.

Velho fado. O primeiro dia de competição atirou imediatamente Portugal para a modalidade de "repescagem". E a grande repescada do dia foi Catarina Costa, que venceu o combate de repescagem para o acesso à medalha de bronze. A judoca portuguesa repescou-se a elevadíssimo nível, derrotando a argentina Paula Pareto, que é só a campeã olímpica em título, que pendurou o cinturão, anunciando que chegara a hora de retirar-se da competição. E, sobre a sua última adversária oficial, disse isto, fazendo lembrar Jorge Jesus quando perde, endeusando o adversário: "A Catarina é uma miúda divina". A miúda divina foi do céu ao inferno, perdendo a luta de repescagem Bronze B para a judoca mongol Munkhbat Urantsetseg.

A dupla Afonso Costa/ Pedro Fraga, em "double-scull ligeiro" (para os entendidos, LM2x, ou lá o que é isso vezes dois), também não estiveram propriamente divinos nas eliminatórias de acesso às meias-finais, ficando em terceiro lugar atrás dos remadores alemães e dos italianos, que venceram a prova. Pensando bem, nada está perdido. Amanhã (domingo), no Sea Forest Waterway, a dupla vai tentar a repescagem para chegar às meias-finais. E não se pense que, só porque se está na água, a tarefa se torna mais fácil. Os remadores terão de confrontar-se com uma série de repescados de grande categoria. No Taekwondo, foi mais um "won´t do". Rui Bragança acabou o combate com Adrian Yunta (espanhol) com uma calculadora na mão. Se Yunta ganhasse o combate seguinte contra o sul-coreano Jang Jun, que é o campeão do mundo na categoria de menos 58 quilos, atingia a final e isto colocaria Rui Bragança de novo em competição para poder disputar o acesso a uma medalha de bronze. Mas Yuanta perdeu e Bragança foi fazer as malas. É claro que a culpa foi do espanhol. Custava-lhe muito ir à final? Que decepção. Nestas circunstâncias, é apropriado dizer-se que Bragança, que é de Guimarães, deixou tudo no tapete.

O primeiro dia de competição também não foi animador para os atletas luxemburgueses. Na etapa de classificação da prova de tiro ao arco, Jeff Henckels, um dos atletas olímpicos mais experientes, alcançou um discreto 55º lugar, com 646 pontos, atrás de uma lista encabeçada por um atleta sul-coreano com nome de DJ invertido: J.D. Kim, com 688 pontos. Na próxima quinta-feira será a doer, nas eliminatórias para os 32 avos de final, que vão opor o arqueiro do Luxemburgo a Mete Gazoz, da Turquia. Escusado será dizer que esperamos que nesse dia o atleta turco esteja só a meio-Gazoz.

A primeira medalha de ouro dos JO de Tóquio foi direitinha para a China. Yan Qian ganhou a final de Tiro Desportivo em carabina de ar (10 metros). A segunda medalha de ouro teve o mesmo destino, sem qualquer tipo de surpresa. Hou Zhihui, 1,43m e 49 quilos, tornou-se bicampeã olímpica no levantamento do peso. Só no ano de 2021 esta atleta já bateu 11 recordes mundiais. Que, aliás, já eram seus. Na prova de fundo do ciclismo, que tinha em competição um português e dois luxemburgueses, foi o equatoriano Richard Carapaz que se tornou campeão olímpico. Kevin Geniets terminou a prova em 37º, enquanto Michel Ries ficou em 73º. O português João Almeida alcançou um 13º lugar. No ténis, o sérvio Novak Djokovic, número um do mundo, foi dar um passeio ao court. Encontrou por lá o número 139 do ranking ATP, o boliviano Hugo Dellien, que foi para o duche em pouco mais de uma hora.

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