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Olimpíadas do diploma
Opinião Desporto 3 min. 26.07.2021
Olimpíadas de sofá

Olimpíadas do diploma

A holandesa,  Annemiek Van Vleuten, estava absolutamente convencida de que tinha ganho a prova. Mas, afinal, tinha sido a segunda a chegar.
Olimpíadas de sofá

Olimpíadas do diploma

A holandesa, Annemiek Van Vleuten, estava absolutamente convencida de que tinha ganho a prova. Mas, afinal, tinha sido a segunda a chegar.
Foto: AFP
Opinião Desporto 3 min. 26.07.2021
Olimpíadas de sofá

Olimpíadas do diploma

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Pelos vistos, Portugal anda por Tóquio a fazer História e ninguém sabe. Por favor, não se deixem iludir pelo medalheiro olímpico nacional, que continua a zeros. Devia, aliás, instituir-se um diplomeiro olímpico, pois diplomas já cantam dois.

 Os diplomas são uma espécie de menção honrosa, uma consolação para quem, como nós, só alcança o pódium pela tv, uma espécie retro-live-streaming do que podia ter sido mas não foi. Qualquer recém-licenciado que ande à procura do primeiro emprego já deve ter colocado a si próprio esta questão: Para que raio servem os diplomas? Aparentemente, os diplomas olímpicos servem para que a rapaziada não se sinta tão mal depois de quatro anos (no caso, cinco) a treinar noite e dia para depois se transformar em autênticos bebés chorões no mais mediático evento do planeta, o que já aconteceu abundantemente e, convenhamos, se torna algo deprimente. 

Boas são aquelas lágrimas que brotam das medalhas, mesmo atrás de máscaras. É esperar sentado. Uma pessoa bem envia tudo o que é good-vibes para eles, sabe Deus com que bebida isotónica para se manter acordado, mas, por entre as mais diversas nuances do destino, fatalismos desculpabilizantes e a choradeira da praxe, os resultados são os mesmos. Quando não é a falta de uma pontinha de sorte, é o azar. Voltamos mais cedo para Portugal, que está a chegar um tufão a Tóquio, trazemos diplomas e, com aquela pontinha de sorte, novos recordes nacionais, estabelecidos do outro lado do mundo.

Na praia de Tsurigasaki, em Chiba, Teresa Bonvalot, fixem este nome, apanhou a primeira onda da história das Olimpíadas. Se tivesse atendido o telemóvel, tinha sido a primeira surfista a fazer a primeira chamada olímpica em cima da primeira prancha olímpica a deslizar pela primeira onda olímpica da história dos JO. Da História, ela não se escapava. Se tivesse caído, ter-se-ia escrito o capítulo da primeira queda olímpica na primeira onda olímpica da história dos Olímpicos. Melhor ainda: Bonvalot e Yolanda Sequeira conseguiram um apuramento "histórico" para a terceira ronda da prova de surf. Convém talvez dizer que esta foi a estreia do surf como modalidade olímpica.

Para a prova de estreia olímpica do Street Skate, Gustavo Ribeiro inverteu as leis do viajante. Em vez de trazer de Tóquio um "souvenir", levou antes um de Portugal, uma lesão no ombro esquerdo, que logo à partida o impedia de concretizar o sonho de conquistar a primeira medalha olímpica da história do Skate, pelas mesmíssimas razões do surf olímpico. As dores não deixaram que isso se tornasse possível. Mas conseguiu o primeiro diploma olímpico do skateboarding nacional, para juntar ao de Catarina Costa, no judo. O Comité Olímpico Português está de olho nos diplomas. 

Antes dos JO de Tóquio, o COP estabeleceu como objectivo para estas olimpíadas duas medalhas, 12 diplomas e 26 Top-16. Não se sabe exactamente como andam as coisas em matéria de Top´s 16, mas em relação às medalhas as coisas não estão fáceis, já que a judoca Telma Monteiro, uma das grandes esperanças olímpicas portuguesas, caiu na segunda ronda. As esperanças viram-se para a equipa portuguesa de ensino esquestre, que passou à final.

No hipismo, Nicolas Wagner, o cavaleiro olímpico luxemburguês, conquistou o 25º lugar na prova individual de qualificação em Dressage. Stefan Zachaus, no Triatlo, não conseguiu melhor que um 44º lugar.

O momento zen destes JO aconteceu ontem, na prova de estrada feminina do ciclismo. Em absoluta glória chegou à meta a veterana Annemiek van Vleuten, os braços erguidos aos céus, as lágrimas a explodir na sua face, os gritos da vitória vindos da profundidade do cansaço. A ciclista holandesa fazia a sua despedida dos Olímpicos pela porta dourada. Mas, ainda na bicicleta, veio um tipo, sorrateiro, e segredou-lhe qualquer coisa. Num frame, a alegria apagou-se imediatamente do seu rosto. O corpo quase desmoronava, como se lhe tivessem tirado o ar. Como se viu, estava absolutamente convencida de que tinha ganho a prova. Mas, afinal, tinha sido a segunda a chegar.

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