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Bronze profilático e outros assuntos
Opinião Desporto 4 min. 31.07.2021
Olimpíadas de sofá

Bronze profilático e outros assuntos

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Foto: AFP
Opinião Desporto 4 min. 31.07.2021
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Bronze profilático e outros assuntos

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Nisto, mais ninguém falou das camas anti-sexo. São eficazes? Houve queixas? Lesões? Rupturas de protocolo? Sinceramente, quem é que perdeu tempo a desenvolver este gadget?

Entre milhares de jovens aldeões olímpicos, na esmagadora maioria atletas, mais valia ter-se desenvolvido máscaras anti-jet-lag, com twitter incorporado, chinelos com GPS (isto, se calhar, existe), e, por exemplo, caiaques à prova de choque. Já se sabe, uma coisa leva à outra. Pelo sim, pelo não, o melhor é andar prevenido. A escassíssimos minutos da final feminina de K1, ainda por cima em slalom, eis que Jessica Fox se depara com um problema dos grandes. A parte frontal do seu caiaque estava danificada. 

Se há coisa que não convém numa final olímpica é meter água. A canoísta australiana entrou em pânico. Se qualquer detalhe dita o adeus às medalhas, este ditava um inglório "sayonara" ao sonho olímpico. Um elemento da equipa australiana tinha no bolso a solução. Visto não haver outro caiaque disponível e dada a sua ergonomia específica, com o relógio a correr a uma velocidade estonteante, o melhor que se arranjou foi um preservativo. Jessica Fox partiu com o primeiro caiaque profilático da história das Olimpíadas da era moderna. 

Normalmente, salvo casos muito excecionais, ninguém ganha uma medalha depois de usar um preservativo, mas foi o que aconteceu com Jessica Fox. Foi bom para para si, miss Fox? Tinha aspirações à prata ou mesmo ao ouro mas, dadas as circunstâncias, o bronze fora muito satisfatório. Sabemos, pelo menos, que não vão haver caiaquinhos imprevistos. Com o reconhecido humor australiano, na melhor tradição britânica, a canoísta colocou o preservativo de bronze nas redes sociais.

No canoísmo, versão K4 500, ditou o sorteio que Portugal terá de enfrentar a Alemanha, campeões do mundo e campeões olímpicos em K4 1000, que em Tóquio foi substituída pela distância de 500 metros. Na luta pelos dois lugares de acesso direto às meias-finais estão igualmente no lote de Portugal a Bielorrússia, a Austrália, o Japão e a China. Tudo em aberto para o quarteto Emanuel Silva, Messias Baptista, João Ribeiro e David Varela.

Na vela, Jorge Lima e José Costa, na classe 49er, acabaram na sexta posição da geral, carimbando uma extraodinária presença na Medal Race, onde participam os dez melhores. Andam de novo à vela as nossas esperanças de medalhas. Na ginástica de trampolins, no qual Portugal tinha um candidado fortíssimo à discussão das medalhas, mais um final lacrimejante. Fruto de um erro na segunda série de qualificação, Diogo Abreu, que na geral se classificou em 11º, diz adeus à final e a Tóquio. No lançamento do disco, Irina Rodrigues, que ficou em 25º, viu-se afastada da competição. 

Liliana Cá, lançando o artefato a 62,85 metros, vai continuar por lá. São legítimos os sonhos para a final. Cá não esconde ao que vai, apontando ao recorde nacional. Se o conseguir, significa que chega às medalhas. Na prova dos 100 metros, Carlos Nascimento carimbou o passaporte para Portugal. O pupilo de Francis Obikwelu, não conseguiu melhor que um 45º lugar. À partida, o velocista português, que teve de lidar com uma colecção de lesões na longa fase de preparação para Tóquio, diz que sai destas olimpíadas "concretizado". Não concretizou porquê.


TOPSHOT - Volunteers clean the court during the women's preliminary round group B basketball match between France and Japan during the Tokyo 2020 Olympic Games at the Saitama Super Arena in Saitama on July 27, 2021. (Photo by Brian SNYDER / POOL / AFP)
Olimpíadas de sofá
O diário dos atletas portugueses e luxemburgueses nos Jogos Olímpicos no Japão.

A grande supresa olímpica veio da equipa mista da Polónia, que conseguiu a primeira medalha de ouro da história olímpica do país. E logo a multiplicar por quatro, espantando o mundo com uma surpreendente vitória na prova dos 4x400 metros, deixando os EUA e a Jamaica de boca aberta. A grande bronca, seria anunciada pela chamada Unidade de Integridade do Atletismo, que desclassificou e suspendeu preventivamente por doping Blessing Okagbare, a super-atleta nigeriana, vice-campeã olímpica no salto em comprimento nos JO de Pequim, em 2008, sendo em Tóquio semi-finalista dos 100 metros. 

No Twitter - o grande fantasma de Simone Biles (que entretanto renunciara também às provas de salto e barras assimétricas) -, a atleta nigeriana deixou um comentário lacónico (ou talvez não): "O sistema desportivo nigeriano tem falhas e nós, os atletas, somos as suas vítimas colaterais".

Ontem, nas meias-finais do judo, categoria pesados, a luso-brasileira Rochele de Jesus Nunes não controlou a sua tristeza e as lágrimas pela eliminação, pedindo desculpas a Portugal, à família, ao país que a acolhera, a todos os que esperavam mais dela. Portugal emocionou-se com ela. Não, Rochele. Não foste uma deceção. Não dececionaste o teu país olímpico (Portugal). O teu esforço orgulha-nos a todos. As tuas lágrimas, "são as lágrimas de Portugal". Pese embora, há que dizê-lo, com um travo salgado a injustiça. Toda a gente (menos os juízes) viu que ficou por assinalar uma penalização à adversária, que teria invertido este resultado. Ai, se o judo tivesse VAR...

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Bronze medallist Portugal's Fernando Pimenta celebrates on podium after the men's kayak single 1000m final during the Tokyo 2020 Olympic Games at Sea Forest Waterway in Tokyo on August 3, 2021. (Photo by Philip FONG / AFP)
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