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O vigésimo primeiro clube de Fábio Paím
Desporto 10 min. 12.08.2020

O vigésimo primeiro clube de Fábio Paím

O vigésimo primeiro clube de Fábio Paím

Foto: LUSA
Desporto 10 min. 12.08.2020

O vigésimo primeiro clube de Fábio Paím

Redação
Redação
Aos 16 anos recebia 20 mil euros por mês a jogar na formação do Sporting. Mas uma espiral de más decisões levou-o a 20 clubes diferentes em 12 anos, onde marcou apenas quatro golos. Jogou dois jogos num clube do Luxemburgo, antes de ser despedido. Esteve em reality shows e foi acusado e ilibado de violação por duas vezes. Vai regressar aos 32 anos ao futebol na Polónia. Eis Fábio Paím.

Aurélio Pereira, antigo homem forte da formação leonina, que descobriu e treinou nomes maiores do futebol português, disse que tinha visto passar três gigantescos talentos pelas suas mãos e por estar ordem: "Fábio Paím, Cristiano Ronaldo e Ricardo Quaresma".

 Em 2003, enquanto se apresentava em Manchester, Cristiano Ronaldo disse que seu companheiro na época de Sporting era o melhor: “Se acham que sou bom, esperem até ver Fábio Paim”.

Fábio Paím que aos 16 anos ganhava mais de 20 mil euros de ordenado no Sporting, nunca chegou a jogar na equipa principal dos leões. Passou por 20 clubes, jogou 36 jogos e marcou quatro golos. O homem que nos juvenis fintava uma equipa inteira e entrava pela a baliza a dentro, nunca conseguiu realizar o seu imenso talento. Vai, depois de no ano passado ter sido detido por tráfico de droga, e posteriormente ilibado pelo Ministério Público, tentar outra vez jogar futebol, desta vez na Polónia. Será o seu vigéssimo primeiro clube. 

O avançado português Fábio Paim vai regressar ao futebol dois anos depois de ter deixado os relvados, para representar o LZS Starowice, do quarto escalão da Polónia.

Após ter estado ligado ao Leixões, na época 2017/18, o extremo, de 32 anos, formado no Sporting volta a ter uma nova oportunidade no estrangeiro, depois de passagens por Inglaterra, Angola, Qatar, China, Malta, Lituânia, Luxemburgo e Brasil.

O antigo internacional português de sub-21 atingiu o auge quando ingressou nos britânicos do Chelsea, em 2008/09, por empréstimo do Sporting, mas acabou por não vingar e, desde então, a sua carreira acabou por cair a pique e chegou mesmo a estar preso.

Nasceu no Estoril, vindo de uma família humilde, que lutou duramente para conseguir pagar as contas. Com seis anos de idade, o Sporting contratou-o após algumas actuações impressionantes em torneios de jovens. Quando Paím tinha apenas 11 anos, os rumores sobre ele faziam que alguns fãs começassem a ir ao jogos dos juvenis só para o ver atuar. 

Com 13 anos, havia excursões de adeptos só para o verem fintar equipas inteiras. "Marquei alguns golos desses, de pegar na bola no meio-campo e entrar pela baliza dentro. Um deles foi ao Benfica; e nos juvenis, já com miúdos de 16 anos, não eram brincadeiras de crianças.", disse à Sábado. 

Aos 14 anos, Paim estava na lista de compras de clubes como Barcelona, Manchester United e Real Madrid, que enviava frequentemente "olheiros" para avaliar as suas capacidades. A lenda diz que a Federação Francesa de Futebol ofereceu mesmo uma soma de dinheiro aos pais de Paím para se mudarem para França, com vista ao jovem poder vir a representar Les Bleus no futuro. 

Perder Paim de graça era um pesadelo para o Sporting. Para o impedir de cair em tentação com ofertas vindas de Inglaterra, Espanha e Itália, os leões deram-lhe, aos seus 16 anos,  um contrato de 20.000 euros por mês - apenas uma pequena parte dos seus rendimentos na altura. Numa entrevista posterior, ele admitiu que o salário era apenas o seu salário "oficial" e que o Sporting lhe pagava mais de 170.000 euros. 

Ainda nem tinha carta de condução quando comprou o primeiro carro, um Mercedes descapotável. Em quatro anos comprou 10 carros de luxo: Maserati, Lamborghini, Porsche e Ferrari. E também uma vivenda de luxo com piscina, no Estoril, onde organizava festas com os amigos.

Diz que muita gente se aproveitava dele, mas que a responsabilidade de como lhe correu a vida é toda dele. "Em primeiro lugar, eu é que tinha de me ajudar. Eu é que estava a conquistar as coisas. A minha mãe até hoje é a minha melhor amiga, sempre me deu conselhos, e depois cabe-me a mim aceitar ou não. Eu não digo que não ouvia, mas depois… pelo caminho vamos fazendo as coisas, é isso que é a vida, e as coisas são para serem vividas. Ela sempre trabalhou e por isso sempre me deixou à vontade, nunca me pediu nada, nunca houve aquela coisa de dizer: o teu dinheiro é para vir cá para casa. Ela sempre me avisou para não andar a gastar, mas na altura eu estava bem e nunca achei que ia acontecer o que aconteceu.", confessou em entrevista à Sábado.  

Foi perseguido por vários clubes de renome mas acabou por ficar no Sporting. Em que nunca teve lugar, sendo sucessivamente emprestado ao Olivais de Moscavide e Trofense, a primeira oportunidade de jogar na Primeira Liga surgiu na época de 2007/2008, pelo Paços de Ferreira. Cumpriu sete jogos mas esses viriam a ser os únicos na principal divisão de Portugal.

Ida para o Chelsea para não jogar

Depois, foi levado pelo Chelsea de Inglaterra – treinado na altura pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari – mas nunca passou da equipa de reservas.

"Estava em Londres, tinha 20 anos, jogava nas reservas, e faltou-me… não sei se foi paciência, porque eu queria jogar e nas reservas não jogava, porque aquilo era como se fosse uma equipa B e eles lá não faziam jogos. E eu quando vinha para a selecção sub-21 sentia que estava com um andamento diferente dos outros. Se uma pessoa não tem ambição, se está lá a ganhar bom dinheiro e não joga, as pessoas dizem: ‘Ah, só está lá a sacar dinheiro…’ Eu não sou assim e por isso preferia vir para Portugal para jogar. E pedi ao Sporting para voltar e fui emprestado ao Real Massamá. Com todo o respeito pelo Real, não era isso que eu queria. E acho que isso me deitou abaixo um bocadinho, comecei a pensar em não jogar", revelou em entrevista à Sábado. 

Seguiram-se passagens pelo Real Massamá e Torreense, antes de seguir para Angola. Esteve no Qatar, na China, em Malta, Lituânia, Luxemburgo e nas divisões inferiores do Brasil. Pelo meio, surgiram oportunidades em Portugal. Entrevistado pela Sábado em 2017, contava que já pensou desistir do futebol. 

O inferno do Grão Ducado

A experiência no Luxemburgo foi também traumatizante. Assinou por três temporadas pelo Kayl/Tétange, acabou por jogar penas dois jogos.  Os dirigentes do clube acabaram por prescindir dos serviços do jogador, devido a alegado comportamento incorrecto dentro e fora das quatro linhas.


Jogador já está no Luxemburgo: Fábio Paím quer ajudar o Kayl/Tétange a regressar à Liga BGL
Fábio Paím chegou este sábado ao Luxemburgo e assinou um contrato com o Kayl/Tétange válido para as próximas três temporadas. O jogador português que actuava no Nevezis da Lituânia é o grande reforço da equipa de José Gonçalves para a próxima época.

O jogador português, que em agosto, de 2015, se transferiu do Nevezis da Lituânia e era apontado como o grande reforço da equipa de José Gonçalves, actuou apenas um jogo completo na primeira jornada (derrota contra o Norden por 3-1) e 30 minutos na segunda, frente ao Remich/Bous (nova derrota por 2-1), no qual foi expulso à passagem da meia-hora de jogo.

Na altura, Paím comentou ao Contacto as razões da sua saída. “As coisas não estavam a correr bem em termos de resultados e eu é que fui o bode expiatório para as derrotas”, lançou.

“O futebol luxemburguês é difícil, mas eu estava a adaptar-me. Sempre me esforcei nos treinos, ao contrário do que muitos diziam, mas um jogador sozinho não pode ganhar jogos”, defende-se.

“Fui expulso no segundo encontro do campeonato e depois as coisas complicaram-se. Existe muito amadorismo por parte de algumas pessoas, pensam que gerir um clube é o mesmo que gerir uma empresa. Não sabem nada de futebol”, diz.


O jogador português esteve apenas dois meses no Grão-Ducado
Desiludido com saída do Kayl/Tétange : Fábio Paím quer voltar ao Luxemburgo para novo desafio
Fábio Paím deixou o Union 05 Kayl/Tétange há duas semanas, desiludido e frustrado pela curta experiência no futebol luxembruguês, mas adiantou ao CONTACTO que se sente preparado para regressar ao país e aceitar “um novo desafio”.

“Estou desiludido pela forma como saí do clube. Um director, de que não quero citar o nome, veio ter comigo e começou a discutir comigo como se eu fosse o culpado por tudo o que se passava na equipa", lamenta.

Posteriormente explicou à Sábado os pormenores sobre a inglória passagem no Grão-Ducado.  

"A questão é que tinham dito que davam trabalho à minha mulher e depois não deram. Eu tenho dois filhos, não ganhava assim muito bem [1000 euros], apesar de lá o custo de vida ser barato, mas tinham-me prometido isso, que era muito bom para ela, e depois não cumpriram. E decidimos vir embora. Estar num país estrangeiro com a minha família e não ter as melhores condições, para isso mais vale voltar para Portugal. Aliás, nos outros países aconteceram-me coisas piores, porque antes de assinarmos contrato prometem muita coisa mas depois ao fim de um mês ou dois deixam de pagar. Em Malta estive seis meses sem receber e tive de pagar a viagem de regresso para mim, para a minha namorada e para o meu filho." 

Voltou a Portugal e em agosto de 2016 acabou por ir fazer o estágio do Sindicato dos Jogadores, para ver se surgiam propostas. Recebeu algumas, do estrangeiro, mas não aceitou. "Já joguei em vários países e sei como é. Prometem muito, mas ao fim de um mês deixam de pagar. Mais vale ficar em casa."

Em dezembro de 2016, Dinis Delgado, presidente do Sintra Football, soube que ele estava desempregado e ligou-lhe. "Falámos duas horas. O que lhe propus foi que se comprometesse a 100% – e ele ainda não falhou um treino –, que nos ajudasse com a sua qualidade a conseguir o nosso objetivo, que é subir de divisão, e em troca damos-lhe todo o apoio humano e psicológico – que lhe faltou nalguns clubes. Se mantiver esta dedicação, de certeza que no final da época lhe arranjo um contrato com uma equipa profissional."

Mas a 24 de fevereiro desse anos, Fábio Paim decidiu enveredar por um reality show, sem sequer avisar Dinis Delgado. "Fiquei muito desiludido com a sua atitude", confessou o dirigente à Sábado.

A passagem pelo Love on Top foi rápida e, depois de duas semanas no programa da TVI, foi expulso pelo público. Em 2019, voltou às notícias por ter participado noutro reality show, desta vez em Angola. No "Luta pela Fama", o antigo jogador foi expulso por agredir uma concorrente.

Já em 2019, Fábio Paim foi preso pela PSP por suspeita de envolvimento numa rede de tráfico de droga. De acordo com o Correio da Manhã, o antigo jogador foi apanhado em escutas telefónicas a combinar a transação de uma quantidade de droga no Estoril. Ficou em prisão preventiva. 

Em 2014, já tinha tido problemas quando foi acusado de violação. Acabou por ser ilibado por falta de provas anos depois. No ano de 2015, quando jogava pelo Nevezis, na Lituânia, foi também acusado de violação mas o processo foi arquivado depois deste sair do país.

Também foi ilibado da acusação de tráfico de droga. A 4 de setembro de 2019, o  Ministério Público arrasou a investigação e decidiu ilibar Fábio Paím "porque escutas não podem ser o único suporte de imputação de factos e no que respeita ao arguido não existe qualquer meio de prova", defendiam.  

  No fundo, sinto-me como um palhaço que toda a gente quer ver e que ninguém ajuda."  

Agora, Paím, vai outra vez tentar jogar futebol. A ver se lhe dão possibilidades de ter sorte.   "Sempre acreditei em mim, sei que tenho aquilo que é o mais importante, que é o talento, mas há a questão física e nos clubes onde joguei nunca me deram a oportunidade de ficar bem fisicamente, porque eu chegava lá e eles queriam logo que eu jogasse… No fundo, sinto-me como um palhaço que toda a gente quer ver e que ninguém ajuda, porque eu preciso de ajuda. Preciso de estar bem fisicamente, de emagrecer, não é chegar a um clube, em especial depois de às vezes estar parado cinco ou seis meses, e chegar lá e começar logo a resolver jogos, a marcar golos, ninguém consegue fazer isso, é preciso ganhar o ritmo, a confiança, a vontade de jogar outra vez.", disse à Sábado.

É história de um o homem que quando um adepto, o encontrou numa discoteca, e lhe disse que tinha um talento enorme, respondeu modestamente: "Tenho a certeza de que tens um sonho, por isso se, um dia, tiveres a oportunidade de o realizar, por favor, não penses que já está feito. Lute com afinco e trabalhe muito". 

   

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