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O preço da liberdade

O preço da liberdade
Reportagem na Bélgica

O preço da liberdade


por Ricardo J. Rodrigues/ 02.12.2021

Fotos: Guillaume Pazat

Há 26 anos, Jean-Marc Bosman ganhou em tribunal um caso que mudou o futebol. A Lei Bosman permitiu a livre circulação de jogadores europeus, abriu portas aos salários milionários dos atletas, enriqueceu os clubes mais poderosos. Mas, para o futebolista belga que batizou a mudança, o preço a pagar foi demasiado elevado.

Foto: Guillaume Pazat

Nas traseiras da casa de Jean-Marc Bosman há uma piscina que há mais de dez anos não se enche de água. O fundo do tanque tornou-se uma ode ao abandono: está coberto por uma camada de lama, pedaços de plástico e metal, o cabo de uma vassoura e uma velha bola de futebol. “Esta é a única bola que ainda guardo em casa”, diz o antigo futebolista belga. “Está ali esquecida, gasta e vazia. Um pouco como eu.”

Lá dentro, numa prateleira do salão, instalou um memorial aos dias que foram cheios. Recortes de jornal, fotografias em campo, cromos de caderneta com o seu rosto. No centro de tudo está um troféu que o destaca como Legal Sport Legend, uma das personalidades que mudaram juridicamente o mundo do futebol. Foi-lhe atribuído há meia dúzia de anos pela FifPro, o sindicato mundial dos jogadores da modalidade. 

A 15 de dezembro de 1995, no Luxemburgo, o Tribunal Europeu tomava uma decisão que faria jurisprudência e mudaria as regras do futebol. O caso opunha Jean-Marc Bosman ao seu antigo clube, o FC Liège, à Federação Belga de Futebol e à UEFA. “Quando comecei o combate, eu estava a lutar pela minha própria liberdade. Mas depois percebi que eu não era a única vítima de injustiça. Passei cinco anos em litígio pela dignidade de todos os futebolistas”, diz ele. “Mas fui esquecido por quase todos eles. E sofri bem as consequências da minha ousadia.”

Nos relvados, Bosman, que agora conta 57 anos, estava longe de ser uma estrela mundial. Destacou-se nas camadas jovens da seleção belga, mas nunca triunfou verdadeiramente como sénior. Em 1990, o seu contrato com o FC Liège chegava ao fim. Tinha acordo com o Dunquerque, da segunda divisão francesa, e sonhava relançar dali uma carreira que estagnava. Mas o clube belga pedia uma transferência de 300 mil euros, quando dois anos antes tinha pago 77 mil euros ao rival da cidade, o Standard. Os franceses recusaram pagar a conta.

Foto: Guillaume Pazat

“Não se pode dizer que eu tenha explodido naqueles dois anos que passei no clube. Aumentarem quatro vezes o meu passe foi uma forma de boicotar a minha saída”, argumenta. “Acabei por ficar retido em Liège em condições humilhantes. E isso eu não podia tolerar.” Puseram-no a jogar na equipa B e, pior do que isso, reduziram-lhe o salário em 70%. Ele respondeu com uma queixa aos tribunais.

O Acordão Bosman, conhecido em Portugal como Lei Bosman, foi proferido cinco anos mais tarde. A sentença estabeleceu que nenhum trabalhador europeu poderia ser privado do direito a mudar de país dentro da União – nem mesmo um jogador de futebol. Os efeitos foram imediatos. As federações que limitavam o número de estrangeiros que jogavam nos clubes tiveram de acabar com as cláusulas de nacionalidade para jogadores comunitários. E os jogadores eram agora contratados por tempo determinando, sendo livres para negociar as suas transferências no final do período de vínculo.

Foi uma revolução. Os jogadores deixavam de ser prisioneiros dos clubes onde tinham sido formados e podiam agora negociar contratos milionários. Os agentes emergiam e enriqueciam a negociar os passes dos futebolistas. Os clubes com capacidade de pagar salários mais altos começaram a compor plantéis de estrelas, ampliando como nunca antes o fosso entre ricos e pobres.  “Aquilo que Ronaldo ou Messi ganham não seria possível se não fosse o meu caso. Clubes de galáticos, como o Real Madrid ou o Manchester City, não existiriam da mesma maneira. A minha luta foi pela liberdade, mas tenho consciência de que abri as portas que mataram o jogo. O futebol tornou-se uma coisa que já não tem nada a ver com bola. É um produto, é um mercado, é um negócio.”

Foto: Guillaume Pazat

Jean-Marc Bosman tinha 31 anos quando o caso ficou resolvido. “Passei os melhores anos da minha carreira a lutar nos tribunais. Eu bem podia ter razão que ninguém queria ter nada a ver com o jogador que tinha desafiado a federação belga, a própria UEFA. Enfim, o sistema”, diz. “Tornei-me uma persona non grata, um pária. Mas nunca me arrependo do que fiz. A liberdade e a dignidade não me provocam remorsos.”

Nos anos em que durou o processo, jogou no Saint-Dennis, um clube francês que faliu ao fim da sua primeira época, e passou nove meses na ilha de Reunião, no oceano Índico, com a camisola do Saint-Quentin. Quando voltou à Europa, o único posto que arranjou foi no Olympic Charleroi, clube amador da terceira divisão belga. “Em 1995, eu estava simplesmente falido. Depois, quando ganhei o caso, senti-me formidável, achei que toda a gente me ia apoiar. Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, a minha vida tornou-se muito difícil. E foi nessa altura que me entreguei verdadeiramente à escuridão.”

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Uma mão cheia de nada
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Foto: Guillaume Pazat

Esta manhã Jean-Marc Bosman foi às compras. Como não tem carro e precisava de reforçar a despensa, apanhou um táxi do supermercado até casa. “Tento fazer isto uma vez por mês, mas às vezes tenho de ir duas, o que já me sai bastante caro. Não tenho carro nem tenho dinheiro para luxos. No verão, fiquei de coração partido porque os meus filhos ouviram uma carrinha de gelados passar na rua. Era fim do mês e eu não tinha sequer moedas no bolso para comprar uma bola a cada um.” Desde essa altura, tenta ter sempre uma sobremesa para os miúdos no congelador. Mas, admite baixando os olhos, nem sempre é possível.

O acordão do tribunal europeu em 1995 garantiu-lhe uma indemnização de 600 mil euros. “Um terço desse valor foi comido por impostos e outro terço foi para pagar aos meus advogados”, conta. Tinha conseguido poupar algum dinheiro quando jogou no Índico, que usou para comprar um terreno nos arredores de Liège. “Do que sobrou, construí esta casa com 150 mil euros. Sobraram-me 50 mil e usei-os para comprar um Porsche Carrera em segunda mão. Era um sonho antigo. Dois anos depois, tive de vendê-lo para poder pagar as contas.”

Bosman diz que ainda hoje o futebol tem uma dívida para com ele. “Os jogadores e os clubes esqueceram-me completamente. Eu libertei os futebolistas de uma espécie de escravatura, mas a paga que recebi foi praticamente zero”, e o tom de voz amarga-se.

Abre duas exceções: uma em 1997, outra em 2019. A primeira aconteceu quando os Países Baixos receberam a Bélgica para um jogo de qualificação do Campeonato do Mundo. “Cada um dos jogadores holandeses decidiu oferecer-me 2500 euros. Os irmãos De Boer [Frank e Ronald] até vieram dizer-me que era graças a mim que podiam transferir-se no ano seguinte para o Barcelona”, conta. 

Foto: Guillaume Pazat

A imprensa perguntou à equipa belga se iria fazer a mesma coisa e estes responderam que não. “A Federação tinha-lhes dito que aquela era simplesmente uma tentativa dos neerlandeses de desestabilizar a equipa”, diz Bosman. “Claro que eles não me iam dar a devida importância. Afinal de contas, eu tinha-os batido em tribunal.”

Há dois anos, recebeu um telefonema que o apanhou desprevenido: “Era a mãe de Adrien Rabiot a dizer-me que o filho me queria oferecer 12 mil euros por tudo o que eu tinha feito.” A agora estrela francesa da Juventus estava nessa época em litígio com a direção do Paris Saint-Germain e fora afastado dos relvados. “A mãe era também a sua agente. Veio cá a casa, almoçámos e passámos a tarde juntos. Disse-me que era por causa da minha batalha que o seu filho podia agora mudar de clube e prosseguir caminho. E que ele me estava agradecido por isso. 

Estes casos, no entanto, foram gotas de azeite numa tina de água que era só desilusão. “As coisas começaram a correr mal ainda o processo decorria, e na verdade nunca melhoraram”, diz. A mulher, e mãe da sua primeira filha, pediu o divórcio quando voltou da ilha da Reunião. “Ela não conseguia lidar com a incerteza constante em que eu vivia. Nem com o facto de eu ganhar pouco e estar sempre em apuros para pagar a advogados. Não lhe levo a mal, ela protegeu-se. A minha situação era um pouco caótica e ela precisava de estabilidade.”

No regresso, viu-se sem sítio para morar. “A casa onde estou agora ainda não estava construída, então eu passei dois anos e meio na garagem de casa dos meus pais. Convertemos aquilo num lugar habitável e, se não fossem eles, eu provavelmente teria ficado na rua”, e encolhe os ombros. “Não era o ideal, era até bastante humilhante, mas sempre era melhor do que ficar numa situação de sem-abrigo.”

O álcool tornou-se refúgio para a amargura. “Começou logo depois da leitura do acordão e foi piorando com os anos”, confessa. “Eu passava os dias em casa a olhar para as paredes. Não acendia sequer a televisão, punha música a tocar e ficava ali a pensar em como tinha lutado para acabar com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.” De manhã abria a primeira garrafa de vinho. “Havia dias em que bebia seis garrafas. Mergulhei numa depressão profunda.”

Fiz limpeza nas ruas, fui jardineiro. Mas a depressão e o álcool nunca me permitiam aguentar muito tempo. Falhava constantemente e acabava despedido ao fim de um par de semanas.

Jean-Marc Bosman, antigo futebolista

Não foi mudança de um dia para o outro, foi algo que, nas suas próprias palavras, foi acontecendo. “Sentia que tinha mergulhado num lugar escuro, via-me num beco sem saída.” Ia tentando dar a volta ao texto com uma série de iniciativas falhadas. “Houve várias tentativas para organizar jogos em meu nome, e cujos custos de bilheteiras revertieriam a meu favor. Até o Maradona prometeu participar. Mas nunca aconteceu. Nunca ninguém veio. Para todos os efeitos, eu tinha sido esquecido.”

No início do milénio, teve de recorrer a ajudas sociais. “Foi uma humilhação, mas a verdade é que, meia dúzia de anos depois do acordão, eu não tinha dinheiro sequer para comer”, admite. Passou 15 anos a viver do rendimento mínimo garantido, a passar os dias em casa a olhar para as paredes, a tentar perceber como a queda se havia mostrado tão grande. “Tinha de me apresentar nos serviços sociais da comuna e eles tentavam arranjar-me pequenos empregos para ganhar a vida. Fiz limpeza nas ruas, fui jardineiro. Mas a depressão e o álcool nunca me permitiam aguentar muito tempo. Falhava constantemente e acabava despedido ao fim de um par de semanas.”

Vivia com 750 euros mensais, numa casa com piscina. “Era absolutamente desesperante e eu passava o tempo a tentar imaginar soluções que me safassem”, diz. A sua última investida aconteceu em 2008: o lançamento de uma camisola. Por baixo do seu nome, estava escrito ‘Got the player circulate for your way’, uma frase mal conseguida em inglês que tentava dizer algo como ‘pus o jogador a circular no seu caminho’. Com isso, esperava vender uns bons milhares de exemplares a futebolistas e adeptos. “Arranjei dez mil euros para comprar o tecido e imprimir aquilo tudo. Pensava que toda a gente ia alinhar na ideia, mas só consegui fazer uma venda. Foi ao filho do meu advogado.”

Ficou pior do que antes. No ano seguinte nasceu Martin, o seu segundo filho e em 2011 chegou ao mundo Samuel, o terceiro. “Nunca vivi com a mãe deles. Eu bebia muito, muito, e se calhar foi pelo melhor eles ficarem com ela. Até porque eu tinha uma namorada, que tinha uma filha. Mas aí as coisas não correram nada bem”, lembra. Em 2013, Jean-Marc Bosman foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa por violência doméstica. “Houve um dia em que a miúda me disse para parar de beber. Dei-lhe um safanão no braço e ela caiu. Eu estava pura e simplesmente descontrolado.”

Foto: Guillaume Pazat

No inverno de 2017, percebeu que estava em risco de vida. “Tinha passado o dia inteiro a beber, mas precisava de ir às compras porque os meus filhos vinham passar o fim de semana comigo. Mandei vir um táxi.” Como o dia estava chuvoso decidiu abrir a porta da garagem e refugiar-se lá dentro à espera. “Com todo aquele álcool no sangue, tive um ataque epilético. Caí, bati com a nuca na esquina de uma mesa e comecei a esvair-me em sangue.” Tinha perdido os sentidos e não se conseguia mexer. A taxista chegou e notou que a porta da garagem estava aberta. “Ao fim de um tempo deu ali comigo no chão e foi a minha sorte. Se ela não tivesse dado por mim eu teria morrido. No hospital, perceberam que tinha partido três vértebras na queda – a C1, C2 e C3. Bosman não consegue por isso virar o pescoço para nenhum lado, e tem bastante visíveis na nuca as cicatrizes do acidente.

“Nunca pensei suicidar-me, na verdade não tenho nada contra mim”, ri-se. E depois o rosto torna-se sério. “Naquele dia percebi que estava a matar-me aos poucos, que tinha de de parar.” Assegura que desde então não voltou a tocar numa gota de álcool, que começou a tomar antidepressivos e agora as coisas estão melhores. “Talvez agora eu possa dizer que dei uma volta à minha vida, não sei. Não quero falar cedo demais. O que sei é que estive mesmo no fundo do poço.”

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Sonhos perdidos
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Foto: Guillaume Pazat

Na casa onde cresceu, Jean-Marc conseguia ver o estádio do Standard de Liège. “Quando as luzes se acendiam para os jogos, eu até tremia. Ouvia os relatos pela rádio e andava sempre a correr entre a sala e a janela do quarto. Eu era um miúdo que vibrava com futebol e com nada mais do que futebol”, diz. Nunca pensou ser bombeiro ou astronauta. Queria ser futebolista, ponto.

Bosman é neto de mineiros jugoslavos que na Segunda Guerra Mundial estiveram presos em campos de concentração. “Tanto o meu avô como a minha avó materna foram forçados a trabalhar nas minas de carvão até ao final das forças. A minha mãe também cresceu nos campos. Acho que foi por eles, e pelo exemplo deles, que nunca cedi no que acredito ter sido a minha luta pela liberdade. Eles sabiam bem como ela era preciosa.”

Aos oito anos, o pai decidiu inscrevê-lo nas escolas do Standard e Jean-Marc recorda esse dia como um dos mais entusiasmantes da sua vida. “O meu velhote avisou-os logo para ficarem atentos, que vinha aí uma estrela de que não haviam de se esquecer”, e desata a rir-se. É um dos poucos momentos em que se ri durante toda a conversa, aliás. “As coisas correram muito bem desde os infantis. Em todas as camadas jovens, na verdade.”

Bosman jogava a médio ofensivo e rapidamente se tornou no número 10 das seleções juvenis da Bélgica. Chegou a envergar a braçadeira de capitão dos sub-21, marcou os dois golos da vitória no Torneio de Júniores de Nice em 1984 e foi nomeado o melhor jogador da competição. “Tinha 17 anos e nessa altura passei para os séniores no Standard. Achava que tudo ia correr sobre rodas”, assume.

Os pais hesitaram antes de lhe permitir abandonar a escola. Jean-Marc tinha 17 anos, não conseguira ainda o diploma do secundário e não tinha qualquer objetivo em passar dias com o nariz enfiado dentro dos livros. “Se hoje soubesse como as coisas iam correr talvez tivesse levado a vida de outra maneira. Mas a verdade é que eu só pensava em jogar à bola. E, como a minha carreira parecia promissora, os meus pais deixaram-me seguir o meu rumo.”

Os primeiros tempos com a equipa principal foram um fracasso. “Os mais velhos mandavam no balneário e eu era o mais novo de todos, nunca tive uma oportunidade. Mas depois houve um grande escândalo e vários jogadores foram suspensos. Foi a minha grande oportunidade”, recorda.

A minha família foi forçada a trabalhar nos campos nazis. Foi por eles que nunca cedi na minha luta pela liberdade. Eles sabiam bem como ela era preciosa.”

Jean-Marc Bosman, antigo futebolista

O caso remontava a 1982, mas as deliberações foram tomadas em abril de 1984. Os tribunais deram como provado que o plantel do Standard tinha pago luvas aos jogadores do Waterschei para assegurar a vitória no campeonato. Até ao final da época, jogaram os jovens e entre eles estava Bosman. “Conseguimos o apuramento para as competições europeias, o que não foi nada mau”, conta o antigo jogador.

Na época seguinte a equipa reforçou-se e Bosman voltou ao banco. A transferência para o FC Liège parecia-lhe uma boa mexida – era um clube com menos fundos, menos estrelas e ali poderia provar o seu talento. “A primeira época não foi grande coisa, a segunda correu melhor, e depois houve aquela oportunidade de ir para o Dunquerque. O resto já se sabe, foi uma grande confusão.”

Bosman ainda gasta os dias em casa, ainda fica parado muitas horas a olhar para as paredes, e raramente liga a televisão. Evita ver jogos de futebol – só abre exceções para ver as partidas da seleção belga, ou quando um clube do seu país tem um jogo importante na Liga dos Campeões. “O que eu gosto mesmo é de ouvir música. Jazz, blues e os grandes nomes da chanson française.”

Há uma música de Claude Nougaro que ele ouve até à exaustão quando se senta no balcão da cozinha a deixar os dias correr. Chama-se Il faut tourner la page – É preciso virar a página e às vezes Bosman pensa que ela foi escrita especificamente para ele. Passa horas e horas a escutá-la, às vezes levanta-se e vai visitar a prateleira das memórias, e sabe que esse tempo já passou.

Desde 2015 Jean-Marc Bosman recebe uma pensão da FifPro, que lhe paga as contas. “Houve alturas em que eu não tinha dinheiro para o aquecimento sequer,” suspira. No ano passado, o presidente do sindicato mundial dos jogadores enviou-lhe um ramo de flores a 15 de dezembro, dia em que se cumpriam 25 anos do acordão com o seu nome. “Estou francamente agradecido ao presidente da instituição. Foi uma das poucas pessoas que não me deixou cair no esquecimento”, atira.

As notícias das transferências milionárias que vê nos noticiários doem-lhe um bocadinho. “Não é que eu queira mal aos jogadores, é só por saber que fiz algo por todos eles e agora tenho de lutar pela minha dignidade.” Já dos clubes gostaria de ver outra atitude. “Uma vez um diretor de uma equipa disse-me que eu devia ter uma estátua em frente aos estádios do Liverpool e do Milan e da Juventus. Respondi-lhe que não precisava disso, bastava-me receber 0,1% de cada transferência. Se acontecesse isso, eu já conseguia respirar de outra maneira.”

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