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O português que é referência no badminton

O português que é referência no badminton

Foto: Yann Hellers
Desporto 3 min. 28.02.2018

O português que é referência no badminton

Alvaro Antonio SILVA DA CRUZ
Alvaro Antonio SILVA DA CRUZ
José Gomes é um dos expoentes máximos do badminton luxemburguês das últimas décadas. Conquistou vários títulos como jogador, mas dispõe também de larga experiência como treinador. Quer ajudar os jovens a chegar o mais longe possível e lamenta que cada vez menos portugueses pratiquem a modalidade.

José Gomes é um dos expoentes máximos do badminton luxemburguês das últimas décadas. Conquistou vários títulos como jogador, mas dispõe também de larga experiência como treinador. Quer ajudar os jovens a chegar o mais longe possível e lamenta que cada vez menos portugueses pratiquem a modalidade.

por Álvaro Cruz

Nasceu na aldeia de Matosinhos, perto de Chaves, emigrou para o Luxemburgo com quatro anos e veio viver com os pais para Differdange. José Gomes trocou o futebol pelo badminton aos 18 e nunca mais deixou a modalidade. Conquistou títulos, participou em vários jogos e estágios internacionais, passou pela seleção nacional de jovens e está empenhado em dar maior projeção ao Badminton Clube de Dudelange, formação que representa há 15 anos.

“O meu primeiro contacto com o badminton foi no liceu de Differdange, já com 18 anos. Até essa altura jogava futebol no Red Boys Differdange, onde era defesa, mas depois abandonei a modalidade preferida dos portugueses e dediquei-me de corpo e alma ao badminton”, recorda o engenheiro civil de profissão que vai completar, em breve, 48 anos.

“Eu e o badminton foi amor à primeira vista, como se costuma dizer. É uma modalidade que se pode jogar individualmente ou em equipas. É muito tático, exige grande inteligência e uma boa preparação física, ao contrário do que as pessoas pensam, já que muitos associam o badminton aos jogos que se fazem na praia. Aprendi a gostar e não a troco por nada”, precisa José Gomes.

Apesar de se ter iniciado tarde na modalidade, a evolução foi bastante rápida ao ponto de despertar o interesse de outros clubes e da seleção grã-ducal.

“Joguei vários anos em Differdange, onde não consegui ganhar títulos, mas depois mudei-me para o Badminton Club Européen, em Dommeldange, e nos últimos 15 anos defendo as cores do Badminton Clube de Dudelange”, explica.

Conseguiu alcançar vários títulos por equipas, taças do Luxemburgo, mas nunca um título individual: porque era português e só os luxemburgueses podiam participar nos campeonatos individuais.

“Ainda representei várias vezes a seleção luxemburguesa por equipas e participei em muitos jogos da Liga dos Campeões de Badminton e outras provas internacionais com sucesso, mas faltam-me os títulos individuais no palmarés”, lamenta José Gomes, que também disputou uma Taça do Mundo pela seleção grã-ducal.

Tem a dupla nacionalidade há cinco anos e passou pelas seleções jovens luxemburguesas durante uma década, mas deixou o cargo por não concordar com a política federativa.

Preferência pelo treino com jovens

“Sempre dei preferência ao treino com jovens nos clubes por onde passei e na seleção luxemburguesa. Integrei durante dez anos o staff de treinadores nas seleções jovens, porque sou amigo do selecionador nacional, mas acabei por renunciar ao cargo por não concordar com algumas coisas que se passavam no seio da federação”, esclarece.

“Neste momento, dedico-me totalmente ao projeto do Badminton Clube de Dudelange que dá uma importância especial ao trabalho com as categorias jovens. Apesar de alguns títulos conquistados pelas equipas seniores, tivemos de começar do zero com as equipas das faixas etárias mais baixas. Os responsáveis do clube estão bastante empenhados em desenvolver o potencial dos mais novos e querem abrir as portas a todos os jovens que desejem conhecer o clube e a modalidade”, diz.

Ainda joga, a pares e em equipas, mas confessa que a competição deixou de ser uma priotodade. “Vou jogando enquanto o corpo permitir, mas já disse que é preferível dar o lugar aos jovens e jogadores da segunda equipa. A idade vai avançando e é hora de ceder passagem aos mais novos”, assegura.

Número de portugueses no badminton tem diminuído

Dos jovens que treina, são muito poucos os portugueses, algo que José Gomes lamenta profundamente.

“Quando comecei a treinar, em Differdange, metade dos miúdos eram portugueses, mas agora cada vez há menos. Dos mais de vinte clubes que existem no Luxemburgo, poucos são os que têm jogadores lusos. E é uma pena porque conheço a mentalidade dos jogadores portugueses, que são competidores por natureza e têm grande talento, como por exemplo a Diana Campos, que foi agora estudar para Portugal, mas tem vários títulos nacionais e é internacional pelo Luxemburgo. Por outro lado, tenho de reconhecer que os miúdos portugueses, e não só, se sentem mais atraídos pelo futebol e por outras modalidades. É nornal, mas uma pena porque alguns poderiam chegar longe no badminton”, conclui.

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