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O Mundial de A a Z
Desporto 13 min. 14.11.2022
Qatar 2022

O Mundial de A a Z

Qatar 2022

O Mundial de A a Z

Foto: Kirill Kudryavstev/AFP
Desporto 13 min. 14.11.2022
Qatar 2022

O Mundial de A a Z

Jorge PINTO
Jorge PINTO
Com o Campeonato do Mundo de Futebol, no Qatar, à porta, fique a conhecer todas as novidades da competição e do primeiro país do Médio Oriente a acolhê-la.

A – Abertura – O primeiro Campeonato do Mundo de futebol que se realiza num país do Médio Oriente arranca no dia 20 de novembro e prolonga-se até 18 de dezembro. A FIFA antecipou em um dia a abertura da competição por forma a cumprir a tradição de o jogo inaugural envolver a equipa anfitriã, o Qatar, que irá defrontar o Equador, a partir das 17 horas (hora do Luxemburgo). Espera-se uma cerimónia de abertura surpreendente e faustosa.

B – Bola – A bola oficial do Campeonato do Mundo chama-se Al Rihla (A Viagem) e é inspirada na cultura, arquitetura e embarcações do Qatar. Fornecida pela Adidas, a Al Rihla é predominantemente branca e é preenchida com linhas azuis, vermelhas e amarelas, que aparecem destacadas em dourado. De acordo com a FIFA, o esférico foi concebido para aumentar a velocidade dos jogos, introduzindo trajetórias mais rápidas, contribuindo assim para a qualidade das partidas. A sustentabilidade também não foi esquecida, daí o recurso a tintas e colas à base de água.

C – Calendário – O calendário do Mundial vai ser apertado e, em vez dos tradicionais três jogos por dia na fase de grupos, teremos quatro, durante 12 dias. O objetivo é encurtar a prova para condicionar menos as competições dos clubes. A maioria das seleções terá três dias de descanso entre os jogos, o que a FIFA considera ser "ideal para o desempenho desportivo", e não haverá pausa entre o final da fase de grupos e os oitavos de final. As partidas começam às 11 horas (horário de Luxemburgo, menos uma hora em Portugal e mais duas no Qatar), 14, 17 e 20h. Será, por isso, o Mundial mais curto da história: 28 dias em vez dos 32 utilizados no Mundial da Rússia, em 2018.

D – Desempate – Fazer contas é algo a que os portugueses estão habituados. Convém, por essa razão, ficar a conhecer os critérios de desempate definidos para a fase de grupos. O primeiro fator é o maior saldo de golos, considerando todos os jogos da primeira fase, seguindo-se o maior número de golos marcados e o resultado do confronto direto entre as seleções empatadas. Se não for suficiente, entra em jogo o fair play, ou seja, o número de cartões: cada amarelo custa menos um ponto; um vermelho resultante de dois amarelos vale menos três pontos; um vermelho direto resulta em menos quatro pontos; e um vermelho direto para um jogador que já tinha um amarelo significa menos cinco pontos. Caso o empate persista, será realizado um sorteio. O melhor é mesmo ganhar os jogos todos…

E – Estádios – São oito, o menor número desde o Mundial de 1978, na Argentina, todos recintos modernos, com design e tecnologia inovadoras e planeados de raiz. A única exceção é o Estádio Khalifa, que já existia antes de o Qatar vencer a organização do Mundial, embora tenha sido submetido a uma remodelação profunda. Os oito estádios estão situados em cinco cidades, mas com distâncias muito curtas entre si, num raio de 55 km de distância de Doha, a capital do Qatar, o que significa que tanto as equipas como os adeptos estão dispensados de viagens aéreas. 

É a FIFA quem tem por missão organizar o campeonato do mundo.A escolha do Qatar para palco da competição foi tudo menos pacífica.
É a FIFA quem tem por missão organizar o campeonato do mundo.A escolha do Qatar para palco da competição foi tudo menos pacífica.
Foto: Kirill Kudryavstev/AFP

Uma das principais inovações, tendo em conta o clima quente, apesar de ser inverno, é a existência de um complexo sistema de arrefecimento e ar condicionado. As grandes condutas nos estádios, ao nível do relvado, são os elementos mais emblemáticos desse sistema, utilizado em sete dos oito estádios, que pretende garantir que a temperatura no interior se mantenha entre os 18 e os 24 graus. A exceção é o Estádio 974, que não só fica em zona costeira, mais fresca, como tem um sistema de ventilação natural, face às características da construção. Além disso, os estádios têm relvados de última geração, cuidadosa e dispendiosamente mantidos.

F – Final – A final do Mundial 2022 joga-se no dia 18 de dezembro, em Lusail, nome do estádio e também de uma cidade construída de raiz a 16 quilómetros do centro de Doha. A urbe tem capacidade para 200 mil habitantes e uma série de equipamentos de luxo que vão de hotéis a campos de golfe, marinas e parques de diversões. Voltando à final, já há previsões e, desta vez, o futurólogo não é um polvo, mas, sim, um supercomputador, segundo o qual o jogo decisivo será entre Portugal e Argentina, envolvendo os dois melhores jogadores do Mundo: Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. 

A previsão foi feita a partir de um estudo da BCA Research, do Canadá, e tem por base dois parâmetros: as estatísticas do videojogo FIFA e uma análise a 192 jogos da fase de grupos e 64 da fase a eliminar dos Mundiais 2006, 2010, 2014 e 2018. Se a máquina estiver certa, os sul-americanos vencem no desempate por grandes penalidades. Quanto a nós, teremos sempre Paris (cidade onde Portugal conquistou o Europeu de 2016).

G – Grupos – O Mundial de 2022 será o último a ter o formato de 32 equipas (a edição de 2026, que acontecerá no Canadá, Estados Unidos e México, já terá 48). As seleções estão divididas em 8 grupos, com 4 quatro equipas cada. Das 32 seleções apuradas, sete já foram campeãs do mundo: Brasil cinco vezes (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002); Alemanha quatro (1954, 1974, 1990 e 2014); França duas (1998 e 2018); Argentina duas (1978 e 1986); Uruguai duas (1930 e 1950); Espanha uma (2010); e Inglaterra também uma (1966). A única seleção que já ergueu o maior troféu do futebol e que não se apurou para o Qatar foi a Itália, vencedora por quatro vezes (1934, 1938, 1982 e 2006).

H – Grupo de Portugal – O sorteio ditou que Portugal medirá forças com o Uruguai, Coreia do Sul e Gana, no Grupo H. A seleção das quinas estreia-se a 24 de novembro (17 horas no Luxemburgo), diante do Gana, jogando, depois, a 28 (20 horas), com os uruguaios, que afastaram Portugal nos oitavos-de-final da edição de 2018, e a 2 de dezembro (16 horas) contra os sul-coreanos, comandados pelo português Paulo Bento. Esta é oitava fase final e sexta consecutiva disputada pela equipa portuguesa, depois de 1966, 1986, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018, tendo como melhor registo o terceiro lugar da estreia, numa edição em que Eusébio marcou nove golos.

I – Investimento – O valor que tem sido estimado aponta para qualquer coisa como 200 mil milhões de euros, ou seja, um investimento muito superior a qualquer organização desportiva até hoje realizada. Há, porém, estimativas ainda mais avultadas, como a do canal económico Bloomberg, que dá conta de um investimento de 300 mil milhões. O valor supera – e muito – o das duas últimas edições do torneio, sendo 19 vezes mais caro do que o realizado em 2014, no Brasil, e 15 vezes mais dispendioso do que o de 2018, disputado na Rússia. Os responsáveis pela organização não avançaram números oficiais, mas dizem que o investimento total não se refere apenas à construção de estádios, mas a várias outras infraestruturas lançadas nos últimos anos. Dizem também que vários equipamentos estavam já planeados, no âmbito de um projeto de desenvolvimento do país a que o Qatar chama Visão 2030.

J – Juízes – O Campeonato do Mundo terá, pela primeira vez, três árbitras principais entre os 36 escolhidos nas seis Confederações de futebol, numa lista que volta a não ter qualquer árbitro português, a exemplo do que já acontecera na Rússia. Entre os juízes, destaque para as escolhas da francesa Stéphanie Frappart (UEFA), da ruandesa Salima Mukansanga (CAF) e da japonesa Yoshimi Yamashita (AFC), embora no total sejam seis mulheres, com a nomeação de mais três assistentes. São elas a brasileira Neuza Back, a mexicana Karen Diaz Medina e a norte-americana Kathryn Nesbitt. Os últimos representantes portugueses foram Pedro Proença, atual presidente da Liga de Clubes, no Mundial 2014, e Olegário Benquerença, no Mundial 2010.

O avançado francês Mbappé é o jogador mais valioso a marcar presença no Mundial do Qatar. De acordo com o site Transfermarket vale atualmente 160 milhões de euros.
O avançado francês Mbappé é o jogador mais valioso a marcar presença no Mundial do Qatar. De acordo com o site Transfermarket vale atualmente 160 milhões de euros.
Foto: Alessandro Di Marco/EPA

K – Kylian Mbappé – O avançado francês é o jogador mais valioso a marcar presença no Mundial do Qatar. De acordo com o site Transfermarket, plataforma especializada em analisar o valor de mercado de atletas do mundo inteiro, Mbappé vale atualmente 160 milhões de euros, mais 40 milhões do que o brasileiro Vinícius Junior, que também jogará a competição. Bruno Fernandes é o único português no top 10 da tabela, ocupando a sétima posição (85 milhões de euros), mais cinco milhões do que Bernardo Silva, 17.º da lista.

L – La'eeb – Chama-se La'eeb, expressão árabe que significa "jogador muito habilidoso" e é a mascote oficial do Mundial do Qatar. De acordo com a FIFA, a mascote, inspirada nos lenços de cabeça que fazem parte da cultura local, encoraja todos a acreditarem em si próprios.

M – Mundial (2030) – Este Mundial ainda não começou, mas já se fala do de 2030. Isto porque Portugal está na corrida à sua organização, juntamente com Espanha. Recentemente, os dois países decidiram incorporar a Ucrânia, numa manifestação de solidariedade na sequência da invasão russa. Esta candidatura tripartida enfrentará a concorrência de Marrocos, do Uruguai/Argentina/Paraguai/Chile e do Egipto/Grécia/Arábia Saudita. O resultado será conhecido em 2024.

N – Números – Um milhão de visitantes é o número de turistas aguardados no Qatar, à conta do Mundial de futebol. Um desafio enorme para um país com menos de três milhões de habitantes. Outros números a reter dizem respeito aos preços dos bilhetes, os mais caros de sempre. Para os adeptos estrangeiros, os preços para a primeira fase variam entre os 62 e os 200 euros. Para a final, vão de 550 a 1.460 euros. Em média, os valores estão 30% acima dos praticados no Mundial da Rússia, em 2018.

O – 'Odds' O Mundial de futebol joga-se no campo e nas casas de apostas. Para o Qatar, as 'odds' (cotações que dão as probabilidades para um determinado resultado) elaboradas pelos sites de aposta apontam para o título da seleção brasileira. Na sequência, existe um empate triplo de favoritos entre a Argentina, Inglaterra e França.

P – Polémicas – São muitas e começaram logo após o anúncio da atribuição da organização do Mundial ao Qatar, com as suspeitas de corrupção, nomeadamente na compra de votos. Seguiram-se as acusações de violação dos direitos humanos, com a exploração do trabalho dos migrantes (cerca de 1,9 milhões), em situação de precariedade laboral, para a construção dos estádios. Isto além da tradição religiosa, que limita o papel das mulheres na sociedade e não tolera a homossexualidade, estando mesmo prevista a pena de morte para estes casos.

Q – Qatar – Com uma superfície pouco superior a 11 mil quilómetros quadrados e uma população a rondar os 2,9 milhões, o Qatar, uma pequena península que irrompe pelo Golfo Pérsico, é o país mais pequeno a organizar um Mundial de futebol, roubando o recorde que o Uruguai detinha há quase 100 anos. Embora pequeno em tamanho, dinheiro é coisa que não falta, graças às receitas do petróleo e do gás natural, do qual tem a terceira maior reserva mundial.

Foto: José Coelho/EPA

R – Ronaldo – É o melhor marcador de sempre de Portugal e também o melhor de sempre a nível de seleções. 117 golos depois e aos 37 anos, Cristiano Ronaldo prepara-se para jogar aquele que deverá ser o último Mundial da sua carreira, depois de Alemanha, África do Sul, Brasil e Rússia. Os mesmos em que participou aquele que tem dividido com ele o palco de melhor do mundo, Lionel Messi. O argentino, com 35 anos, já anunciou que o Qatar será o fim da linha dos mundiais. Uma competição que nenhum deles ainda ganhou.


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S – Substituições – Este será o primeiro mundial em que os treinadores podem fazer cinco substituições durante o jogo, uma alteração introduzida no futebol por causa da pandemia de Covid-19 e que já fez caminho no Europeu de 2020, disputado em 2021. Também como aconteceu nessa prova, as seleções podem convocar até 26 jogadores, mais três do que nas competições anteriores (o número mínimo era 23).

T – Temperatura – As elevadas temperaturas (podem chegar aos 50 graus) que se fazem sentir no Qatar, em junho e julho, levaram a FIFA a tomar uma decisão inédita, deslocando a competição para novembro e dezembro, quando o clima é mais ameno. Os valores médios estimados são de 26 graus em novembro (mínimas de 19 e máximas de 29) e 21 em dezembro (15-24).

U – Usos e costumes – A realização do Mundial no Qatar será uma demonstração do choque civilizacional entre o Ocidente e o Oriente, onde os usos e costumes são completamente diferentes. Eis alguns exemplos, entre muitos outros: calções, vestidos curtos e tops de alças finas ou sem alças são desaconselhados; manifestações de afeto em público são proibidas; não se pode fotografar ou filmar edifícios governamentais, militares ou zonas industriais; atirar lixo para o chão dá direito a uma multa equivalente a 2.800 euros.

V – Videoárbitro – Outra novidade associada ao Mundial do Qatar é a utilização de uma tecnologia semiautomática que alerta a equipa no videoárbitro (VAR) para situações de fora de jogo. O sistema recorre a uma tecnologia que tem por base a animação 3D, usa 12 câmaras montadas sob o teto do estádio para rastrear a bola e até 29 pontos de dados de cada jogador individual, 50 vezes por segundo, calculando a sua posição exata em campo.

X – Xeque – O atual Emir do Qatar é o xeque Tamim bin Hamad Al Thani. Subiu ao trono aos 33 anos, em 2013, depois do pai ter abdicado. O chefe supremo possui o poder de nomear e destituir o primeiro-ministro e ministros que, juntos, compõem o Conselho de Ministros, órgão responsável pela legislação. É um grande adepto do desporto, tendo fundado, em 2005, a Qatar Sport Investments, dona do clube francês Paris Saint-Germain.

Z – "Zonas de tolerância" – Por lei, no Qatar, só é permitido o consumo de bebidas alcoólicas nos restaurantes de hotéis e nos bares devidamente licenciados. Mas, para o Mundial, foram criadas "zonas de tolerância" onde será possível beber uma cervejita. Os locais de venda vão estar restritos ao perímetro dos estádios e só vão funcionar antes e depois das partidas, contra apresentação de bilhete para os jogos. Dentro dos estádios vão estar à venda apenas bebidas sem teor alcoólico.

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