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O homem que ambiciona chegar aos Jogos Paralímpicos de Paris2024
Desporto 3 min. 10.07.2019

O homem que ambiciona chegar aos Jogos Paralímpicos de Paris2024

Contacto, Carlos Alves Neves, Handisport, Foto: Chris Karaba/Luxemburger Wort

O homem que ambiciona chegar aos Jogos Paralímpicos de Paris2024

Contacto, Carlos Alves Neves, Handisport, Foto: Chris Karaba/Luxemburger Wort
Foto: Chris Karaba
Desporto 3 min. 10.07.2019

O homem que ambiciona chegar aos Jogos Paralímpicos de Paris2024

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Um acidente de trabalho atirou-o para uma cadeira de rodas, mas não cedeu ao infortúnio. Treina para tentar chegar aos Jogos Paralímpicos de Paris2024 e diz que apesar das limitações, o mais importante é aproveitar a vida e ser feliz.

Carlos Neves tem 40 anos e é um exemplo de resiliência e dedicação. Em outubro de 2014, um acidente na empresa de construção civil onde trabalhava deixou-o paraplégico. Apesar da dor e revolta que sentiu nos primeiros tempos, encontrou no desporto adaptado a força para superar as dificuldades e alcançar novos objetivos na vida.

“No início, foi bastante complicado. Após ter sofrido o acidente, estive numa cama de hospital várias semanas sem me poder mexer. Na situação em que me encontrava era extremamente difícil encarar a vida de forma positiva”, recorda.

“Quando estamos fechados em casa, sem fazer nada, a tendência é pensarmos constantemente nos nossos problemas e isso acaba por provocar depressões e toda uma série de outros problemas”, explica.

Mas as coisas foram melhorando pouco a pouco. Através do Rehazenter, clínica onde fazia os tratamentos de reabilitação, recebeu um convite para intergar a associação ’Back to Sport’ e a vida ganhou outro sentido.

“O contacto com pessoas com deficiências identicas à minha e outras mais graves foi muito importante para a viragem que se deu na minha vida. Convidaram-me para fazer um triatlo que aceitei apesar de antes de ter sofrido o acidente nunca ter feito nenhum. Foi como um ’clique’. A partir daí, nunca mais parei”, diz com um sorriso.

“Passei a fazer paraciclismo e triatlo com mais frequência e a partir de setembro do ano passado tenho integrado algumas provas internacionais cujo nível de exigência é bastante grande, mas que me dão grande prazer e me motivam a dar o meu melhor”, sublinha.

Mediante os resultados positivos, as expetativas aumentaram e a vontade de uma constante superação passaram a nortear a vida de Carlos. No passado mês de maio participou na Taça do Mundo de paraciclismo em Ostende, na Bélgica, e concretizou um dos grandes objetivos que tinha traçado para 2019.

Aprendi a aceitar a minha situação, porque no fundo, o mais importante é aproveitar a vida e ser feliz

“Foi uma experiência bastante rica e inesquecível. Estar entre os melhores atletas do mundo foi muito bom em todos os aspetos. A classificação não foi a melhor, mas aprendi imenso. Os níveis de motivação têm crescido significativamente e a vontade de melhorar cada vez mais, também. Agora, o meu grande objetivo é participar nos Jogos Paralímpicos de Paris2024 na disciplina de triatlo. Sei que não será fácil, mas nada me vai impedir de tentar realizar este sonho. Vou empenhar-me e dar o meu melhor para lá chegar”, enfatiza.

Atualmente, Carlos Neves treina seis a sete vezes por semana, entre percursos de estrada e a musculação no ginásio. Participou no dia 20 de junho na 4a taça de Portugal, em Lisboa, e terminou no segundo lugar. Repetiu o feito no último fim de semana, no Campeonato Nacional de Portugal disputado em Almeirim, com dois segundos lugares obtidos no contrarelógio e na prova de fundo.

“É lógico que quando participo numa prova o intuíto é sempre ganhar. No entanto, o facto de integrar os pódios nestas últimas provas em Portugal são para mim motivo de grande satisfação”, vinca. “Ombrear com atletas que possuem muito mais anos de experiência é a prova de que tenho vindo a trabalhar bem”, congratula-se.

Carlos recebe uma reforma de invalidez que é insuficiente para as despesas do dia a dia e para pagar o material que utiliza no paraciclismo. Com a ajuda de patrocinadores adquiriu uma bicicleta de competição, mas está à espera de outra mais moderna. Lamenta não poder estar no próximo campeonato do mundo, no Canadá porque os custos são bastante elevados: “As bicicletas de competição são extremamente caras. Custam cerca de 13.000 euros, mas podem chegar aos 17 ou 18.000 s consoante os extras que adicionarmos. Tenho tido algumas ajudas, mas estar no Mundial do Canadá está fora de questão. É demasiado caro”, lamenta.

Entretanto, Carlos Neves vai continuar a treinar afincadamente para concretizar os seus ojetivos e conta com uma ajuda especial: “A minha mulher e os meus filhos [de 6 e 11 anos] são fundamentais e uma grande ajuda na minha vida. Adaptaram-se às minhas limitações e são grande fonte de inspiração para mim. Aprendi a aceitar a minha situação, porque no fundo, o mais importante é aproveitar a vida e ser feliz”, concluiu.

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