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O futebol com risco de vida
Opinião Desporto 2 min. 16.05.2022
Morte de adepto do FCP

O futebol com risco de vida

Morte de adepto do FCP

O futebol com risco de vida

Foto: Manuel Fernando Araújo/Lusa
Opinião Desporto 2 min. 16.05.2022
Morte de adepto do FCP

O futebol com risco de vida

Sérgio FERREIRA BORGES
Sérgio FERREIRA BORGES
As claques organizadas estão sempre na origem destes acontecimentos, como aconteceu nas imediações do Estádio do Dragão .

O Porto ganhou o título de campeão nacional e os festejos ficaram assinalados por mais um ignóbil homicídio.

A vítima tinha 26 anos e o homicida 19. A estória parece ter antecedentes que não chegam para justificar uma agressão à facada. Três dias depois, houve uma tentativa de retaliação, com armas de fogo, junto à residência de uma familiar do putativo homicida.

Trata-se de gente de gama baixa que ganhou poder dentro dos próprios clubes e se sente acima da lei.

Sem ser exaustivo, recordo outros homicídios ocorridos em jogos de futebol. Numa final da Taça de Portugal, em Maio de 1996, um adepto do Benfica disparou um very light que voou sobre o relvado do Estádio Nacional e atingiu mortalmente um adepto do Sporting, que estava na bancada norte. 

No Estádio de Alvalade, uma pequena multidão de uma das claques leoninas rebentou com um varandim e estatelou-se no chão, perto da célebre porta 10-A. Na queda, esmagou mortalmente um dos seus membros. Mais recentemente, um adepto italiano do Sporting foi propositadamente atropelado nas imediações do Estádio da Luz, por um benfiquista, tendo morte imediata.

Basta uma pesquisa na internet, para se ficar a saber que no estrangeiro, sobretudo na América do Sul, a tragédia é muito maior, com incidentes com mais de 20 mortos. Mas se a situação em Portugal é mais benévola, isso não nos tranquiliza.

As claques organizadas estão sempre na origem destes acontecimentos, como aconteceu nas imediações do Estádio do Dragão. A legislação até agora produzida é escassa e não tem o efeito dissuasor que se desejava. Por exemplo, neste caso não é aplicável, porque os factos ocorreram fora de qualquer estádio. Mas, obviamente, é aplicável a legislação ordinária.

As claques foram obrigadas a um processo de legalização que, entre outros objectivos, pretendia identificar, civil e criminalmente, os responsáveis pelos seus actos. Quase todas o fizeram, com a excepção das claques do Benfica. E este incumprimento de um normativo legal, até hoje, não foi punido. 

As claques continuam a viajar pelo país, em autocarros alugados, mas os seus cabecilhas, para não serem apanhados nas acções de fiscalização da PSP e da GNR, viajam em carrinhas de sete lugares, também alugadas. E assim, as forças policiais não podem fazer nada, porque aqueles indivíduos estão no gozo de direitos constitucionais, como é a mobilidade.

Trata-se de gente de gama baixa que ganhou poder dentro dos próprios clubes e se sente acima da lei, por tantas vezes ter saído impune, das suas diatribes. Mas o Estado tem de agravar o quadro sancionatório e os clubes, por amor ao futebol, deviam extinguir estes grupos de malfeitores. 

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)


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