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O dia em que Cristiano Ronaldo foi operado ao coração
Desporto 4 min. 12.07.2022
Futebol

O dia em que Cristiano Ronaldo foi operado ao coração

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O dia em que Cristiano Ronaldo foi operado ao coração

Foto: DR
Desporto 4 min. 12.07.2022
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O dia em que Cristiano Ronaldo foi operado ao coração

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 4. O interesse do Benfica e a operação a laser ao coração

A chegada em definitivo de Cristiano a Lisboa em 1997 é um acontecimento memorável para muito boa gente. Quem o apanha na Portela é o madeirense Leonel Pontes, então treinador das camadas jovens do Sporting e já designado pelo próprio Sporting como tutor do menino. "Quando o vejo a sair do Estádio José Alvalade", conta Vasco Faísca, defesa-central dos juniores, "pergunto-lhe onde vai, ele convida-me para ir ao aeroporto e trouxemos o Ronaldo, ainda magricela e muito calado".

As duas primeiras épocas de Ronaldo no Sporting confirmam a suspeita: craque do além. Há notícias nos jornais madeirenses dessa época a dar conta do "novo Futre" (aqui para nós que ninguém nos ouve – daí o parêntesis – Futre é ainda hoje visto como o melhor jogador de sempre do Sporting nos escalões de formação, aquele que mais joga à bola, aquele que mais entusiasma, aquele com o futuro mais promissor).

Ronaldo é um malabarista, um génio obsessivo. Os relatos da sua dedicação chegam de todo o lado. Já adulto, jogador feito no Manchester United, a sua atitude com a derrota é comentada por companheiros de equipa. Como o lateral francês Evra. "Uma vez, perdeu um jogo de ténis de mesa com o Rio Ferdinand. A malta gozou o prato, festejou a vitória do Rio. Ele saiu de fininho, comprou uma mesa de ténis de mesa e praticou durante duas semanas. Depois, desafiou novamente o Rio e ganhou-lhe à frente de toda a equipa. Ele só admite a derrota como estádio intermédio para atingir o sucesso."


O primeiro golo de CR7 pela seleção
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Posto isto, Ronaldo afirma-se em 1999-2000 nos iniciados A, treinados por Leonel Pontes (lá está) e Rui Palhares. Antes do início da época, o Benfica atravessa-se por Cristiano. A proposta é tentadora, com casa alugada (em vez de dormir no Lar do Jogador), e até mete a oferta de um trabalho à mãe Dolores, então cozinheira num hotel funchalense a ganhar 80 contos por mês (400 euros).

Em apenas dois dias, o coordenador da formação sportinguista Aurélio Pereira resolve o assunto. "Pus-me em campo e tratei do assunto em conjunto com a administração do Sporting. O novo contrato, assinado com a presença da mãe, durava quatro anos, desde 1 Outubro 1999 até 31 Julho 2003. No primeiro ano, o Ronaldo ganharia 50 contos (250 euros). No segundo, 75 (375 euros). No terceiro, 100 (500 euros). No quarto, 125 (€625). Com direito a subsídio de férias e de Natal mais seis viagens de ida e volta até ao Funchal, fossem para ele ou família."

A estratégia do Sporting não acaba por aqui. Dois dias depois da assinatura do contrato, a 19 Setembro 1999, Ronaldo estreia-se a capitão do Sporting, vs Estrela da Amadora, no campo número 2 do Estádio José Gomes, na Reboleira. O acontecimento é marcado por um golo de penálti na derrota por 3:2. Na semana seguinte, o Sporting empata 1:1 no campo do Cultural Atlético e Cultural da Pontinha. Golo de quem? Ora pois, quem mais? O outro golo é de Miguel Veloso, depois companheiro de Ronaldo no Euro-2012 e Mundial-2014.

Um mês depois, dia 17 Outubro 1999, em Pina Manique, vs Casa Pia, o susto de toda uma vida. À meia hora de jogo, o árbitro António Cardoso apita de repente, Ronaldo sente-se mal e é substituído de pronto por Bruno Filipe. Espante-se, princípio de taquicardia. Passamos agora a bola a José do Carmo Francisco, jornalista do Jornal Sporting, presente em Pina Manique como enviado-especial: "Jogo muito complicado, num lamaçal impróprio e com um relvado impecável ali ao lado. Era uma manhã própria de Outubro, com chuva, frio e vento. Sem que nada o fizesse prever, o árbitro António Cardoso interrompe o jogo para assistir o número 10 do Sporting e chama o enfermeiro Manuel Fontinha, que ainda hoje trabalha no Sporting. O pulso do Ronaldo estava rápido demais e foi preciso uma injecção para suster a taquicardia. Mais tarde, soube-se que o problema era grave e congénito, porque o músculo do coração funcionava em duplicado. Ou seja, batia muito depressa."


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

A mãe Dolores é informada do sucedido por telefone e, claro, nem sabe a quantas anda. Tal como o Sporting, sobretudo Aurélio Pereira. "Foi um susto daqueles. E passou, felizmente. Graças à velocidade de reacção dos médicos do Sporting, falo da dupla Virgílio Abreu e Gomes Pereira. O Ronaldo foi submetido a uma operação a laser no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, e recomeçou a treinar na semana seguinte, com todos os cuidados. Disse-o e repito-o quantas vezes forem precisas: Ronaldo é um menino abençoado por Deus."

Daí a uma semana, no dia 24 Outubro, o Sporting volta a contar com Ronaldo, vs Alverca, como substituto na segunda parte (3:0). No sábado seguinte, 31 Outubro, vs Amora, outra presença como substituto na segunda parte, aqui coroada com um golo (9:0). A primeira vez em que é titular acontece seis semanas depois do episódio em Pina Manique, vs Estoril, a 28 Novembro (3:0). Daí em diante, Ronaldo marca 14 golos em 16 jogos (inclui póquer vs Barreirense no Barreiro) numa época em que o Sporting falha o acesso à fase final por culpa do FC Porto, futuro campeão nacional dos iniciados A com os golos de Ivanildo.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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