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O desporto como instrumento de Putin
Vladimir Putin com Vitaly Mutko, ministro russo do Desporto, e Alexander Zhukov, presidente do Comité Olímpico.

O desporto como instrumento de Putin

Foto: AFP
Vladimir Putin com Vitaly Mutko, ministro russo do Desporto, e Alexander Zhukov, presidente do Comité Olímpico.
Desporto 2 min. 14.06.2018

O desporto como instrumento de Putin

Alvaro Antonio SILVA DA CRUZ
Alvaro Antonio SILVA DA CRUZ
O Mundial é mais uma oportunidade para que o presidente russo mostre a sua força e uma tentativa de relançamento da economia.

Quando organizou os Jogos Olímpicos de inverno na cidade de Sochi, em fevereiro de 2014, Vladimir Putin não disfarçou: o investimento correspondente a 37 mil milhões de euros transformou aquele conjunto de eventos desportivos na mais cara edição de sempre. Tal como agora, a ideia era impressionar o mundo com o poderio económico-financeiro do colosso russo, mesmo que isso envolvesse uma operação de cosmética sobre os inúmeros problemas do país.

Desde 2 de dezembro de 2010, data em que foi conhecida a escolha da Rússia como país organizador, muito mudou não apenas no país de Putin, mas, sobretudo, na comunidade internacional. Da guerra civil na Síria ao Brexit, da saída de Obama como presidente dos Estados Unidos à chegada de Trump com alegada interferência russa, da queda nos preços do petróleo aos focos de instabilidade, da guerra civil na Síria à anexação da Crimeia por Putin, das constantes acusações de envolvimento em crimes à crise e às sanções impostas por causa da tentativa de assassínio do ex-espião Skripal e da filha. A lista é interminável e tem contribuído para que o delicado equilíbrio internacional se torne cada vez mais uma miragem.

Mas o Mundial foi sempre visto como uma forma de relançar a economia russa, aproveitando o intenso fluxo de obras para infraestruturas. Do lado dos custos, alguns estudos recentes apontaram no sentido de uma verba a rondar os 11 mil milhões de euros. Um dos problemas, conforme sucedeu no Brasil e, em 2004, acontecera em Portugal, diz respeito ao futuro de alguns dos recintos. No caso russo, os exemplos de Saransk e de Kalininegrado, sem clubes de futebol com ambições no futebol russo, acumulam-se dúvidas sobre o aproveitamento dos estádios.

Associado a estes receios está algo que também já se verificou a propósito dos Jogos Olímpicos de inverno em Sochi: a especulação imobiliária que acaba por marcar algumas das 11 cidades que vão servir de sedes.

A ameaça terrorista

Entretanto, uma organização desta envergadura implica riscos relacionados com a segurança. Na atualidade, além dos frequentes exemplos de confrontos entre adeptos, a maior ameaça tem a ver com o terrorismo. Como principais estrelas presentes, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi foram sujeitos a ameaças por parte do autodesignado Estado Islâmico no passado mês de maio. E, se o dispositivo de segurança em redor das equipas e dos recintos já envolvia múltiplos meios, um reforço terá sido ordenado pelas autoridades russas para que nada falhe. Neste sentido, a Taça das Confederações acabou por se constituir como o teste mais direto à real capacidade das forças no terreno.

“A Russia está pronta para o Mundial”, apressou-se Vladimir Putin a afirmar, no início de maio, quando foi visitado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino. Com a argúcia habitual, aproveitou a oportunidade para deixar um apelo às forças de segurança no sentido de que atuem “com correção e delicadeza”. Porque “o Mundial é uma grande festa para muitos milhares de adeptos do planeta”, Putin quer que tudo seja perfeito. Mas as violações dos Direitos Humanos, os presos políticos e as leis repressivas contra a comunidade LGBT continuam.

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