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O algodão não engana, Mourinho também não
Opinião Desporto 10 4 min. 26.05.2022
Final da Liga Conferência

O algodão não engana, Mourinho também não

Final da Liga Conferência

O algodão não engana, Mourinho também não

Foto: Ozan Kose/AFP
Opinião Desporto 10 4 min. 26.05.2022
Final da Liga Conferência

O algodão não engana, Mourinho também não

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Roma vence Feyenoord por 1:0 e é o primeiro campeão da Liga Conferência da UEFA.
  • Giovanni Trapattoni 1977, 1984, 1991.
  • Alex Ferguson 1983, 1999, 2008.
  • José Mourinho 2003, 2017, 2022.

José Mourinho conquista a primeira edição da Liga Conferência e é o terceiro treinador da história da UEFA a ganhar títulos europeus em três décadas, um feito extraordinário e revelador de persistência. E se Trapattoni e Ferguson até fecham esse ciclo particular em equipas habituadas a ganhar, como Inter e United, o português celebra pela Roma, um clube indiscutivelmente histórico, cheio de adeptos, blá blá blá, mas sem uma taça da UEFA no seu museu.

Até ontem, em Tirana. A final é vs Feyenoord, terceiro classificado da Holanda. Tudo bem, a Roma é sexta em Itália. O encontro dos dois futebóis é constrangedor, sobretudo na primeira parte. Há gafes até dizer chega. E mesmo depois de dizer chega, gafes, gafes e mais gafes. Passes transviados, cruzamentos sem sentido, faltas intragáveis e protestos absurdos. You name it. Joga-se pouco à bola. E a Roma sem querer sair do seu meio-campo nos primeiros 20 minutos, por força da entrada mais física do Feyenoord, sem resultados práticos na arte de incomodar Rui Patrício, à excepção de um remate de Kokcu à figura.

Com a lesão muscular de Mkhitaryan num lance normal a meio-campo, a Roma faz a primeira substituição aos 17 minutos e entra Sérgio Oliveira, o outro português do plantel. O Feyenoord quebra ligeiramente e começa a aparecer o capitão Pellegrini, sempre irrequieto. Aos 32’, o central Mancini ganha uma bola na intermediária e cruza largo para a área. Trauner faz-se mal ao lance e Zaniolo está nas suas costas para dominar com o peito antes de concluir à saída de Biljow. Está feito o primeiro da noite. E o único.

Um-zero ao intervalo é já um resultado comum para Mourinho em finais europeis. É assim em 2003, por Derlei, em Sevilha, no FC Porto vs Sevilha. É assim em 2004, por Carlos Alberto, em Gelsenkirchen, no FC Porto vs Monaco. É assim em 2010, por Diego Milito, em Madrid, no Inter vs Bayern. E é assim em 2017, por Pogba, em Solna, no Man United vs Ajax. A palestra no balneário faz bem ao Feyenoord, a atitude é outra, mais assertiva e afoita.

Rui Patrício que se cuide, porque a defesa da Roma é a nossa senhora dos aflitos. Cada tiro, cada melro. O Feyenoord está perto, pertíssimo do empate. Aos 47’, Mancini quase faz autogolo na sequência de um canto e acerta no poste. Na ressaca, Til atira forte e Patrício defende com categoria para outro canto. Marcado esse, Malacia atira com força, ainda fora da área, e Patrício repele como pôde a bola para a barra.

A Roma encolhe-se e, às vezes, nem sabe sair da sua área com a bola controlada. É só à base de umas italianices como cavar faltas. Quem não cava é o avançado Abraham. O inglês aventura-se no ataque e ganha posição de golo, só com o guarda-redes pela frente. Senesi agarra-lhe o braço e Abraham já não chega à bola. O árbitro em silêncio. É falta, livre directo e expulsão de Senesi – a propósito, este central é a figura mais mediática do pré-jogo pela dupla convocatória, uma de Scaloni (Argentina), outra de Mancini (Itália) para o jogo entre campeão europeu vs sul-americano em Wembley no dia 2 Junho; com poder de escolha, Senesi opta pela Argentina (que sorte, a de Mancini).

Adiante. Aos 66’, alto lá e pára o baile. Entra Spinazzola, um craque do Euro-2021. Já refeito da lesão vs Bélgica nesse Europeu, o lateral-esquerdo concentra as atenções pela velocidade e inteligência. Na primeira acção ofensiva, aos 73’, corre pela linha lateral mais de meio campo e ganha canto, do qual Veretout (outro suplente) atira para defesa de Biljow. Na segunda jogada de perigo, aos 85’, descobre o capitão Pellegrini descaído para a esquerda. Do remate à queima-roupa sai outra defesa de Biljow a evitar o 2:0.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Biljow, é ele quem avança para a área de Rui Patrício aos 90’+2, antes da marcação de um livre. A bola é mandada para o chuveirinho e a defesa da Roma corta sem demoras. Daí a pouco soa o apito de Kovacs e acumulam-se os abraços a Mourinho, dono de cinco títulos europeus, como Trapattoni. E também vencedor de três provas europeias, como Trapattoni (sempre ele) e Lattek. E também o vencedor da quarta final europeia seguida sem sofrer qualquer golo, 0 vs Monaco em 2004, 0 vs Bayern em 2010, 0 vs Ajax em 2017 e 0 vs Feyenoord em 2002. É obra. Do mestre Mourinho. Para o Feyenoord, é a primeira derrota numa final europeia ao fim de três vitórias em 1970 (Taça dos Campeões), 1974 (Taça UEFA) e 2002 (Taça UEFA). Com aquelas camisolas cinzentas, querem o quê?

Sob a arbitragem irregular do romeno Istvan Kovacs, eis os actores principais e secundários em Tirana:

  • Roma: Rui Patrício; Karsdrop (Viña 89’), Mancini, Smalling, Ibañez e Zalewski (Spinazzola 67’); Zaniolo (Veretout 67’), Pellegrini (cap), Cristante e Mkhitaryan (Sérgio Oliveira 17’); Abraham (Shomurodov 89’); treinador José Mourinho (português)
  • Feyenoord: Biljow (cap); Geertruida, Trauner (Pedersen 74’), Senesi e Malacia (Jahanbakhsh 88’); Til (Toornstra 59’), Aursnes e Kokcu (Walemark 88’); Nelson (Linssen 74’), Dessers e Sinisterra; treinador Arne Slot (holandês)
  • Marcador 1:0 Zaniolo (32’)$

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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