Escolha as suas informações

O adeus de Rafa e o de Federer
Desporto 4 5 min. 22.09.2022
Atletas

O adeus de Rafa e o de Federer

Atletas

O adeus de Rafa e o de Federer

Foto: AFP
Desporto 4 5 min. 22.09.2022
Atletas

O adeus de Rafa e o de Federer

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
O homem despede-se da selecção, aos 29 anos de idade. Uma pergunta persegue-me desde 2016: Rafa toca na bola ou nem por isso na única oportunidade dada por Fernando Santos no Europeu, vs Áustria?

Rafael Alexandre Fernandes Ferreira da Silva. Esse mesmo, o Rafa do Benfica. O homem despede-se da selecção, aos 29 anos de idade. Uma pergunta persegue-me desde 2016: Rafa toca na bola ou nem por isso na única oportunidade dada por Fernando Santos no Europeu, vs Áustria, no Parque dos Príncipes?

Se toca, tranquilo. Se não toca, Rafa é o único campeão europeu da história em campo sem chicha. Vasculho YouTubes mais footballias e nada. Depois vasculho minuto a minuto desse jogo de todos os sites e mais algum. Nada. Todos escrevem o mesmo: Rafa por Nani aos 89 minutos e, pouco depois, game over. Lembro-me da substituição, estava lá no Parc. Do resto, chapéu. Que é como quem dizer, está bem abelha.

De repente, faz-se luz. O site espn.com.br levanta (ligeiramente) o véu. À substituição de Rafa por Nani aos 89’ sucedem-se umas acções pertinentes como livre para Patrício, remate de Vieirinha ao lado, lançamento lateral para Klein, livre para Harnik no meio-campo defensivo, fora-de-jogo de Arnautovic, livre para Patrício, remate de Ronaldo bloqueado por um defesa, após assistência de Vieirinha, lançamento lateral de Fuchs, passe bloqueado de João Mário, lançamento lateral de Klein e, agora sim, aos 90’+4, game over. De Rafa nem uma palavra.

Assunto arrumado, vamos agora à despedida da semana, a de Roger Federer. Se entrasse no fim de jogo vs Áustria, não se tocaria na bola como faria um smash à maneira. Porque Roger é o maior. O maior, insistimos. Os números dizem-no claramente, entre 20 títulos de Grand Slam mais 31 finais de Grand Slam e 23 meias-finais seguidas, numa série entre Wimbledon-2004 e Roland Garros-2010.

Roger Federer é o maior. As histórias dizem-no claramente. Em Novembro 2012, o programa brasileiro CQC do canal televisivo Band encontra-se com Federer em Miami e entrevista-o por oito minutos, sobre as raparigas do circuito (a argentina Gabriela Sabatini é a sua preferida, segue-se a russa Maria Sharapova), futebol e, vá, ténis. Às tantas, o apresentador pega numa raquete e pede-lhe para a destruir. Federer olha para ele, ri-se e começa a bater com a raquete no chão. A produção do programa faz então uma malandrice e cola a foto de Rafael Nadal, como se Federer lhe estivesse a partir a cara. O suíço poderia enrrugar a testa ou franzir o sobrolho. Nada disso. Mostram-lhe e ele sorri a dizer "very funny".


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Roger Federer é o maior. Quando perde a final de singulares dos Jogos Olímpicos 2012, em Londres, com o escocês Andy Murray por claros 6-2, 6-1, 6-4, perguntam-lhe quanto tempo demorará a digerir. "Cinco minutos." Um engraçadinho intromete-se na conversa e pergunta-lhe quanto tempo demoraria a reagir se fosse uma derrota em casa com a mulher Mirka. "Cinco anos, acho..." e parte-se a rir.

É aqui, queremos chegar aqui, à sua mulher. Mirka está mais comprometida com o ténis que o próprio Federer. O caso não passa despercebido a ninguém. É vê-la com aquele ar de nariz empinado na bancada VIP. Seja qual for o jogo, seja qual for o adversário. E, cuidado, Roger tem o dobro dos rivais (oito) que filhos. Ele é Nadal, ele é Djokovic, ele é Murray, ele é Hewitt, ele é Del Potro, ele é Safin, ele é Nalbandian, ele é Wawrinka. Ou será antes Mirka?

Agora escolha, bloco A ou bloco B? Federer e Wawrinka discutem um lugar na final do Masters de Londres 2014. O jogo é renhido e é Wawrinka quem serve. Mirka diz qualquer coisa alto e bom som e Wawrinka murmura "não se fala antes do serviço". Acto contínuo, Mirka solta 'chora, bebé, chora'. O próprio Federer manda-a calar com um gesto e Mirka atira o telemóvel ao chão. É surreal, não é? Isto continua. "Ela fez o mesmo em Wimbledon", diz Wawrinka a Federer (e ao árbitro Cédric Mourier) no final do set. É aí que os dois tenistas saem do court e juntam-se numa sala durante uns bons 10 minutos. Voam acusações, segundo o comentador ESPN John McEnroe (olha quem).

De volta ao court, Federer salva uns quantos match-points e dá a volta ao fim de duas horas e 48 minutos. É ele o rival de Djokovic na final. E lá aparece um problema: Roger não se recupera para a decisão. Fisicamente falando, claro. O homem está cansado, sem forças. E, já agora, a pensar na Taça Davis, daí a uma semana. Entre a final do Masters (já ganha por Federer em seis ocasiões) e a da Taça Davis, o suíço dá preferência a esta última e resguarda-se. Há uma certa lógica no raciocínio: ele nunca ganha este troféu de final de ano entre selecções e é um sonho fazê-lo. Porque não o tem no palmarés e porque é um torneio de países. "Haverá algo mais glorioso que representar a tua pátria? Não, não há", justifica Federer, confirmado em cima da hora para a Taça Davis vs França, em Lille.


CRISTIANO RONALDO EM JOGO DE JUVENIS  NUM CAMPO PELADO EM 9/05/98
FOTO DO JORNAL DO SPORTING
Tudo o que sempre quis saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar
Histórias sobre o lado menos conhecido do jogador português. Por Rui Miguel Tovar.

A Suíça também apresenta Wawrinka, claro. Olha olha, os dois juntos e agora a defender a pátria. Está sanado o problema do outro dia? "Não comento", diz Wawrinka à chegada a Lille, de comboio. "Não digo nada", desabafa Federer à chegada a Lille, de jacto privado. Na hora do sorteio, Wawrinka e Federer apresentam-se sorridentes (pudera, Mirka não está por ali), um ao lado do outro. Juntamente com a dupla de pares e o treinador, os dois tenistas posam para a fotografia de grupo. E o que faz Wawrinka? Um chifre por cima da cabeça de Roger! É o fim da picada? Claro que não, Federer é o maior. Ri-se. E mete a foto no Facebook.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

O tenista luxemburguês Gilles Muller (ATP 26, 16° cabeça de série) bateu esta segunda-feira à noite o número 2 mundial, o espanhol Rafael Nadal, nos oitavos de final de Wimbledon. Muller precisou de cinco 'sets' para triunfar, tendo vencido com os parciais de 6-3, 6-4, 3-6, 4-6 e 15-13.
Luxembourg's Gilles Muller returns against Spain's Rafael Nadal