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O adeus à invencibilidade de Rúben Amorim
Desporto 6 min. 24.01.2022
Liga portuguesa

O adeus à invencibilidade de Rúben Amorim

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O adeus à invencibilidade de Rúben Amorim

Foto: António Cotrim/Lusa
Desporto 6 min. 24.01.2022
Liga portuguesa

O adeus à invencibilidade de Rúben Amorim

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
A derrota imposta pelo Braga no José Alvalade implica o fim de 36 jogos sem perder em casa, ainda longe dos números de Pedroto (98), Toni (68) e Artur Jorge (57).

FC Porto, 50. Sporting, 47. Benfica, 41. Eis a classificação da 1.ª divisão à quinta-feira. Três dias depois, os clubes mantêm as posições, com diferenças pontuais significativas. Ora veja lá: FC Porto 53, Sporting 47, Benfica 44. Pela quarta jornada seguida, um grande perde terreno e anima as contas do campeonato. A paródia começa com o Benfica, no Dragão, é prosseguida pelo Sporting, nos Açores, e mais Benfica, vs Moreirense na Luz, para desaguar com o Sporting, vs Braga.

O 1:2 no José Alvalade é surpreendente pelo golo aos 90’+7 de um sub-20 francês saído do banco aos 88’ e também pela cambalhota no marcador. Ao intervalo, o Sporting reina na sua selva, onde não perde há 35 jogos. Um golo tranquilo de Pedro Gonçalves, a passe de Matheus Reis, assinala a vantagem merecida num clássico enfadonho. Na segunda parte, o Braga empata de penálti e dá a volta com um remate bem sacado de Gorby Baptiste. Festa bracarense, naturalmente. E desilusão sportinguista, óbvio.

Ponto um, o Sporting não perde em casa há 35 jogos (ainda longe do recorde pessoal dos anos 40/50). Ponto dois, é a primeira derrota de sempre de Rúben Amorim em casa para a 1.ª divisão. A aventura começa em Janeiro 2020, num Braga vs Tondela. Ao intervalo, a vida vai torta (0:1 por Murillo). Resolve um bis de Paulinho aos 79’ e 90’+1. No jogo seguinte, 1:0 vs Sporting por Trincão. Depois, 2:2 vs Gil Vicente e 3:1 vs Vitória FC. Dá-se a transferência para o Sporting e Rúben continua com o pé no acelerador. Ao todo, 26 vitórias, seis empates e 58:14 em golos até chegar o Braga de Baptiste. O registo é sensacional para um jovem de 36 anos. Curioso, o número 36. Vale a idade e a invencibilidade em casa.


Gorby Baptiste celebra golo
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Neste ranking particular, o de começar a carreira na 1.ª divisão e só conhecer a primeira derrota muuuuito tempo depois da estreia, o mestre é Toni. Esse mesmo, o do Benfica- Oito vezes campeão nacional como jogador e mais duas como treinador. O homem entra em funções como sucessor do dinamarquês Skovdahl a meio da época 1987-88, mais precisamente a 27 Dezembro. E empata 0:0 vs Braga de Manuel José. Acredite, daí ao 2:3 vs Paços no dia 18 Março 2001, Toni soma 68 jogos na Luz sem um único deslize entre 51 vitórias e 17 empates. Chi-ça, é dose. Senhoras e senhores, não façam confusão: 68. Em matéria de golos, um respeitável 152:30. Já agora, só pura curiosidade, o desmancha-prazeres de Toni é o Paços de José Mota. Ao intervalo, 1:2 por Rafael, Leonardo e Carlitos. No recomeço, bis de Rafael para o Paços. Quem fixa o resultado é Roger.

Então, e quem é o maior disto tudo? Ou melhor, quem detém a melhor sequência invicta em casa, seja estreante ou não? Três nomes, históricos e badalados da nossa história: José Maria Pedroto. Sentem-se com o número: 98. Ya, isso mesmo, Pedroto é o recordista com noventa-e-oito jogos seguidos sem perder em casa entre FC Porto (71) e Vitória SC (27). Nesse brilhante percurso, há 81 vitórias, 17 empates e 269:38 em golos. Adivinhe quantos de Gomes? Missão impossível. Pois bem, 77. É qualquer coisa como 34,9% dessa fatia dos 269 golos. Absurdo, tanto o número de Pedroto como o de Gomes.

Concentremo-nos de novo em Pedroto. Caramba, 98 é qualquer coisa de épico. O último jogo do senhor é a 27 Novembro 1983 e a última derrota é a 16 Janeiro 1977 (Chalana, 0:1 para o Benfica de Mortimore). Seis anos, quase sete, sem uma derrota. E o caso atinge proporções ainda mais inacreditáveis se falarmos de golos sofridos na primeira parte: zero nos últimos 23 jogos, e um nos últimos 49. Não há explicação. Ou há, é Pedroto no seu melhor. Atenção, Pedroto treina o Vitória SC e um FC Porto ainda em fase de ascensão, ainda a terceira força portuguesa – aliás, o Benfica tem mais títulos de campeão nacional que Porto e Sporting, juntos.

Pedroto à frente, Toni em segundo, quem fecha o pódio? Artur Jorge, com 57 (50 vitórias, sete empates e 169:24 em golos). O delfim de Pedroto é homem para grandes cometimentos e é o primeiro português a sagrar-se campeão europeu (Porto 1987) e o primeiro português a sagrar-se campeão nacional na Europa (PSG 1994). Pois bem, junte-se o número 57 para ilustrar o domínio desde Maio 1983 (Portimonense 0:1 Benfica) até Maio 1989 (Porto 0:1 Vitória FC). Entre o golo de Carlos Manuel em Portimão e o de Aparício nas Antas, o Porto de Artur Jorge faz trinta-por-uma-linha.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Agora que ninguém duvide de outro nome do nosso futebol, mais antigo, é certo. Janos Biri, húngaro. É dele o recorde de vitórias seguidas em casa na 1.ª divisão, 31 entre 30 Dezembro 1945 até 22 Fevereiro 1948. Que craque. A epopeia começa no Benfica (23) e acaba no Estoril (8). Quem lhe faz a folha é Cândido de Oliveira, no Sporting (2:1 na Amoreira, golo de Albano a cinco minutos do fim). Na série das 31 vitórias, só três pela margem mínima. O resto é um ver-se-te-avias. Biri é danado para a brincadeira, Estoril 8:2 Elvas, Benfica 13:1 Sanjoanense, Estoril 4:1 FC Porto, Benfica 7:2 Sporting, Estoril 7:0 Académica, Benfica 4:0 FC Porto (duas vezes). E por aí fora.

Posto isto, este parêntesis larguíssimo sobre a derrota do Sporting em casa vs Braga e a queda do recorde de Rúben Amorim, afinal de contas o facto mais relevante da jornada, o Porto é cada vez mais candidato ao título. O Famalicão apanha 3:1 no Dragão e a equipa de Conceição abre uma vantagem de seis pontos, além de conservar a invencibilidade na 1.ª divisão 2021-22 e ainda ampliar para 47 o número de jogos sem perder no campeonato. O capitão Otávio marca o primeiro e assiste o segundo para Luis Díaz, sempre na peugada do benfiquista Darwin na lista dos melhores marcadores.

Por falar em Darwin, a discussão do segundo lugar vira tópico com o 2:0 do Benfica em Arouca e a aproximação para três pontos em relação ao Sporting. Uma vitória separa os dois de Lisboa, envolvidos amanhã e depois na Taça da Liga, em Leiria. Primeiro é o Benfica-Boavista, depois o Sporting-Santa Clara. Com sorte, ainda vemos Boavista-Santa Clara na final. Se der dérbi, a notícia é que o Sporting não ganha uma final ao Benfica desde 1974.

Resultados finais: 

  • Arouca 0:2 Benfica
  • Paços 1:1 Boavista
  • Moreirense 0:2 Santa Clara
  • Tondela 2:3 Vizela
  • Sporting 1:2 Braga
  • Vitória SC 3:1 Estoril
  • Marítimo 1:1 Belenenses SAD
  • Gil Vicente 1:0 Portimonense
  • FC Porto 3:1 Famalicão

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