Escolha as suas informações

No clube dos 30
Desporto 4 min. 14.05.2022
FC Porto campeão

No clube dos 30

Sérgio Conceição celebra após a conquista do 30° campeeonato nacional do FC Porto, após a vitória por 1-0 frente ao Benfica, a 7 de maio de 2022.
FC Porto campeão

No clube dos 30

Sérgio Conceição celebra após a conquista do 30° campeeonato nacional do FC Porto, após a vitória por 1-0 frente ao Benfica, a 7 de maio de 2022.
Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP
Desporto 4 min. 14.05.2022
FC Porto campeão

No clube dos 30

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
FC Porto é o segundo clube português a sagrar-se campeão pela 30.ª vez, após o Benfica em 1994.

O início é tudo menos auspicioso. Empate, empate, empate. O Benfica de Toni 1993-94 acumula três pontos nas primeiras três jornadas, vs FC Porto (3:3 nas Antas), Estoril (1:1 na Luz) e Beira-Mar (1:1 em Aveiro). Seguem-se seis vitórias seguidas até ao improvável 5:2 do Vitória FC no Bonfim. Que exibição de Yekini. A goleada é encaixada com tranquilidade, o Benfica segue o seu caminho e só é importunado, aqui e ali, pelo Sporting, primeiro de Robson, depois de Queiroz – o FC Porto, bicampeão em título, perde a embalagem com a saída de Carlos Alberto Silva e nem conta para as contas.

O Benfica é rei e senhor até à derrota na Maia em Abril, vs Salgueiros, com golo solitário de Sá Pinto. Segue-se o empate vs Estrela na Luz, com 1:1 de Mário Jorge. E assim se anima o dérbi no José Alvalade, com o Benfica só a precisar do empate e o Sporting obrigado a vencer para chegar à liderança isolada. Figo marca primeiro, de cabeça, JVP empata num extraordinário remate bem fora da área ao ângulo superior de Lemajic. O Sporting volta à carga, 2:1 de Cadete. O Benfica dá a volta, bis de JVP em sete minutos. Ao intervalo, 2:3. Na segunda parte, Isaías, Isaías, Hélder e Balakov (penálti). Três-seis, 3:6. Que tarde despor- tiva gloriosa para JVP, hat-trick e nota 10 no jornal A Bola. Fim de papo, o Benfica é quase quase campeão.

Faltam só uns pontos, a festa à séria faz-se em Braga, vs Gil Vicente. Mais uma vez, JVP aparece a dar sinal de si, com dois golos (3:0). No domingo seguinte, 120 mil-e-picos na Luz festejam o 0:0 vs Vitória SC. A invasão ao relvado é pacífica, a tarde é de glória. Falamos de uma equipa equilibrada entre a maturidade de Veloso, Mozer, William e Isaías e a juventude de JVP, Rui Costa e Abel Xavier, todos eles (e mais alguns) também autores de uma campanha europeia digna de registo com a participação na ½ final da Taça das Taças, eliminados pelo Parma, em Itália, na ressaca de uma noitada de oito golo em Leverkusen nos ¼ (Bayer 4:4).

Insistimos, estamos em 1994 e o Benfica celebra o 30.º título de campeão. É o primeiro clube a chegar aos 30, com larga vantagem sobre os restantes concorrentes: Sporting 16, FC Porto 13, Belenenses 1. Passam-se 28 anos, já estamos em 2022. O Benfica ainda lidera o ranking, com 37. Pouco, muito pouco, só sete títulos desde 1994 até hoje. O Sporting avança para os 19 (pouco, pouquíssimo), o Belenenses mantém o um, ao qual se junta o Boavista com aquele conto de fadas em 2001, e o FC Porto chega aos 30.

É verdade, o terceiro título de campeão de Sérgio Conceição corresponde ao 30.º do FC Porto. Eis o segundo clube português a entrar no clube dos 30. Quer isso dizer, 17 conquistas em 28 possíveis. Uauuuu, que predador. Outro registo impressionante é este aqui ó: é apenas o terceiro título de campeão (em 30, repita-se) a seguir a um do Sporting. Diz tudo. Tanto sobre FC Porto como sobre Sporting. O primeiro é em 1959, via Guttmann, resolvido na última jornada entre Torres Vedras (0:3 entre Torrense e FC Porto) e Lisboa (7:1 entre Lisboa e CUF). O segundo é em 2003, via Mourinho, com 11 pontos de avanço sobre o segundo classificado Benfica.

Só mais um pormenor em relação a 2021-22: se o FC Porto ganha este sábado, vs Estoril no Dragão, chega aos 91 e bate o recorde de pontos numa edição da 1.ª divisão com 18 equipas. É mais um registo histórico para acompanhar outros tantos, quase todos da responsabilidade de Sérgio Conceição. Afinal de contas, quem é o homem capaz de fazer três equipas campeãs completamente diferentes, sem dinheiro por aí além? Ninguém, só mesmo Sérgio.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Em 2018, o onze ideal é Casillas; Ricardo, Felipe, Marcano e Alex Telles; Danilo, Corona e Herrera; Marega, Aboubakar e Brahimi (nove estrangeiros, dois portugueses). Em 2020, já é Marchesín; Corona, Pepe, Marcano e Alex Telles; Danilo; Otávio, Uribe e Luis Díaz; Soares e Marega (nove estrangeiros, dois portugueses). E em 2022 passa a ser Diogo Costa; João Mário, Pepe, Mbemba e Zaidu; Otávio, Uribe, Vitinha, Fábio Vieira; Taremi e Evanilson (cinco estrangeiros, seis portugueses). Ou seja, três guarda-redes, três laterais-direitos, quatro centrais, dois laterais-esquerdos, oito medios e cinco avançados. Que regabofe, que lotaria, que FC Portos.

Aí está o que é, três títulos de campeão sem um único repetente. Nunca visto, é certo. Jamais repetido é a pergunta para o futuro.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

FC Porto campeão
Dedo de treinador, só pode: não há um único repetente nos onze ideais do FC Porto campeão em 2018, 2020 e 2022.
Solta-se o grito da ordem 19 anos depois, agora com um treinador jovem (Rúben Amorim, 37 anos) e três sub20 no onze ideal. A crónica do comenatador desportivo do Contacto, Rui Miguel Tovar.
O Benfica sagrou-se hoje, pela primeira vez na sua história, tetracampeão português de futebol, ao vencer em casa o Vitória de Guimarães, por 5-0, em jogo da 33.ª e penúltima jornada da I Liga.
Benfica's supporters celebrating during their Portuguese First League soccer match against Vitoria de Guimaraes played at Luz stadium in Lisbon, Portugal, 13th May 2017. TIAGO PETINGA/LUSA