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Mundial de Futebol. A visão de um francês que dura há quase um século
Desporto 6 min. 17.11.2022
Qatar 2022

Mundial de Futebol. A visão de um francês que dura há quase um século

Robert Guérin, o responsável pela criação da FIFA, uma organização nascida em 1904, que juntava as várias federações nacionais de futebol, da qual foi o primeiro presidente.
Qatar 2022

Mundial de Futebol. A visão de um francês que dura há quase um século

Robert Guérin, o responsável pela criação da FIFA, uma organização nascida em 1904, que juntava as várias federações nacionais de futebol, da qual foi o primeiro presidente.
Foto: DR
Desporto 6 min. 17.11.2022
Qatar 2022

Mundial de Futebol. A visão de um francês que dura há quase um século

Jorge PINTO
Jorge PINTO
Mundial de futebol nasceu a partir dos Jogos Olímpicos, impulsionado por um homem que queria unir as seleções em torno da paz e da confraternização.

O Campeonato do Mundo de Futebol que está prestes a começar, no Qatar, é já o 22.º, mas tem particularidades que o tornam único: é o primeiro a realizar-se num país do Médio Oriente e decorre às portas do inverno. O próximo, nos Estados Unidos, Canadá e México, em 2026, será o mais concorrido de sempre, com 48 seleções. Quase um século depois do primeiro pontapé na bola num Mundial, a competição continua a reinventar-se.

Não há evento desportivo mais popular do que o Campeonato do Mundo de Futebol. Durante um mês, de quatro em quatro anos, milhões de pessoas concentram a sua atenção numa competição que reúne os melhores futebolistas do Planeta e que, desde a sua criação, em 1930, só foi interrompida pela II Guerra Mundial, entre 1938 e 1950. Um sucesso que premeia a visão e persistência do francês Jules Rimet.

Sim, há de novo um francês no caminho do desporto mundial. Pierre de Coubertin foi o primeiro, ao relançar o olimpismo no final do século XIX. Seguiu-se-lhe Robert Guérin, o responsável pela criação da FIFA, uma organização nascida em 1904, que juntava as várias federações nacionais de futebol, da qual foi o primeiro presidente.

Criada em Paris, arrancou com apenas sete países – França, Países Baixos, Espanha, Bélgica, Dinamarca, Suécia e Suíça -, mas rapidamente alargou os seus horizontes na Europa e conquistou todos os países sul-americanos na década seguinte, quando entrou em cena Jules Rimet, que viria a ser o seu terceiro presidente.

O francês assumiu a presidência da FIFA em 1921, justamente com o objetivo de criar um campeonato que reunisse diversas seleções numa única competição, numa altura em que o profissionalismo já dava os primeiros passos. E a popularidade que o futebol começava a ganhar, sobretudo por via do sucesso da participação nos Jogos Olímpicos, foi o terreno fértil para Rimet plantar a sua ideia. Além de que o Mundial não tinha como único objetivo ser um evento desportivo, mas também diplomático.

Ora, Rimet era, desde jovem, um ativista contra as desigualdades sociais, pelo que o Campeonato do Mundo de Futebol seria também, na sua perspetiva, uma competição para unir diversas seleções em torno da paz e da confraternização. A ideia começou a amadurecer e, em 1925, surgiu o destino do primeiro Mundial: o Uruguai, país que tinha conquistado o ouro olímpico em 1924 e que viria a repetir a proeza quatro anos depois.


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Com o Campeonato do Mundo de Futebol, no Qatar, à porta, fique a conhecer todas as novidades da competição e do primeiro país do Médio Oriente a acolhê-la.

Terá sido a qualidade futebolística exibida pelos sul-americanos nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, que encantou tudo e todos, a razão principal para Rimet escolher o Uruguai para primeiro palco do Mundial. No ano seguinte, o dirigente apresentou a proposta ao embaixador uruguaio na Suíça, Enrique Buero, que a recebeu de braços abertos, iniciando-se então um longo e complicado processo para convencer todos os dirigentes da FIFA.

Longo e complicado, desde logo, porque a realização da competição noutro continente tinha elevados custos financeiros e, por outro lado, porque se perfilavam já outras candidaturas, nomeadamente da Hungria, Itália, Países Baixos, Espanha e Suécia. A verdade é que os sul-americanos, que em 1930 comemoravam o centenário da independência, estavam empenhados em organizar a prova e comprometeram-se a construir em tempo recorde um estádio à altura da importância do evento (o Estádio Centenário, em Montevideu) e, não menos importante, a compensar financeiramente as federações participantes, pela prolongada deslocação.

Garantias que levaram a FIFA a formalizar a decisão, durante um congresso em Barcelona, mas que não convenceram um conjunto de países, que se recusaram a viajar para tão longe. Alemanha, Áustria, Checoslováquia, Espanha, Países Baixos, Hungria, Itália e Suécia declinaram participar, e só com muita persistência foi possível garantir as presenças de França, Bélgica, Jugoslávia e Roménia, esta última com uma seleção formada por decreto pelo recém-coroado rei Carol, que ofereceu aos jogadores três meses de férias e a promessa de que teriam emprego na volta do torneio.

A 5 de julho de 1930, o paquete Conte Verde, transportando quatro seleções (França, Bélgica e Roménia, mais o Brasil, recolhido no Rio de Janeiro) atracou em Montevideu, após uma viagem de duas semanas, seguido, dois dias depois, pelo Florida, onde viajou a Jugoslávia. A estas seleções juntavam-se as do Uruguai, Argentina, Peru, México, Chile, Estados Unidos, Bolívia e Paraguai. No total, participaram no torneio 13 nações, um número que foi crescendo até às atuais 32 equipas e que será aumentado para as 48 no próximo Mundial, que se realizará, em 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México.

A 13 de julho começava a festa, com o França-México (4-1), que terminou no dia 30 do mesmo mês, com a final entre o Uruguai e a Argentina, que os da casa venceram por 4-2, tornando-se nos primeiros campeões do Mundo de futebol.

Começava assim o maior e mais popular acontecimento desportivo do Mundo, que, em quase um século, já percorreu quatro continentes (Europa, América, Ásia e África) e teve oito vencedores (Uruguai, Brasil, Argentina, Itália, Espanha, França, Alemanha e Inglaterra), com os brasileiros à cabeça (cinco títulos).


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Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

Portugal só chegou a uma fase final do Mundial pela primeira vez em 1966, em Inglaterra. Uma estreia gloriosa, liderada por Eusébio (foi o melhor marcador do torneio), que nos levou até ao terceiro lugar, a maior conquista até hoje naquela competição. Depois dessa primeira experiência, Portugal apenas voltou a marcar presença 20 anos depois, no Mundial organizado no México. Paulo Futre, António Oliveira e Carlos Manuel eram alguns dos jogadores que compunham essa seleção, que não passou da fase de grupos.

Foram precisos mais 16 anos para uma nova participação numa fase final do Campeonato do Mundo, que aconteceu na Coreia do Sul/Japão, em 2002. A célebre geração de ouro, que tinha conquistado os títulos de Lisboa e Riade no escalão de sub-20, devolvia Portugal à elite mundial, mas o regresso a casa foi muito mais rápido do que o esperado (logo no fim da fase de grupos), derrotados e castigados pelo murro de João Pinto ao árbitro argentino Angel Sanchez.

Em 2006, na Alemanha, sob comando do campeão brasileiro Luís Felipe Scolari, o feito de 1966 esteve quase a repetir-se e Portugal chegou mesmo às meias-finais, sendo derrotado pela França. Novo resultado negativo no jogo para atribuição do terceiro e quarto lugares atirou a "equipa das quinas" para fora do pódio, impedindo-a de igualar o feito de Eusébio e companhia.

De lá para cá, a equipa portuguesa participou em todas as fases finais, mas o melhor que conseguiu foi chegar aos oitavos de final, em 2010, com Carlos Queiroz, na África do Sul, e, em 2018, com Fernando Santos, na Rússia. No Mundial do Brasil, em 2014, com Paulo Bento ao leme, não foi além da fase de grupos.

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