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Mulheres do CeBra há vinte anos a correr atrás de títulos
Sara Borges, ao centro, num dos muitos jogos que fez pelo CeBra ao longo de mais de uma década ao serviço do clube, formado maioritariamente por jogadoras portuguesas

Mulheres do CeBra há vinte anos a correr atrás de títulos

Foto: Nicolas Bouvy
Sara Borges, ao centro, num dos muitos jogos que fez pelo CeBra ao longo de mais de uma década ao serviço do clube, formado maioritariamente por jogadoras portuguesas
Desporto 3 min. 23.11.2016

Mulheres do CeBra há vinte anos a correr atrás de títulos

Formada em 1996, a equipa feminina dos Bracarenses, que a partir de 2001 passou a chamar-se FC CeBra 01, celebra duas décadas como referência do futebol luxemburguês. Esta época, juntou-se a Itzig e Canach numa nova fusão.

Formada em 1996, a equipa feminina dos Bracarenses, que a partir de 2001 passou a chamar-se FC CeBra 01, celebra duas décadas como referência do futebol luxemburguês. Esta época, juntou-se a Itzig e Canach numa nova fusão.

A equipa feminina do FC CeBra 01 comemora este ano duas décadas a jogar futebol no Luxemburgo. Com uma mística que as suas jogadoras consideram “única”, a formação sediada na capital continua a ser uma das principais referências da modalidade no país.

“Somos uma equipa com uma mística especial. Quando nos apaixonamos pelo clube ficamos reféns para sempre. Muito dificilmente se consegue jogar em qualquer outro”, explica com emoção Sandra Gonçalves, uma das primeiras jogadoras a vestir a camisola dos ’Bracarenses’, primeiro nome do clube, em 1996.

Atual equipa Itzig-Canach-CeBra
Atual equipa Itzig-Canach-CeBra
Foto : Michel Dell'Aiera

Depois de dois anos a jogar em torneios e jogos amigáveis, a equipa feminina dos Bracarenses juntou-se ao FC Progrès Cessange e entrou pela primeira vez no campeonato feminino em 1998.

Mas em 2001, a equipa masculina dos Bracarenses juntou-se também ao FC Progrès Cessange e nasceu um novo clube: o FC CeBra 01. Desde então, a formação feminina, constituída na sua esmagadora maioria por jogadoras portuguesas, tem-se notabilizado no campeonato, apesar de nunca ter ganho nenhum título.

Sandra, Chantal, Sara e Diana são quatro nomes que continuam a marcar a história do clube. Algumas passaram pela selecção luxemburguesa e foram assediadas por outros clubes, mas mantiveram-se fiéis ao emblema de Cessange.

Jogo do CeBra contra o FC Junglinster
Jogo do CeBra contra o FC Junglinster
Foto: Nicolas Bouvy

Após duas décadas a jogar entre a elite do futebol grão-ducal, a capitã Chantal diz que o balanço “é bastante positivo” e “extremamente rico em emoções”.

Sara Borges garante que o clube é “uma verdadeira família”, opinião partilhada por Sandra, para quem o adágio “Cebra um dia, CeBra para sempre” assenta como uma luva nas jogadoras, que se identificam com a ’mística’ que se vive no seio da equipa, “dentro e fora das quatro linhas”.

O clube não ganhou qualquer título de campeão ou Taça do Luxemburgo, apesar de ter estado em dois anos seguidos na final (2005/2006 e 2006/2007) e ter perdido ambas frente ao Mamer.

“Não é a falta de títulos que me vai fazer deixar o clube e procurar outro onde possa ganhar com regularidade”, diz Sara Borges. “Quem sente este clube como nós não o troca por nenhum outro. Antes queria ganhar apenas um campeonato pelo CeBra que dez pelo Junglinster”, justifica.

Diana, irmã de Sandra, começou a jogar aos 13 anos, já representa o clube há 16 temporadas consecutivas, como defesa, e não se arrepende.

Sara Borges em ação
Sara Borges em ação
Foto À. Cruz

“Vim com a minha irmã e joguei vários anos com ela. Este grupo é fantástico. Fui acolhida de uma forma especial, aliás como todas as novas jogadoras, e hoje sou uma das mais velhas, com grande orgulho”. Sobre a fusão que esta época o CeBra fez com o Itzig e o Canach, Diana regozija-se “pela união que continua no seio da equipa”, opinião partilhada por Sara. “Entre portuguesas, luxemburguesas e jogadoras de outras nacionalidades, as coisas têm-se passado muito bem, apesar de sermos todas diferentes. As nacionalidades não contam, cada uma de nós dá o melhor que tem de si dentro e fora do campo, perpetuando os excelentes momentos que passamos juntas”, enfatiza.

Chantal lembra que “as jogadoras mais novas integram-se bem e vão evoluindo”. “Depois do processo de amadurecimento uma ou outra sai para a seleção e outros clubes com mais poderio, mas o ’núcleo duro’ da nossa equipa permanece junto”, diz.

A experiente capitã assegura que “ganhar um título continua a ser um dos objetivos de todas as jogadoras”, mas lembra, juntamente com Sandra, que “ o amor ao clube é mais forte e importante que todas as conquistas”.

Ambas vincam que “o Cebra é uma paixão especial na vida de quem aprendeu a amar e a representar um clube que não tem paralelo no futebol feminino luxembuguês”.

Á. Cruz

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