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Macedónia. Último prato de Portugal antes do Qatar-2022
Desporto 4 min. 28.03.2022 Do nosso arquivo online
Futebol

Macedónia. Último prato de Portugal antes do Qatar-2022

O técnico da Macedónia do Norte, Blagoja Milevski, e o jogador Stefan Ristovski, durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira no Estádio do Dragão, no Porto.
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Macedónia. Último prato de Portugal antes do Qatar-2022

O técnico da Macedónia do Norte, Blagoja Milevski, e o jogador Stefan Ristovski, durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira no Estádio do Dragão, no Porto.
Foto: LUSA
Desporto 4 min. 28.03.2022 Do nosso arquivo online
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Macedónia. Último prato de Portugal antes do Qatar-2022

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Ristovski (ex-Sporting) lidera selecção surpresa da qualificação com vitórias na Alemanha e em Itália.

Ervilhas, batatas, cenouras, pimento vermelho, feijão verde, nabos, milho. O que é isto? É uma macedónia. Cuidado, muito cuidado com ela: é indigesta se consumida em desdém. Pois é, contra todas as previsões, a Macedónia do Norte saboreia o momento e esgrime argumentos com Portugal rumo ao Mundial do Qatar-2022.

Mal sai o resultado do sorteio, a esmagadora maioria vaticina um Portugal vs Itália na final do play-off e eis a Macedónia a virar o bico ao prego em Palermo num jogo de sentido único a avaliar pelos 32 remates italianos contra quatro dos macedónios e 16:0 em cantos. Em golos, 0:1. Toma lá, vai buscar. A Itália tem galo com a norte. É a Irlanda do Norte a afastá-la do Mundial-58. É a Suécia do Norte a eliminá-la no play-off do Mundial-2018. E agora é a Macedónia do Norte. Porca miseria.

Macedónia do Norte é grande. Que o diga a Alemanha, abalroada em casa há um ano por 2:1. Que o diga a Itália, que já empatara 1:1 na qualificação para o Mundial-2018. Que o diga a Inglaterra, ainda hoje sem ganhar em casa com dois empates, um em Southampton e outro em Manchester. Que o diga Portugal? Calma, ainda faltam 90 minutos. Ou 120. Ou penáltis. O Dragão está preparado para tudo.

Até agora, o registo de Portugal vs Macedónia é tímido: um só golo em 180 minutos de bola. Exacto, dois jogos, ambos particulares. O primeiro é em Abril 2003, um quarta-feira. É uma noite especial para Figo, autor da 150.ª internacionalização, todas as camadas incluídas. E é uma noite especial para Figo, autor do golo solitário em Lausana (Suíça), a passe de Conceição (esse mesmo), ainda na primeira parte. Na segunda, Portugal e Macedónia (ainda sem Norte) jogam a passo e obrigam os milhares de emigrantes a puxar do assobio, descontentes com a atitude dos portugueses, mais preocupados em manter a magra vantagem do que em dilatá-la.

Nem assim Scolari esconde a satisfação pelo 1:0. "Foi um teste à nossa supremacia de ataque e à nossa propensão para marcar golos diante de uma equipa fechada." Dito isto, acrescente-se as duas bolas à barra, por Costinha e Pauleta, ambos de cabeça. E ainda as estreias de Rogério Matias e Silas (o último leiriense na selecção, o segundo após Porfírio em 1996, convocado por António Oliveira para o Euro e tudo). Eis o onze com Ricardo (Boavista); Paulo Ferreira (Porto), Meira (Estugarda), Couto (Lazio) (cap) e Rui Jorge (Sporting); Costinha (Porto); Maniche (Porto) e Rui Costa (Milan); Figo (Real Madrid), Pauleta (Bordéus) e Sérgio Conceição (Inter).

Nove anos depois, em Maio 2012, Leiria assiste a um insosso 0:0. Já em contagem decrescente para a fase final do Euro-2012, a selecção volta a emperrar. E de que maneira. Contra a 98.ª do ranking da FIFA e penúltima classificada no seu grupo de apuramento para o Europeu só com duas vitórias, ambas com Andorra, um desolador 0-0.

Pior que isso, a falta de ideias e de ritmo em todas as acções resultam obviamente na ausência de oportunidades para a baliza de Bogatinov. O público de Leiria ainda perdoa uma primeira parte sem gás, só que depois começam os assobios sem piedade. Sobretudo a partir do minuto 55, quando a Macedónia assusta o guarda-redes Beto (de regresso à titularidade, três anos depois da estreia em Talinn) com um par de remates – os mais perigosos de todo o jogo, um de Ibraimi e outro de Sikov.

Nem assim, nem assim Portugal muda o chip e carrega um futebol mais animado. O exagero das seis substituições também impede uma maior fluidez de jogo. No final, Paulo Bento diz de sua justiça. “O que há a destacar? O facto de não haver lesões.” Já agora, qual o onze? Beto (Cluj); João Pereira (Sporting), Bruno Alves (Zenit), Rolando (Porto) e Fábio Coentrão (Real Madrid); Miguel Veloso (Genoa), Moutinho (Porto) e Ruben Micael (Saragoça); Quaresma (Besiktas), Postiga (Saragoça) e Ronaldo (Real Madrid) (cap).

Agora é diferente e joga-se o passaporte para o Mundial-2022. O favoritismo de Portugal é evidente. Por história, estatuto e superioridade individual. Falta a superioridade colectiva. A Macedónia dá sinais inequívocos de querer e entrega, Portugal anda assim-assim. Veja-se a fase de qualificação. Azerbaijão, Sérvia, Luxemburgo, Irlanda, Azerbaijão, Luxemburgo, Irlanda e Sérvia. Já está? Nem por isso. Por culpa de uma ponta final sem pés nem cabeça, com um ponto em seis possíveis nos dois últimos jogos, a qualificação de Portugal para o Mundial-2022 estica de oito para dez jogos. É o salvador play-off, vs Turquia e Macedónia do Norte, curiosamente as duas piores selecções do Euro-2020.

Se a Turquia é ultrapassada com uns sustos à mistura (Burak Yilmaz falha penálti do 2:2 a cinco minutos do fim), a Macedónia do Norte promete um final hitchcockiano, de cortar a respiração. Para evitar o drama de Palermo, com o golo a aparecer aos 90’+2, Portugal tem de jogar ao mais alto nível e quase sempre ao ataque. Porque a Macedónia vai entregar a iniciativa e raramente sabe sair com a bola controlada da sua área de conforto, ali entre o guarda-redes e a defesa. O capitão é Ristovski, ex-Sporting. A sua experiência no Dragão é negativa: três derrotas em três jogos. Se a tendência se mantiver, Portugal soma e segue para o Qatar-2022. Caso contrário, somos uns nabos.

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