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“Luxemburgo-Portugal vai ser um jogo muito especial”
Desporto 6 min. 02.01.2019

“Luxemburgo-Portugal vai ser um jogo muito especial”

Jeff Strasser defende que uma redução do número de equipas na Liga BGL aumentaria a competitividade da prova.

“Luxemburgo-Portugal vai ser um jogo muito especial”

Jeff Strasser defende que uma redução do número de equipas na Liga BGL aumentaria a competitividade da prova.
Foto: Ben Majerus
Desporto 6 min. 02.01.2019

“Luxemburgo-Portugal vai ser um jogo muito especial”

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
O treinador do Fola e um dos mais internacionais pela seleção luxemburguesa antevê o jogo de apuramento para o Europeu 2020, fala sobre os trunfos da sua equipa na luta pelo título, deixa propostas para melhorar o nível do futebol interno e recupera as passagens pelo estrangeiro, sem esquecer o problema de saúde no Kaiserslautern.

Como antecipa o Luxemburgo-Portugal da qualificação para o Europeu 2020?

Ainda falta muito tempo, muitas coisas vão acontecer até lá, mas uma certeza é que vai ser muito especial porque haverá um excelente ambiente, tendo em conta que há muitos portugueses que vivem no Luxemburgo. Em termos desportivos, será muito complicado para a seleção luxemburguesa.

Que recordações guardou de jogos com os portugueses?

São jogos com um adversário que é sempre muito competitivo e forte, conforme demonstrou em grandes competições nos últimos anos. Ainda assim, a preparação dos jogadores para um desafio destes ou com Malta deve ser a mesma.

De que precisa o futebol luxemburguês para ser mais competitivo na Europa?

É preciso que os clubes tenham mais meios e, sobretudo, aumentar a qualidade do campeonato. Uma prova com 14 equipas de nível próximo aqui é difícil de conseguir, pelo que a redução deveria ser o caminho. Como será o modelo seguinte é uma questão para discutir. Talvez com oito participantes seja o suficiente e assim, aproximando o nível de quem participa, as equipas terão melhores desempenhos. Isso aumentará a intensidade e a qualidade dos jogos, subindo o número de encontros mais competitivos. Podíamos ter dez equipas e 36 jogos, por exemplo, ou oito equipas que se enfrentassem quatro vezes e seriam 28 jogos mais um playoff para ter, pelo menos, 34 jogos. Investiu-se muito no funcionamento da Federação por causa das equipas jovens, da formação e da seleção nacional, algo que produziu frutos. Ligando isso ao trabalho desenvolvido nos clubes, a Federação deve questionar-se se não falta agir para que a qualidade do campeonato se torne a melhor possível.

Sendo um dos jogadores mais internacionais da seleção, como avalia a evolução da equipa nos últimos anos?

Registou uma boa evolução em termos de resultados e da qualidade de jogo. É preciso continuar a trabalhar no mesmo sentido, tendo jogadores que também atuam no estrangeiro, aproveitar os jovens e dar-lhes tempo para que prossigam os seus progressos e façam subir o nível da equipa.

Esperava o apuramento na Liga das Nações ou sempre pensou que a Bielorrússia seria mais forte?

Desejava esse apuramento, mas, quando foi revelada a prova e as equipas, sabia-se que a fasquia estava alta. Por um lado, é bom ser ambicioso; por outro, face à importância do último jogo, seria a pressão demasiado forte? Deve a equipa progredir ainda para se bater a este nível? A Bielorrússia mostrou que estava ainda um pouco à frente? Penso que sim e devem analisar-se todos os aspetos. A equipa mostrou-se dominadora, criadora, capaz de jogar bem em certos jogos e domínios, mas noutros precisa de evoluir.

Modric foi eleito o melhor jogador do mundo: concorda com a escolha ou outro, como por exemplo Ronaldo, seria mais correto?

As escolhas foram feitas por quem votou, há um júri bem definido com regras estabelecidas, não é um assunto sobre o qual deva pronunciar-me.

O Fola está em segundo lugar na Liga BGL, mas o Dudelange, depois de sair da Liga Europa, vai dedicar-se às provas nacionais a tempo inteiro. Como antevê a segunda parte do campeonato?

Devemos trabalhar sobre a mesma base da qual viemos e procurar que os resultados correspondam ao que pretendemos.

Foi eliminado da Taça pelo Dudelange. Que ilações retirou desse jogo?

É simples: quando se joga nessa prova a eliminar, no final de cada encontro só uma equipa continua. Em relação a conteúdo dos jogos, seja na Taça ou na Liga, não me parece que merecêssemos perder. Mas não adianta falar, importa trabalhar e provar em campo quem é melhor. Mesmo assim, apesar de termos perdido, estamos à frente do Dudelange na Liga.

A equipa vai precisar de reforços na reabertura do mercado?

Vamos ver, é preciso trabalhar bem durante o mês de janeiro que é muito longo e perceber se surgem oportunidades. Penso que existe boa qualidade e concorrência no plantel e a tendência será mais para saídas, porque temos muitos jogadores.

Como avalia o comportamento do Dudelange na Liga Europa?

Fizeram um percurso excecional, desde logo com a estreia na fase de grupos. Sinto-me satisfeito com o que fizeram pelo futebol luxemburguês, mas o meu interesse não é a análise dos jogos do Dudelange nessa prova, porque o meu trabalho como treinador não é segui-los, mesmo que os felicite pelo que fizeram.

Com os meios à disposição do Fola será possível a vossa entrada também nessa competição?

Temos uma parte da época para jogar e vamos tentar chegar a um lugar europeu. Não sei se uma equipa luxemburguesa será capaz de repetir essa presença.

Surpreende-o o comportamento da Jeunesse, líder da Liga, mas goleada em Niederkorn e também afastada da Taça?

No jogo em que venceram o Fola, no começo da época, não me pareceu que justificassem a vitória, mas esse triunfo no derby deu-lhes uma dinâmica positiva. Nos últimos jogos a imagem foi menos positiva e reduziu-se a diferença entre as equipas da frente, o que vai permitir uma segunda fase de Liga mais emocionante. Por que razão a Jeunesse fez jogos menos bons nos últimos tempos? Bem, não tenho de ser eu a responder a essa questão, mas aquele 5-0 foi surpreendente, não tanto pela derrota, mas pelos números.

Jogou em França, na Alemanha e na Suíça: como analisa essa experiência internacional?

Tentei aprender o mais possível em cada uma delas. Na Suíça, em 2009/10, joguei com muitos jovens talentosos dos quais cinco ou seis estão agora na Bundesliga. Isso chamou à atenção para o campeonato suíço e, quando se olha para a seleção, podemos perceber que têm trabalhado bem. Quanto a infraestruturas, mobilização do público, modernidade e mentalidade, a experiência na Alemanha foi marcante, porque o ambiente nos estádios é fantástico e o futebol é muito voltado para o ataque ao contrário do que sucede, por exemplo, em França ou em Portugal. Aí a base é defender bem para atacar muito bem. Foi muito interessante perceber isso em países e clubes diferentes. Mas o futebol nunca está parado e a sua evolução é permamente, seja nos jogadores ou nos métodos dos técnicos, e é preciso acompanhar essa evolução.

Como foram os tempos de treinador do Kaiserslautern e como recorda o problema cardíaco que sofreu durante um jogo?

Foi uma grande oportunidade num momento difícil, a equipa não estava bem, tinha apenas dois pontos em oito jogos, mas foi possível melhorar os resultados e estabilizá-la até dezembro com uma boa preparação. Depois, infelizmente, aconteceu o tal problema de saúde de curta duração, uma questão que pertence ao passado, pois tudo está resolvido. Preferia não ter passado por isso, percebi por más razões que os problemas de saúde acontecem e não foi fácil, mas tudo ficou resolvido e sinto-me feliz por ter voltado ao trabalho em termos normais e aplicar as minhas ideias no Fola.

Tem a ambição de ser um dia selecionador nacional?

A seleção tem um treinador que conheço pessoalmente e vem realizando um bom trabalho, não seria correto da minha parte falar sobre o assunto. Se, um dia, o presidente da Federação tiver vontade de mudar de técnico e pensar em mim, sabe onde pode encontrar-me.

Álvaro Cruz e Paulo Jorge Pereira


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