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Jovens portugueses são referências no râguebi luxemburguês
Manuel Grincho, à esquerda, e Tiago Monge, à direita, ambos de colete verde, são dois dos jogadores portugueses do Rugby Club Luxembourg

Jovens portugueses são referências no râguebi luxemburguês

Foto: Lex Kleren
Manuel Grincho, à esquerda, e Tiago Monge, à direita, ambos de colete verde, são dois dos jogadores portugueses do Rugby Club Luxembourg
Desporto 3 min. 25.04.2018

Jovens portugueses são referências no râguebi luxemburguês

Alguns dos expoentes máximos das camadas jovens da modalidade no Luxemburgo são portugueses. Já defenderam, grande parte deles, as cores das seleções jovens luxemburguesas, mas alguns revelaram ao Contacto que ainda sonham em envergar a camisola de Portugal numa grande competição.

Manuel Grincho, Tomás Monge, Salvador Vilar Gomes e Tomás Costa Nunes são alguns dos jogadores portugueses que pontificam na equipa de sub-18 do Rugby Club Luxembourg (RCL), na capital. Todos eles internacionais pelo Grão-Ducado nas categorias jovens, são considerados referências da modalidade no país e no clube de Cessange, fundado em 1973, que conta com mais de 300 jogadores de todas as faixas etárias, oriundos de 25 nacionalidades diferentes.

Os jogadores portugueses do popular clube são cerca de duas dezenas, retribuem com o seu esforço o bom acolhimento que tiveram no país, mas é a formação de sub-18 que tem ganho maior notoriedade. A disputar a fase final do campeonato belga, o XV dos juniores da formação de Cessange tem estado em destaque na luta pelo título além-fronteiras.

Manuel Grincho nasceu no Luxemburgo, passou pelo futebol, mas começou a jogar râgueby quando tinha 13 anos. Descobriu a modalidade a convite do companheiro de escola e agora de equipa, Salvador Vilar Gomes, que já jogava no Cascais, em Portugal, e apaixonou-se.

O sonho de jogar pela seleção portuguesa

“Adoro este desporto. Gosto do contacto físico, de correr com a bola, fintar, fugir dos opositores e de fazer umas placagens” diz com um sorriso rasgado, sublinhando, também, que o ambiente familiar no clube é outra das suas grandes satisfações. O jovem, que já defendeu várias vezes as cores do Grão-Ducado, comenta a possibilidade de, um dia, envergar a camisola de Portugal: “Esse é um dos meus grandes sonhos, apesar de saber que o nível do râguebi em Portugal é mais elevado. No próximo ano, vou para a universidade e tenho grandes probabilidades de ir para Portugal. Se jogar num clube lá, quem sabe se não poderei despertar o interesse dos responsáveis da seleção”, explica.

Tomás Monge é outro dos principais jogadores do clube de Cessange. O possante médio, também internacional pelo Grão-Ducado, foi ’recrutado’ igualmente por Salvador Vilar Gomes. Admirador confesso dos ’All Blacks’, Tomás é uma “força da natureza”, indica o seu treinador, o inglês David Lowe.

“Começei a jogar com 13 anos e vim com o Manuel, a convite do Salvador. Aprendi a gostar do râguebi que agora é parte integrante da minha vida”, conta.

“Sempre que podia, via na televisão os ’All Blacks’, a minha equipa preferida, e depois tentava imitá-los nos treinos e nos jogos”, recorda. Ser internacional pelo Luxemburgo é, para Tomás, “uma honra”, mas o jogador também sonha vestir a camisola dos ’Lobos’, designação atribuída à seleção portuguesa: “Quando me iniciei no râguebi, nunca pensei que chegaria a representar a seleção luxemburguesa. Jogar por Portugal numa competição importante é um sonho que guardo no coração, mas, se não conseguir, talvez possa chegar a internacional A pelo Luxemburgo, o que também me agradaria muito”, sublinhou.

Um pai que foi jogador em Portugal

Nuno Vilar Gomes, pai de Salvador Vilar Gomes, tem acompanhado a carreira do filho no Rugby Club Luxembourg, mas também de Manuel Grincho, Tomás Monge e Tomás Costa Nunes. Representou o Cascais como jogador, em Portugal, e trabalha no Luxemburgo há seis anos. Desempenhou o cargo de treinador no clube de Cessange nas equipas jovens e conhece as qualidades dos jogadores lusos como ninguém.

“Estes miúdos são bons e muito importantes para a equipa. São internacionais, embora o Tomás Costa Nunes esteja lesionado. Têm excelente desempenho no campeonato belga e alguns poderão chegar longe”, garante.

Sobre o sonho que alguns deles têm de representar a seleção portuguesa, Nuno Vilar Gomes é taxativo: “Não posso dizer que seja impossível, mas vai ser difícil. O nível do râguebi português é mais evoluído que o do Luxemburgo. Aqui, falta mais intensidade nos treinos para se atingirem outros patamares. Mas pode ser que as suas carreiras consigam evoluir após a ida para a universidade”, remata o antigo jogador do Cascais.

Á. Cruz


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