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Jornada 30. A consagração do FC Porto
Desporto 6 min. 18.04.2022 Do nosso arquivo online
Futebol

Jornada 30. A consagração do FC Porto

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Jornada 30. A consagração do FC Porto

Foto: AFP (arquivo)
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Jornada 30. A consagração do FC Porto

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
De um dia para o outro, e pela primeira vez na época, o líder invicto detém as marcas de melhor ataque e defesa menos batida.

Darwin, primeiro. Gil Dias, depois. O Benfica ganha 2:0 ao Sporting no José Alvalade e desequilibra a 1.ª divisão a favor do FC Porto. Quem diria, hein

Quem diria, o Benfica de Nélson Veríssimo derruba o Sporting e anima a luta pelo segundo lugar, o último de acesso directo à Liga dos Campeões. A quatro jornadas do fim, com 12 pontos em jogo, o Benfica está a seis e moralizado. O Sporting perde em casa pela quarta vez este ano civil (Braga, City, Porto, Benfica) e a dúvida já paira no ar. É preciso um golpe de autoridade para serenar os ânimos já na próxima 2.ª feira, no Bessa, senão é sério o resto da uma tremideira.

Quem diria, o Benfica de Nélson Veríssimo em ressaca europeia. Verdade seja dita, nem é novidade associar-se a tristeza do adeus europeu nos ¼ final a uma vitória no dérbi. Em 1993, o Benfica de Toni apanha 3:0 da Juventus no Delle Alpi para a Taça UEFA e desforra-se com um golo de Futre na Luz (1:0). Em 2010, o Benfica de Jesus apanha 4:1 do Liverpool em Anfield para a Liga Europa e atira-se ao leão por 2:0, obra de Cardozo e Aimar, também na Luz. Agora, mais do mesmo. O Benfica empata 3:3 em Anfield e aparece crescido no José Alvalade. O Sporting tira a semana de folga e surge desorientado, sem ideias para o labirinto benfiquista nem cabeça para evitar o inevitável. Salvo a bola à trave de Sarabia aos 48’, o ataque está de braço dado com a desinspiração.

Quem diria, o Benfica de Nélson Veríssimo. Em 21 jogos desde a substituição por Jesus, o treinador só ganha 10 jogos. Pouco, pouquíssimo para um grande como o Benfica. Nos últimos cinco, só duas vitórias. Fraco registo para um candidato ao título, o mais sério de todos à partida para esta época e o líder indiscutível à sétima jornada, só com vitórias, até àquela derrota impensável na Luz vs Portimonense (0:1), no mesmo dia (3 Outubro, domingo) em que a selecção portuguesa se sagra campeã mundial de futsal com o 2:1 vs Argentina. Os dois jogos relatam-se à mesma hora.

Quem diria, o Benfica de Nélson Veríssimo. Pela segunda vez na história, o Benfica ganha o dérbi no campo do campeão em título. A outra é em 2002, outro 0:2 com golos de Ricardo Rocha e Simão no início da era José Antonio Camacho. O Sporting, insistimos, está fora da corrida pela renovação do título e o próprio treinador hasteia a bandeira branca. ‘Mais do que perder o dérbi, custa não poder lutar pelo campeonato.’ Nem mais. E nada a fazer, o Benfica é superior no contra-ataque. Ao Sporting só lhe interessa agora defender o segundo lugar. Significa prestígio e dinheiro, muito dinheiro. Seguem-se Boavista (fora), Gil Vicente (casa), Portimonense (fora) e Santa Clara (casa). É um calendário mais acessível que o do Benfica, convenhamos: Famalicão (casa), Marítimo (fora), FC Porto (casa) e Paços (fora).

De fora destas contas já está o FC Porto, quase quase campeão nacional. Cumpre-se a recente tradição de Sérgio Conceição, campeão nos anos pares: 2018, 2020 e 2022. Ainda por cima, o fim-de-semana sai-lhe redondo. No sábado, dá 7:0 vs Portimonense com hat-trick de Taremi e bis de Evanilson. No domingo, o Benfica entrega-lhe o título de mão beijada. Quem diria, hein? Quem diria, o Benfica de Nélson Veríssimo.

Outra vez? Sim, outra vez, agora para mencionar a veia goleadora de Darwin. A meio da semana, marca um hat-trick em Anfield. Um vale, os outros nem por isso, por fora-de-jogo. No domingo de Páscoa, começa o dérbi a levar uma valente pisadela de Coates e acaba a descobrir Gil Dias à entrada da área para o 0:2. Pelo meio, solta o grito de golo aos 14 minutos. É dele o 0:1 com um toque de cabeça no encosto vs Coates e chapéu de aba curta sobre Adán. É o seu 25.º golo na 1.ª divisão, leva sete de avanço sobre Taremi (18) e dez sobre Ricardo Horta (15). Se o campeonato se mantiver assim, Darwin faz história e é o primeiro melhor marcador do Benfica a acabar em terceiro lugar.

Se se mantiver assim, atenção. Se se mantiver assim, o Sporting é segundo e repete uma história de 50 anos – só em 1971 é que é vice na época seguinte à de se sagrar campeão. Todas as vezes seguintes em que ganha a 1.ª divisão (1974, 1980, 1982, 2000, 2002) é sempre terceiro ou pior. Se se mantiver assim, o FC Porto é campeão pela 30.ª vez contra 19 do Sporting e 37 do Benfica. Enquanto o jogo do futuro não é desvendado, o Porto aproveita para encomendar as faixas e acumular mais uma série de vitórias pessoais. Mais uma vez, de um dia para o outro, em tão-só 24 horas.

E voltamos à lenga-lenga. No sábado, o 7:0 vs Portimonense significa a capacidade goleadora do FC Porto como melhor ataque da competição (79 contra 75 do Benfica). No domingo, as duas amêndoas do Benfica implicam a ascensão portista como defesa menos batida, por ultrapassagem ao Sporting (19 contra 20). Para a semana há mais. Na segunda-feira, 25 Abril, o FC Porto é campeão se ganhar em Braga e, depois, o Boavista roubar pontos ao Sporting.

 

Resultados completos

Arouca                        1:1             Santa Clara

Famalicão                   2:2             Gil Vicente

Vitória SC                   4:0             Paços

Moreirense                  2:0             Tondela

B SAD                        1:0             Vizela

Marítimo                      4:0             Boavista

FC Porto                     7:0             Portimonense

Sporting                      0:2             Benfica

Estoril                          esta noite  Braga

*O autor escreve ao abrigo do antigo AO.

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