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Jornada 23. Mais um clássico no Porto
Desporto 5 min. 18.02.2022 Do nosso arquivo online
Liga portuguesa

Jornada 23. Mais um clássico no Porto

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Jornada 23. Mais um clássico no Porto

Foto: Paulo Novais/Lusa
Desporto 5 min. 18.02.2022 Do nosso arquivo online
Liga portuguesa

Jornada 23. Mais um clássico no Porto

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Uma semana depois do inenarrável Porto vs Sporting, agora é o Boavista vs Benfica a dar cartas na 1.ª divisão (e que memórias).

No pares, sigue sigue, no pares. Nem há tempo para a ressaca europeia, a 1.ª divisão está de volta e abre com um clássico no Bessa entre Boavista e Benfica. Frente a frente, dois campeões nacionais no século XXI e rivais na ½ final da Taça da Liga 2021-22. Em comum, o treinador Manuel José e uma série quase infinita de craques como Caiado, Frederico, JVP, Nelo Tavares, Nuno Gomes, Petit.

Temos jogo, e de prognóstico reservados. É totobola, 1X2. O Boavista joga à Petit e é o rei dos empates, com um total de 12, seis dos quais nas últimas sete jornadas. É obra. O Benfica joga ainda não se sabe muito bem a quê. Aquilo não é carne nem é peixe e está montada uma caldeirada de proporções inimagináveis. Seja como for, uma visita do Benfica ao Bessa implica uma série de memórias incontornáveis como a estreia das estreias de José Mourinho, os 19 minutos de Paulo Sousa à baliza, o empate do título na era Trapattoni e mais, muito mais. É um clássico do best.

Recuemos até 1993, dia 10 Abril. O currículo de Paulo Sousa no Benfica inclui 113 jogos, dois golos marcados e um sofrido. Hã? É verdade, Paulo Sousa sofre um golo de penálti de Artur, no Bessa, antes de evitar o 3-3 de Bobó com uma defesa miraculosa para canto. Está construído o mito. O próprio sabe-o.

Mas como? Aos 71 minutos, o Benfica ganha 3-1 numa serenata à chuva de fazer inveja ao Gene Kelly e há penálti. Indiscutível. De Neno. O árbitro bracarense Fortunato Azevedo aponta para a marca dos 11 metros e expulsa o guarda-redes. Pormenor: no minuto anterior, o treinador Toni fizera entrar Hernâni e Paneira para os lugares de Yuran e Pacheco.

Esgotadas as substituições, o Benfica vê-se obrigado a meter um jogador de campo na baliza. Paulo Sousa tem a palavra. ‘Mozer candidata-se, Futre também. Só que chegamos à conclusão que é melhor ser outro. Era simples: se tirássemos o Futre, perdíamos a oportunidade de contra-atacar, e o Mozer era importantíssimo no mais-que-provável chuveirinho do Boavista. Recaiu sobre mim a responsabilidade de ir para a baliza e foi o Paulo Madeira quem fez também pressão. Senti-me bem, até porque gosto de desafios.’

Antes, em 1936, o Benfica faz-se campeão no Bessa. O FC Porto é o campeão em título e comete a proeza de acumular os dois resultados mais gordos da época 35-36 com 10:1 vs Sporting e 9:1 vs Belenenses. Só que isso não chega para segurar a onda vermelha. A primeira de todas, aliás. À partida para a última jornada, o Benfica é o líder com 20 pontos. Seguem-se Porto e Sporting, ambos com 18. A emoção no ar.

O Benfica visita o Bessa. É a sua estreia para a liga e basta-lhe um empate. O treinador húngaro Lipo Hertzka (húngaro) selecciona Tavares; Gatinho e Gustavo; Rogério, Albino e Gaspar Pinto; Domingos Lopes, Xavier, Vítor Silva, Torres e Valadas. O primeiro golo é de Torres, aos 15’ de penálti. O Boavista responde em dose dupla, por Costuras (25’) e Adérito (55’). Para acabar com as dúvidas, o Benfica empata por Xavier aos 60’ e é mesmo campeão. De nada vale a vitória do FCP ao Carcavelinhos na Tapadinha – o Sporting, esse, perde 3:2 em Setúbal.

Já nos anos 70, mais precisamente em Setembro 1973, o Boavista comete a proeza de ganhar pela primeira vez ao Benfica, então tricampeão português em título. Esse domingo é histórico porque é a primeira e única vez que os três grandes perdem na mesma jornada – o Porto no Restelo (1:0 de Quaresma), o Sporting no Bonfim (1:0 de Matine) e o Benfica você-sabe-muito-bem-onde. Ao intervalo, 0:0. No fim, 2:0. Golos de Salvador (50’) e Moura (88’). O resultado é mais surpreendente ainda porque o Benfica nunca, mas nunca mesmo, perdera no Bessa para o campeonato – desde 1936, portanto (há já 15 jogos, com um imparável 36:15 entre golos marcados e sofridos).

Avançamos para 2000. O Benfica ganha 2:1 ao Estrela na Luz com dois golos de Van Hooijdonk aos 89 e 90 minutos. Na conferência de imprensa, Jupp Heynckes senta-se, fala e demite-se. Uau, e agora? Vale e Azevedo, com a ajuda do assessor de comunicação Eládio Paramés, contacta José Mourinho, que até então só fora adjunto de Robson (Sporting, Porto e Barcelona) e ainda de Van Gaal (Barcelona). O desafio é aceite por Mourinho, que escolhe Mozer como vice-rei.

A estreia está marcada para 23 de Setembro, no Bessa. E é amarga para o Benfica, que muda do 4-2-3-1 do alemão para o 4-3-3 do português e perde com um golo de Duda aos dois minutos, numa jogada desenvolvida por Jorge Couto e Geraldo na direita. O comentário de Mourinho à derrota é sintomático: “Os níveis de confiança estão muito baixos. Mais que uma chicotada psicológica, esta equipa precisa de uma chicotada metodológica.’ Pimba, vai buscar – dois meses e meio depois, o Benfica ganha 3:0 ao Sporting.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

De 2000 para 2005 é um salto. Vive-se a pior seca de títulos de campeão nacional do Benfica. Dez anos é muito tempo. Para evitar o 11.º, o presidente Luís Filipe Vieira ouve o empresário José Veiga e contrata o italiano Giovanni Trapattoni, já campeão em Itália (Juventus mais Inter) e Alemanha (Bayern). Segue-se Portugal, numa época em que o Porto está mais fraco, na sequência das saídas maciças provocadas pelas conquistas de Taça UEFA e Liga dos Campeões em anos consecutivos, e o Sporting não se porta como um grande na hora da verdade. Sobra o Benfica, limitado mas competente, burocrático mas campeão.

Uma semana depois do 1:0 de Luisão na Luz sobre o Sporting, o Benfica visita o Bessa na 34.ª e última jornada. Como em 1936, basta-lhe um empate para se sagrar campeão. Trapattoni escolhe Quim; Miguel, Luisão, Ricardo Rocha e Dos Santos; Petit e Manuel Fernandes; Geovanni, Nuno Assis e Simão; Nuno Gomes. E dá-se bem. Simão marca de penálti (38’) e Éder empata (42’). Outro título no Bessa e fecha a loja. Daí para cá, o Benfica joga dez vezes no Bessa e ganha só cinco. Na época passada, 3:0 para o Boavista. E hoje?

Calendário da jornada 23

Sexta-feira:

  • Boavista (12)-Benfica (3)

Sábado:

  • Gil Vicente (5)-B SAD (18)
  • Paços (13)-Vizela (11)
  • Vitória SC (6)-Arouca (17)

Domingo

  • Marítimo (8)-Famalicão (15)
  • Sporting (2)-Estoril (7)
  • Moreirense (16)-FC Porto (1)
  • Tondela (14)-Braga (4)
  •  

2.ª feira

  • Santa Clara (10)-Portimonense (9)

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