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Jornada 19. O aperto de mão entre Oliveira e Jordão
Desporto 5 min. 22.01.2022
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Jornada 19. O aperto de mão entre Oliveira e Jordão

Rui Patrício defende um penálti de André Pinto durante a final da Taça de Portugal, em maio de 2017, entre Sporting e Braga.
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Jornada 19. O aperto de mão entre Oliveira e Jordão

Rui Patrício defende um penálti de André Pinto durante a final da Taça de Portugal, em maio de 2017, entre Sporting e Braga.
Foto: Miguel A. Lopes/EPA/Lusa
Desporto 5 min. 22.01.2022
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Jornada 19. O aperto de mão entre Oliveira e Jordão

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Sporting e Braga é um clássico do futebol português e ultrapassa a fronteira da 1.ª divisão.

Senhoras e senhores, eis a jornada 19. O Benfica marcou o arranque no sábado, no campo do penúltimo classificado, onde mora um Arouca aflitíssimo, só com um ponto conquistado nos últimos seis jogos. Sporting e Porto jogam em dias separados, primeiro no José Alvalade, depois no Dragão.

E se a visita do Famalicão ao Porto é um movimento pouco visto na história da 1.ª divisão, a do Braga a Lisboa é considerada um clássico. As histórias acumulam-se umas atrás das outras e há de tudo entre fama, glória e heroísmo. No dia 18 Novembro 1984, por exemplo, o Sporting dá oito-um. Oliveira no banco, Toshack anda a brincar com o fogo. Ou então não, é jogada psicológica de mestre. O Sporting adianta-se cedo por Mário Jorge e depois adormece à sombra do golo. 

Fontes acerta uma bola na barra de Damas e Litos lesiona-se. O público grita Oliveira e Toshack dá o braço a torcer. Oliveira entra e faz o 2:0 num remate de antologia, ao ângulo superior de Hélder. Na segunda parte, o mesmo Oliveira abre o livro depois do penálti do bracarense Zinho a castigar empurrão de Venâncio sobre Fontes. É assistências para aqui e para ali, os últimos 20 minutos são um fartote. Manuel Fernandes enche o campo com um hat-trick e até o brasileiro Eldon casa-se finalmente com o golo. O momento da tarde, esse, é a festa do 6:1. Grande jogada de Oliveira e virtuosa conclusão de Jordão. Os dois apertam a mão e, depois, abraçam-se. O estádio vai abaixo, o machado de guerra está enterrado e fuma-se o cachimbo da paz no último jogo em que os três artistas da frente marcam no mesmo jogo. 

Meses antes, ainda em 1984, Sporting e Braga discutem o título nacional de juniores. A história é caótica. O jogo é em Leiria e o dirigente Armando Biscoito quer viajar no dia anterior para evitar problemas de última hora. O treinador Aurélio Pereira torce o nariz à ideia com o argumento de que uma pernoita iria mexer com a rotina. Á hora marcada no dia do jogo, nenhum sinal do autocarro. De repente, a verdade vem ao de cima e fala-se em avaria. Biscoito, Aurélio e mais uns quantos embarcam na aventura de levar os jogadores nos seus carros até Leiria. Chegam ao estádio a pouco mais de meia-hora do pontapé de saida, marcado para as 11 horas. O Braga treina afincadamente, o Sporting reúne-se e ouve a palestre de Aurélio Pereira. Ou não. “Hoje não há palestra, vocês já sabem o que fazer.” Começa o jogo, sai o Sporting. Um minuto, sprint de Dito e penálti cometido por Marinho. Chamado a bater, Baltasar atira colocado. O Sporting entra a ganhar. E sai a golear. A segunda parte é de sonho, com quatro golos de quatro artistas. O maior de todos é Fernando Mendes a jogar a mil a hora, como quarto avançado. Acaba 5:0.

Anos depois, muitos, Sporting e Braga jogam para a final da Taça de Portugal. É a segunda vez, em abono da verdade – na primeira, em 1982, quatro secos do Sporting com o treinador bracarense Quinito a aparecer no Jamor com papillon branco. Em 2016, no dia 31 Maio, é diferente. Há emoção, e sem papillon. Aliás, é o ponto futebolístico mais alto na história do Sporting ou, pelo menos, aquele em que o slogan do esforço, devoção, dedicação e glória está mais presente que nunca. Porque a equipa de Marco Silva entra praticamente a perder, ainda por cima em dose dupla: à expulsão de Cédric por falta sobre Djavan, autor de uma cavalgada desde o meio-campo, junta-se o 1:0 do capitão Éder no penálti clássico do ‘bola para um lado, guarda-redes para o outro’. Com dez elementos em campo, o Sporting ressente-se e sofre o 2:0 de Rafa em contra-ataque.

 E agora? É o fim. Se fosse uma equipa qualquer, sim. Se fosse especial, nem por isso. Aos poucos, o Braga acomoda-se na vantagem de dois golos e o Sporting ganha confiança. Daí ao empate é uma questão de minutos. Nove, para ser mais preciso. O de Slimani é uma gafe do guarda-redes Kritchiuk, o de Montero é o aproveitamento de um passe longo de Paulo Oliveira. No prolongamento, Patrício cai sozinho, lesionado, aos 109 minutos, e só se levanta porque é um herói. Elevado ao quadrado (que defesa ao remate à queima-roupa de Salvador Agra aos 114’). Elevado ao cubo (defende um penálti de André Pinto). O Sporting dá completamente a volta e levanta a taça. Quem? Rui Patrício. A coxear, claro.

Avançamos uns meses, estamos em Fevereiro 2017. O recorde nacional de espectadores num jogo feminino é de 3415, no Restelo, por ocasião do Portugal-Roménia, qualificação para o Euro-2017. Menos de um ano depois, o que faz o Sporting? Abre as portas do Estádio José Alvalade e recebe pela primeira vez a equipa principal feminina. A ocasião é a ideal, jogo do título vs Braga. O que fazem as pessoas? Aderem em massa e batem o recorde de Portugal. Mais que o dobro, quase o triplo. Ao todo, 9263 espectadores assistem à dramática vitória sportinguista com um golo de penálti da capitã Solange Carvalhas no quinto e último minuto de descontos, a castigar falta de Sílvia sobre Ana Borges à entrada da área. Para trás, um espectáculo memorável de bola entre as duas melhores equipas do país, ambas imbatidas até então (15 vitórias e dois empates para cada). Com o tal golo, o Sporting passa para a frente da classificação com três pontos à maior, e a jogar sem qualquer estrangeira, enquanto o Braga reúne três brasileiras e quatro espanholas.

Sexta

Arouca (17)-Benfica (3)

Paços de Ferreira (11)-Boavista (10)

Sábado

Moreirense (14)-Santa Clara (13)

Tondela (12)-Vizela (16)

Sporting (2)-Braga (4)

Domingo

Marítimo (9)-Belenenses SAD (18)

Vitória SC (8)-Estoril (6)

Gil Vicente (5)-Portimonense (7)

FC Porto (1)-Famalicão (15)

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