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Jornada 18. O único exemplo em 2000
Desporto 6 min. 15.01.2022 Do nosso arquivo online
Liga portuguesa

Jornada 18. O único exemplo em 2000

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Foto: EPA
Desporto 6 min. 15.01.2022 Do nosso arquivo online
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Jornada 18. O único exemplo em 2000

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Sporting é campeão nacional na única vez que dobra a primeira volta a três pontos de distância do FC Porto.

Revisão da matéria dada: a primeira volta da 1.ª divisão 2021-22 acaba com Porto 47, Sporting 44 e Benfica 40. Começa agora a segunda, e o primeiro visita o último classificado. Entre eles, 37 pontos de diferença. É muito, é dose. Será o Jamor palco de uma surpresa do arco da velha por parte do B SAD ou tão-só a confirmação da superioridade do líder invicto?

A pergunta demora 90 minutos a ser respondida, no domingo. Antes, também nesse dia, já o Sporting visitara o Vizela para saber se pressiona alto ou nem por isso. Para já, três pontos separam os dois primeiros e é só a segunda vez entre eles ao virar do campeonato em 27 anos de história das vitórias a valer o triplo. Desde 1995-96 para cá, só em 1999-2000 é que Porto e Sporting dobram o campeonato com três pontos de diferença.

É o Porto de Fernando Santos, pentacampeão em título. O hexa está ali à mão de semear e é um objectivo mais que possível com o acerto de Jardel na cara do golo. O brasileiro só precisa de dois minutos para marcar o primeiro golo na 1.ª divisão, no Bessa. O Boavista empata e ninguém se ri. Acaba 1:1. Na semana seguinte, o Porto empata 0:0 vs Alverca nas Antas. Na jornada seguinte, 1:0 de Jardel (penálti) em Braga, no 1.º de Maio. Passa mais um fim-de-semana e Jardel assina um hat-trick vs Rio Ave (4:1). Cinco golos, já.

Às tantas, o dobro. Dez, isso mesmo. Marca um golo ao Campomaiorense, outro ao U. Leiria, mais dois ao Sporting e um ao Marítimo. À 10.ª jornada, Jardel leva 10 golos. O ritmo do avançado não é acompanhado pelo terceiro classificado FC Porto, a um ponto do Marítimo e a quatro do Benfica. O 2:0 de Capucho e você-sabe-muito-bem-quem ao líder Benfica nas Antas marca o arranque irresistível para oito vitórias consecutivas. O Porto domina o campeonato, rumo ao hexa, está mais que visto.

Ou não? Benfica entra em declínio. Na última época de João Vieira Pinto, o presidente Vale e Azevedo contrata Jupp Heynckes, campeão europeu pelo Real Madrid na época anterior, em 1998, e mais sete reforços, entre os quais Enke e Chano. O início promete, com seis vitórias e dois empates nas primeiras oito jornadas, sem esquecer ainda a histórica reviravolta na Taça UEFA vs Dínamo Bucareste (do 0:1 na Luz para o 2:0 em Bucareste). Ainda na Europa, o Benfica despacha o PAOK com recurso a grandes penalidades, em plena Luz. O ambiente é o melhor possível. Até ao 7:0 em Novembro vs Celta nos Balaidos. Aí a porca torce o rabo e, pobre Benfica, nunca mais se encontra. Para piorar o cenário, o Sporting elimina o Benfica da Taça de Portugal na Luz, e por 3:1. Rebenta a bolha, o Benfica desiste da época e acabaria em terceiro lugar com um total de sete derrotas. Beeeeem, g’anda barraca.

O intruso surpresa ao hexa do Porto é o Sporting. Longe do título de campeão desde 1982, a época inicia-se com um treinador italiano ao comando. Chama-se Giuseppe Materazzi, cujas indicações nos treinos e jogos são traduzidas por Ayew (ex–Lecce) para portugueses, brasileiros, argentinos e dinamarqueses. Ah pois é, o Sporting contrata Schmeichel. O calmeirão preenche uma lacuna história na baliza do Sporting, embora demore o seu tempo a afinar a estratégia porque o Sporting empata três vezes nas primeiras seis jornadas, vs Santa Clara (2:2 nos Açores), Estrela Amadora (1:1 no José Alvalade) e Gil Vicente (1:1 em Barcelos). Pelo meio, um embaraçoso 3:0 vs Viking, na Noruega, para a Taça UEFA.

Quando Augusto Inácio é eleito para suceder a Materazzi, já o Sporting está arrumado na Taça UEFA e longe do pódio na 1.ª divisão. Há uns jogos em que o salvador da pátria é o mais improvável como Vidigal no 1:0 vs Campomaiorense, há outros em que Acosta resolve com a classe que se lhe reconhece. No fecho da primeira volta, Porto é primeiro e Sporting é segundo, a três pontos. A luta vai dar que falar, sobretudo porque o Sporting contrata um trio de jogadores fundamentais para a melhoria significativa de uma equipa em ascensão: André Cruz mais César Prates mais Mpenza.

Antes da 26.ª jornada, altura do clássico no José Alvalade, o Porto lidera com dois pontos de avanço. Se ganha, dá um golpe de autoridade tremendo e acaba com as veleidades do Sporting. Se empata, ainda vá. Se perde, é ultrapassado e vê-se numa situação nada comum em comparação com os cinco anos anteriores em que domina a cena toda. Antes do intervalo, o Sporting marca. Uma. E outra vez. Primeiro é André Cruz, de livre directo com régua e esquadro. Baía estica-se, em vão. Depois é Acosta, num remate sensacional ainda fora da área, após atraso de Secretário.

Com um ponto de avanço à falta de oito jornadas, o Sporting inicia a contagem decrescente para o título de campeão. Duas jornadas depois, uma prenda do arqui-rival: um golo de Sabry derurba o Porto (1:0) e o Sporting aproveita um dia depois para se distanciar com 1:0 de Acosta vs Belenenses. Na semana seguinte, um balde de água fria aos 90’ em Leiria, com o 1:1 de Paulo Alves. O FC Porto ganha 2:0 ao Salgueiros e encosta. O nervosismo está à flor da pele.

A duas jornadas do fim, o Porto comete hara-kiri com 3:3 no São Luís – atenção, o Farense está a perder 3:1 ao intervalo. Um golo de Everson aos 88’ anima o Sporting. A expectativa é enorme no dia seguinte. O Sporting visita os Barreiros e está 0:0 ao intervalo. Na segunda parte, um bis de Acosta liberta a tensão e o dérbi daí a sete dias já é visto como a festa do título. Puro engano, um golo de Sabry ao cair do pano torna a 1.ª divisão mais eléctrica que nunca.

A última jornada resolve-se no Norte, com Sporting e FC Porto separados por um ponto. No Vidal Pinheiro, onde o preço dos bilhetes atinge um valor tão exorbitante que só comparado com uma ópera em Milão e o Salgueiros tem de pontuar para se salvar do inferno da 2.ª, o Sporting entra preso de movimentos. E só se liberta com o 1:0 de Lemos aos 42’ em Barcelos no Gil Vicente vs FC Porto. A partir daí, o Sporting solta-se e goleia por 4:0 com bis de André Cruz. O Porto perde o interesse (e o jogo, 2:1). O Sporting é campeão ao fim de 18 anos e impede o hexa ao Porto, cujo número recorde de jogos numa só época (56) serve de atenuante para se deixar despistar tão perto do fim. Jardel, claro, é o rei do golo com 37. O melhor do Sporting é Acosta, 22.

O calendário da jornada 18: 

Sábado (15)

  • Boavista (10*)-Gil Vicente (5)
  • Benfica (3)-Moreirense (15)
  • Braga (4)-Marítimo (9)
  • Estoril (6)-Arouca (17) 

Domingo (16)

  • Santa Clara (14)-Tondela (13)
  • Vizela (12)-Sporting (2)
  • Famalicão (16)-Paços de Ferreira (11)
  • B SAD (18)-FC Porto (1)

2.ª feira (17)

  • Portimonense (7)-Vitória SC (8)

(* Posição na classificação geral)

(Autor escreve de acordo com o antigo Acordo Ortográfico.)

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