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“Hoje, o Luxemburgo já é mais respeitado no futebol internacional”
Paul Philipp, presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol.

“Hoje, o Luxemburgo já é mais respeitado no futebol internacional”

Foto: Ben Majerus
Paul Philipp, presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol.
Desporto 8 min. 29.11.2018

“Hoje, o Luxemburgo já é mais respeitado no futebol internacional”

Álvaro Cruz
Álvaro Cruz
O presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF) congratula-se com a evolução do futebol grão-ducal, fala das melhorias que devem ser feitas no plano interno e espera que o jogo de inauguração do novo estádio seja com Portugal.

Que balanço faz da campanha da seleção na Liga das Nações?

Penso que foi positivo, mas com ’serviços mínimos’. Vencemos, logicamente, os dois jogos com São Marino; conseguimos uma boa vitória, em casa, perante a Moldávia, e lá, um empate, num jogo que poderíamos ter ganho. Infelizmente, perdemos os dois encontros frente à Bielorrússia, apesar de em Minsk termos merecido o empate. No fundo, não conseguimos ganhar o jogo mais importante, em casa, com os bielorrussos, que em abono da verdade foram melhores do que nós.

Depois da subida de divisão e do apuramento para a meia-final de acesso ao Euro 2020 terem estado tão perto, a deceção foi grande...

Claro, para toda a gente. Depois do jogo em Minsk, no qual a Bielorrússia ganhou por 1-0, mas na minha opinião não foi melhor do que o Luxemburgo, fiquei com a convicção de que no estádio Josy Barthel podíamos vencer e conseguir a qualificação. No entanto, eles foram muito melhores do que nós, sobretudo na primeira parte. Dominaram o jogo em todos os setores e mereceram amplamente a vitória. Nunca conseguimos colocar em xeque o adversário que entrou melhor no jogo e poderia, inclusivamente, ter marcados mais golos. Parecia que nem estávamos em campo. Foi muito mau.

Como avalia o trabalho de Luc Holtz desde 2010? O lugar dele esteve alguma vez em perigo?

Tem sido positivo e importa reconhecê-lo. O lugar nunca esteve em causa. Quando assumiu o cargo de selecionador, o primeiro objetivo da seleção era conseguir jogar bom futebol. Construir jogo, saber ter a bola e, numa segunda fase, obter também resultados positivos. Este processo levou algum tempo, sofreu alguns contratempos, mas hoje o Luxemburgo joga muito melhor futebol que há alguns anos e obteve resultados muito encorajadores. Foram dados passos em frente, disso não tenho qualquer dúvida. Importa lembrar que continuamos a ser um pequeno país, mas a nível internacional conseguimos uma subida significativa no ’ranking’ FIFA e já nos olham com mais respeito.

O que espera do Luxemburgo na campanha de apuramento para o Euro 2020?

O sorteio realiza-se no próximo domingo e naturalmente gostaríamos de defrontar uma das grandes nações do futebol europeu. É sempre uma festa quando enfrentamos adversários de reconhecido valor internacional. Para jogadores, dirigentes e para o público que nesses casos enche sempre o estádio. Vamos aproveitar a experiência vivida nesta Liga das Nações e saber retirar as conclusões de forma realista. É lógico que não podemos pensar numa qualificação, mas vamos trabalhar para confirmar a nossa evolução futebolistica e tentar fazer o máximo de pontos possível para reforçarmos a nossa posição na hierarquia do futebol mundial.

Luc Holtz deixou um pedido aos treinadores da Escola de Futebol da FLF: que se trabalhe de forma intensa e específica os jogadores que atuam nas alas. Não acha que existe também falta de bons guarda-redes a nível nacional?

Sim, mas o trabalho nas camadas jovens tem as suas particularidades. Não se formam jogadores corretamente de um dia para o outro, tudo leva o seu tempo. Na nossa escola de futebol estamos a trabalhar bem para formar os jogadores do futuro. No que respeita à situação específica de guarda-redes, existe um programa estabelecido que colocamos em prática desde as idades mais baixas para o desenvolvimento das capacidades dos melhores no país.

Como avalia o trabalho de formação nos clubes luxemburgueses e nas seleções jovens da FLF?

Nos últimos anos nota-se uma evolução considerável a nível global. Já se trabalha com muito mais qualidade em quase todos os clubes devido à melhor formação que muitos treinadores têm. Existem bons jogadores espalhados pelo país e é necessário aproveitar esses talentos. É lógico que alguns clubes no Luxemburgo oferecem melhores condições para trabalhar esses jovens, mas isso acontece em todos os países. Os resultados nas seleções também melhoraram substancialmente graças a esse trabalho e também pelo facto de alguns jogadores ingressarem em centros de formação estrangeiros.

O apuramento histórico do F91 Dudelange para a fase de grupos da Liga Europa é o reflexo do trabalho desenvolvido no clube ou a imagem de uma evolução global a nível do futebol luxemburguês?

Das duas coisas. Mas importa recordar que, nos últimos anos, vários clubes têm conseguido bons resultados nas competições europeias. Fola, Progrès Niederkorn e FC Differdange, que esteve também quase a entrar na fase de grupos há uns anos, têm deixado uma imagem positiva do futebol luxemburguês na Europa. Naturalmente que o F91 Dudelange tem todo o mérito por ter sido a primeira equipa a disputar uma fase de grupos da Liga Europa e, como presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol, sinto-me feliz por isso. Mas o clube, como todos sabem, dispõe de meios financeiros que muitos outros no país não reúnem e isso tem uma importância relevante na obtenção dos resultados.

Foi eleito como presidente da FLF pelo terceiro mandato consecutivo. Tem novas ideias para colocar em prática nos próximos anos?

Tenho ideias novas porque continuo motivado e a gostar muito de futebol, ao qual tenho dedicado toda a minha vida. Estou consciente de que existem várias coisas para melhorar no futebol luxemburguês, mas é essencialmente sobre as melhorias a introduzir no trabalho da formação e nas competências dos treinadores que temos de investir. Basta ver o exemplo de outros países neste e outros domínios para percebermos que temos de continuar a trabalhar para evoluir.

Até quando pretende ficar à frente dos destinos da FLF?

Continuarei como presidente enquanto tiver saúde, sentir-me motivado para dar o melhor em prol do futebol luxemburguês e enquanto os clubes votarem em mim para desempenhar o cargo.

Tem pretensões futuras na hierarquia da UEFA?

Sou membro de uma comissão técnica da UEFA, onde falamos de assuntos diretamente ligados ao futebol, mas recentemente perguntaram-me sobre um eventual interesse da minha parte em candidatar-me às vagas para o comité executivo, em dezembro. Respondi que a minha principal prioridade é o trabalho no Luxemburgo porque sei que aqui ainda há muito para fazer. Além disso, penso que, estando de fora, podemos emitir de modo mais pertinente as nossas opiniões e críticas do que quando desempenhamos cargos de maior responsabilidade.

Quais são os principais problemas do futebol luxemburguês?

Podemos e devemos melhorar em todos os aspetos. A nível da formação, infraestruturas, qualidade do treino e dos treinadores, mas há um fenómeno que me inquieta e que está a passar-se um pouco por toda a Europa e de forma cada vez mais pronunciada. Existe em todos os países um grupo cada vez mais restrito de clubes que se tornam mais ricos e poderosos. Cada vez há mais dinheiro em jogo no futebol. Seja pelas qualificações para as fases finais do Campeonato da Europa, seja na Liga dos Campeões ou na Liga Europa. Um grupo de equipas de cada país, sobretudo de Alemanha, Inglaterra, Espanha, França e Itália, recebe somas exorbitantes para participar nas provas internacionais e os outros, que são em muito maior número, não recebem nada. Devia haver fundos de solidariedade destinados aos clubes mais desvaforecidos para poderem sobreviver dignamente. É importante proteger os clubes com menos meios, até porque muitos deles produzem grande quantidade de jogadores para reforçar os plantéis dos clubes mais importantes.

Esta é a melhor geração de jogadores que o Luxemburgo já teve?

Talvez, no que respeita à quantidade de talentos disponíveis. O Grão-Ducado teve sempre um ou outro jogador que se distinguia pontualmente em algumas equipas europeias conhecidas, mas esta geração tem vários talentos em campeonatos profissionais competitivos. Agora, existe mais escolha e um nível qualitativo mais homogéneo do que, por exemplo, na célebre campanha europeia na qual conseguimos dez pontos, e onde pontificavam Roby Langers, Guy Hellers ou Carlo Weis, os únicos profissionais que estavam muito acima dos outros na qualidade e tinham um papel preponderante na equipa. Hoje, as alternativas abundam e se um ou outro jogador não puder dar o seu contributo à equipa, a ausência poderá ser colmatada por outro sem o rendimento da equipa ser afetado.

A Islândia, um país que tem menos habitantes do que o Luxemburgo, é apontada como um exemplo de sucesso depois de ter conseguido marcar presença num Mundial e num Europeu. Poderá um dia o Luxemburgo seguir o exemplo islandês?

Muito dificilmente. A Islândia tem neste momento 130 jogadores que jogam fora do país e o Governo investiu muito no desporto de uma forma geral. Criou infraestruturas adequadas como campos cobertos e pavilhões, além de ter apostado também de forma significativa na qualificação dos treinadores e na formação. Existe todo um plano que levou anos a colocar em prática e que foi coroado de sucesso com a participação num Europeu e num Mundial, mas é uma realidade diferente da nossa.

Para quando a inauguração do novo estádio?

Espero que no final de 2019, mas acredito que o primeiro jogo se realize na primavera de 2020.

Admite que Portugal seria o adversário ideal para a inauguração?

Sem dúvida. Além de ser o campeão europeu, também por todas as razões que conhecemos e ligam os povos dos dois países. Falei com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, no último congresso da FLF no Luxemburgo e ele mostrou-se recetivo, sem no entanto ter confirmado. Creio que antes do Europeu de 2020 poderemos ter um Luxemburgo–Portugal no novo estádio.

Álvaro Cruz

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