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’Guerreiras’ portuguesas brilham no campeonato belga de futsal
Desporto 5 min. 06.12.2019 Do nosso arquivo online

’Guerreiras’ portuguesas brilham no campeonato belga de futsal

’Guerreiras’ portuguesas brilham no campeonato belga de futsal

Foto: Lex Kleren
Desporto 5 min. 06.12.2019 Do nosso arquivo online

’Guerreiras’ portuguesas brilham no campeonato belga de futsal

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
A formação feminina do Sparta Dudelange, composta por jogadoras portuguesas, lidera a classificação da Liga Francófona de Fotball en Salle no país vizinho. Não têm treinador, mas querem conquistar a taça e o campeonato que lhes fugiu por um ponto na época passada.

  “Estou muito orgulhosa desta equipa pela forma como se tem comportado ao longo deste último ano e meio na Liga Francófona de Football en Salle belga. Além da grande qualidade que as jogadoras revelam em campo, demonstram ser, também, um grupo solidário, humilde e que luta em cada jogo pela vitória como autênticas guerreiras”, enfatiza Cindy Peixoto, a responsável pela secção feminina de futsal do Sparta Dudelange.

A primeira e única equipa feminina de futsal do Luxemburgo foi criada em 2017 e atualmente lidera o campeonato da modalidade no país vizinho. Para poder disputar uma prova oficial, porque não existe nenhuma além da masculina no Grão-Ducado, o Sparta Dudelange fez uma parceria com o MF Union Arlon, clube belga, como explica Cindy.

“A ideia de formar esta equipa nasceu de um grupo de jogadores que já tinha jogado em Portugal. Como o futsal masculino se tem desenvolvido bastante no Luxemburgo nestes últimos anos, pensámos em criar, também, uma equipa feminina. Por uma questão de maior proximidade, estabelecemos contactos com várias equipas em França e na Bélgica e como o clube de Arlon demonstrou interesse, elaboramos um protocolo com eles para podermos jogar”, esclarece a dirigente que se congratula pela decisão.

“Tem sido uma experiência muito rica em vários aspetos. No ano passado, ficámos em segundo lugar no campeonato, apenas com uma derrota, e chegámos à final da taça que infelizmente perdemos. Mas a evolução da equipa tem sido enorme, facto que nos enche de orgulho e satisfação porque nem sequer temos treinador. A Ana Daniela, que jogou no União de Leiria, juntamente com a Sara, capitã de equipa, e a Sónia Fernandes, que jogou no Vitória de Guimarães, são as responsáveis pelos treinos e jogos”, revela a responsável da equipa que se desfaz em elogios às suas jogadoras.

“É difícil arranjar um treinador, mas felizmente o grupo é forte, tem trabalhado bem, com grande ambição, entreajuda e sentido de responsabilidade. Apesar das dificuldades, temos tido algumas ajudas por parte do clube e alguns patrocinadores. A equipa mantém-se unida e motivada e isso é o mais importante. Este ano, o nosso objetivo passa pela conquista da taça e do campeonato, mas sabemos que só com grande grande empenho e espírito de sacrifício vamos alcançá-lo”, precisa.

Gerir uma equipa de 15 raparigas com treinos bi-semanais e competições aos fins de semana não é fácil. Felizmente existem alguns apoios e como lembra Cindy “quem corre de gosto não cansa.”

“A equipa é composta por 15 jogadoras entre os 16 e os 40 anos. Temos de tudo um pouco no grupo. Algumas que jogavam futebol de onze, outras que jogavam futsal em Portugal e têm ajudado bastante as colegas, e ainda outras, mais novas, que nunca jogaram e estão aqui para aprender. É um grupo coeso que tem evoluído bastante e quer continuar a melhorar. Treinamos normalmente duas vezes por semana, às segundas e às quintas, mas nem todas as jogadoras podem estar sempre presentes devido ao trabalho, estudos e também às distâncias [há uma que vem de Grevenmacher] por que nem todas residem em Dudelange”, recorda.

“Esta equipa exige de cada uma de nós muitos sacrifícios e das nossas famílias. Não ganhamos nada. Jogamos pelo prazer, amizade e pelo orgulho em podermos iniciar um projeto que dentro de algum tempo possa dar lugar a um campeonato feminino no Luxemburgo. Gostava que outros clubes pudessem seguir o nosso exemplo e criar mais equipas femininas de futsal no país para desenvolver e incentivar a prática da modalidade e termos maior representatividade”, desabafa.

“Espero um dia poder disputar um campeonato feminino no Luxemburgo”

Ana Daniela assumiu no início desta época o cargo de jogadora-treinadora do Sparta. Ligada ao futebol desde os 9 anos em Portugal, chegou há dez ao Luxemburgo. Depois de passagens pelo futebol de onze na Marinha Grande, de onde é natural, e pelo futsal no União de Leiria, inicia aos 31 anos uma nova fase da sua carreira.

“Aceitei o cargo no início desta época essencialmente para ajudar a equipa. No ano passado passaram por cá dois treinadores, mas como no início do campeonato não tínhamos nenhum, convidaram-me para exercer o cargo e eu aceitei. O balanço tem sido positivo porque os resultados têm sido bons e a união do grupo é extraordinária. Existem, por vezes, algumas desavenças, mas acabamos por resolver tudo a bem. Resta-nos manter esta mentalidade e espírito de equipa para continuarmos na senda dos sucessos. Na época passada, pela prova que fizemos, esperávamos ganhar o campeonato, mas acabamos por ficar em segundo. Foi um balde de água fria para todas nós. Temos de aprender com os erros, ser humildes e continuar a trabalhar com disciplina e fair-play para depois colhermos os frutos do nosso esforço”, explica.

“O futsal é uma paixão e este projeto também. Espero um dia poder disputar um campeonato feminino no Luxemburgo. Nestes últimos anos a prova masculina tem tido uma grande evolução. Oxalá que daqui a uns anos o feminino possa, também, ser uma realidade porque é uma pena que num país como este não exista ainda uma prova feminina”, lamenta.

A experiente jogadora estabelece algumas diferenças entre a modalidade no Luxemburgo e em Portugal e alerta: “É um mundo à parte. Existem muitas diferenças logo a começar pela base, nas escolas. Aqui, ainda estamos bastante atrasados em muitas coisas. Tem de ser feito um trabalho estruturado, mas acho que vai valer a pena se os responsáveis da federação assumirem as suas responsabilidades”, conclui.

Sara Reis é a capitã e uma das jogadoras mais velhas da equipa, que ajudou a fundar. A líder da formação do Sparta mostra-se confiante nas capacidades do grupo para conquistar esta época o campeonato e a taça.

“As coisas estão a correr bem, mas temos de continuar a trabalhar com grande dedicação como até aqui. O empenho e a união por parte do grupo são evidentes nos resultados que se traduzem por vitórias que acabam por nos fortalecer ainda mais na conquista dos nossos objetivos”, vincou.

A cidade grega de Esparta moldou dos maiores, mais capacitados e temidos guerreiros da antiguidade. Oxalá este facto possa funcionar como inspiração para as jogadoras de Dudelange que querem conquistar o campeonato belga e fazer história. 


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