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Geraint Thomas: do castigo aos ouros olímpicos antes de ganhar o Tour
Desporto 5 min. 29.07.2018

Geraint Thomas: do castigo aos ouros olímpicos antes de ganhar o Tour

Geraint Thomas: do castigo aos ouros olímpicos antes de ganhar o Tour

Foto: AFP
Desporto 5 min. 29.07.2018

Geraint Thomas: do castigo aos ouros olímpicos antes de ganhar o Tour

Paulo Pereira
Paulo Pereira
Perfil do galês que foi campeão do mundo júnior em pista aos 17 anos e segue a seleção de râguebi até em streaming no seu telemóvel. Hoje vai consagrar-se como o terceiro britânico a vencer a Volta a França.

Como um galês típico, é um seguidor atento de râguebi e não costuma perder jogos da seleção no Torneio das Seis Nações, inclusive via streaming no seu telemóvel. Durante a maior parte do ano, vive no Mónaco, tal como Chris Froome, a maior parte da equipa Sky e outros atletas de alta competição. Sara Elen, a mulher, é parte fundamental da sua vida e nunca deixam de ter tempo para estar juntos, sobretudo em Cardiff onde nasceram, se conheceram e acabaram por casar-se há três anos. Quem o conhece sabe que gosta de estar com família e amigos e, nos momentos de celebrar, é a alma de todas as festas. Mas, quando se trata de treinar ou competir, não pensa noutra coisa que não sejam as bicicletas. Aos 32 anos, Geraint Thomas confirmou a ideia de que será um britânico a vencer a Volta a França deste ano, mas não aquele que se previa. 


Geraint Thomas vai ter direito à consagração este domingo em Paris como vencedor da Volta a França.
Geraint Thomas vai ter direito à consagração este domingo em Paris como vencedor da Volta a França.
Fotos: AFP

Quanto mais se tenta antecipar a vitória de um determinado candidato numa prova desportiva mais o resultado final acaba por ser diferente. O que vai concretizar-se hoje, na 105ª edição do Tour, é apenas mais uma confirmação de que as previsões em desporto fazem pouco sentido. Sim, é um britânico que vai estar no mais elevado lugar do pódio da Volta a França. Mas não, não é Chris Froome, e sim o seu companheiro de equipa Geraint Thomas quem arrebata o prémio de meio milhão de euros destinado ao vencedor. Inesperado? Não. 


Thomas tem 32 anos, foi campeão mundial de pista como júnior e ganhou ouro olímpico por duas vezes em provas de perseguição por equipas: 2008 e 2012.
Thomas tem 32 anos, foi campeão mundial de pista como júnior e ganhou ouro olímpico por duas vezes em provas de perseguição por equipas: 2008 e 2012.
Foto: AFP

Lembrar o passado recente é ver como Thomas se treinou de forma árdua no sul de França e no norte de Itália, trabalhando depois de forma incansável para que Froome acumulasse quatro triunfos no Tour. Para trás estavam momentos de evidência como os títulos olímpicos de 2008 e 2012 na variante de perseguição por equipas ao lado, por exemplo, de Bradley Wiggins, vencedor do Tour em 2012 ou, este ano, a vitória no Dauphiné. 


Ao vencer a 11ª etapa, que terminou em La Rosière, o galês conquistou a camisola amarela e não mais a largou.
Ao vencer a 11ª etapa, que terminou em La Rosière, o galês conquistou a camisola amarela e não mais a largou.
Foto: AFP

No mundo das bicicletas começou com 10 anos, apoiado sem pressão pelos pais. Quatro anos depois já encantava e aos 17 era uma das maiores promessas do ciclismo britânico, ganhando o título mundial de juniores. Foi aí que Rod Ellingworth, seu treinador e agora responsável técnico da equipa Sky, iniciou o trabalho com Thomas, primeiro na área das pistas. "Percebi depressa que tinha a mentalidade de um campeão e era diferente dos outros", contou o técnico ao site Velonews. "Não foi preciso prepará-lo mentalmente para as exigências do universo das corridas".

Cerveja a mais e um castigo exemplar

"Se tivesse de viver o ano inteiro como um monge não aguentaria", confessou Thomas ao site cyclista.co.uk em 2015. De facto, fora das corridas é um apreciador de cerveja que costuma ser peça central nas festas. Em tempos até demasiado: Ellingworth admitiu ao Velonews que, por vezes, foi preciso "carregá-lo em braços" para o ajudar a sair de alguns bares. 


Fora das corridas, o britânico gosta de estar com a família e os amigos. E não perde uma boa cerveja fresca...
Fora das corridas, o britânico gosta de estar com a família e os amigos. E não perde uma boa cerveja fresca...
Foto: AFP

E, num episódio de exagero, teve a punição que o treinador considerou adequada – em 2005, saiu com companheiros da British Cycling Academy para festejar o 19º aniversário e ver a apaixonante final da Liga dos Campeões entre Liverpool e Milan (os ingleses, que perdiam ao intervalo por 3-0, empataram e iriam vencer nos penalties). Beberam demasiado e, quando deram por isso, estavam a voltar fora de horas para o local de concentração da equipa. "Não o deixei participar no Grande Prémio do País de Gales que ele ganhara no ano anterior e queria muito correr. Ficou furioso comigo, mas nunca mais repetiu uma coisa do género", lembrou Ellingworth, citado pelo Velonews. Nesse mesmo ano, um susto levou-o à mesa de operações: treinava-se em Sydney, na Austrália, quando o ciclista que seguia à sua frente passou sobre um pedaço de metal que o atingiu e lhe causou uma hemorragia interna, obrigando à remoção do baço (outras lesões incluem a fratura da pélvis com que chegou ao fim no Tour de 2013 ou uma clávicula partida após queda que o levou a desistir da prova no ano passado). 


Geraint Thomas deixou várias demonstrações de força ao longo do Tour.
Geraint Thomas deixou várias demonstrações de força ao longo do Tour.
Foto: AFP

Agora, tantos anos depois, vai ser o terceiro britânico a ganhar a Volta a França, depois de Wiggins (2012) e de Froome (2013, 2015, 2016 e 2017) – tudo junto, são seis das últimas sete edições da prova para ciclistas que falam inglês e todos com a camisola da Sky. Um domínio que lhes valeu assobios e apupos durante esta edição quando Thomas se tornou o primeiro britânico a ganhar a mítica etapa no Alpe d'Huez. "As pessoas têm direito a expressar as suas opiniões por muito que isso nos desagrade. Desde que não interfiram na corrida, por mim estão à vontade", disse à imprensa. Geraint Thomas era, afinal, também vítima das dúvidas que muitos colocaram sobre a participação de Froome, depois do processo acerca dos elevados níveis de salbutamol (o dobro do permitido) num teste da urina deste após a 18ª etapa da Vuelta em 2017, prova que viria a ganhar.


Thomas tornou-se o primeiro britânico a vencer a etapa do mítico Alpe d'Huez.
Thomas tornou-se o primeiro britânico a vencer a etapa do mítico Alpe d'Huez.
Foto: AFP

"É óbvio que quero muito ganhar, mas, afinal, são só corridas de bicicletas, não é a mesma coisa que ir para o Afeganistão. Isso sim, é qualquer coisa de muito duro, portanto, somos uns privilegiados por estar aqui", reconheceu ao Velonews. Estar aqui, conforme disse, vale agora a histórica vitória na Volta a França e um prémio no valor de 500 mil euros, fora os dos triunfos em etapas ou do bónus diário pela camisola amarela.    

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