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Futuro do futsal nas mãos da justiça federativa
Federação Luxemburguesa de Futsal deverá tomar a decisão final ainda esta semana sobre o campeonato de futsal e em que condições a competição vai continuar.

Futuro do futsal nas mãos da justiça federativa

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Federação Luxemburguesa de Futsal deverá tomar a decisão final ainda esta semana sobre o campeonato de futsal e em que condições a competição vai continuar.
Desporto 3 min. 15.05.2019

Futuro do futsal nas mãos da justiça federativa

Álvaro Cruz
Álvaro Cruz
A continuidade da competição parece não estar comprometida, mas é fundamental erradicar cenas de violência que continuam a manchar a modalidade, esmagadoramente praticada por portugueses.

O Conselho de Administração da Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF) reuniu-se na segunda-feira, mas não se pronunciou sobre as sanções aplicadas pelo Tribunal Federal ao FC Differdange na sequência dos incidentes que mancharam o primeiro jogo da final do campeonato nacional de futsal, no pavilhão de Oberkorn, no dia 5 de maio.

Na reunião que se realizou na semana passada, o Tribunal Federal da FLF decidiu suspender a secção de futsal do FC Differdange até 31 de agosto de 2019 e aplicou ainda pesadas sanções pecuniárias ao clube e a três dos seus jogadores: João Guedes foi suspenso por seis jornadas, por agressão, e 50 euros de multa. Daniel Garrido, suspenso por 14 jornadas por agressão acrescida de lesão e 150 euros de multa, e Manuel da Rocha, que foi suspenso por dez jornadas por agressão e 100 euros de multa.

Além da suspensão até 31 de agosto, o clube vai ainda pagar multas que ultrapassam os 2.000 euros: 750 euros por comportamento antidesportivo, 750 euros por arremesso de objectos, 350 euros por infracção dos estatutos e regulamentos pelos clubes e sócios e 179,5 euros por impedimento do curso normal do jogo.

O Tribunal Federal da FLF decidiu ainda atribuir a vitória ao Racing por 3-0.

FC Differdange interpõe recurso

Face aos castigos aplicados pela FLF, o FC Differdange decidiu recorrer das penas para o Tribunal Superior da FLF (Cour d’Appel). Filipe Costa, responsável do clube disse ao Contacto não compreender "a razão de apenas os jogadores de Differdange terem sido punidos. Parece que estávamos a jogar sozinhos", lança com ironia.

"Interpusemos recurso e vamos esperar pela resposta dos órgãos competentes da FLF. Assuminos a nossa quota parte de culpa nos incidentes, mas até os jogadores nem sabiam de deviam rir ou chorar quando leram os castigos. Também não compreendo a suspensão até 31 de agosto, mas, enfim... vamos aguardar pela resposta e depois tomar as medidas que acharmos adequadas", concluiu.

Racing sente-se lesado

Por seu turno, Tiago Fernandes, diretor desportivo do Racing Futsal, também se mostrou desagradado pelo facto de a fase final ter sido suspensa com efeito imediato pelo Conselho de Administração da FLF: "Não posso concordar porque a nossa equipa limitou-se a jogar. O nosso capitão de equipa, depois de ter sido agredido, foi o primeiro a pedir aos colegas que não respondessem da mesma forma", sublinha.

"Temos de uma vez por todas de colocar um ponto final a estas cenas lamentáveis de violência. Estas últimas e todas as outras que infelizmente têm manchado a modalidade por culpa de gente que não merece estar num recinto desportivo. Já não é a primeira vez que isto acontece com o FC Differdange. Primeiro, foi na final da taça, depois, na fase de apuramento da Liga dos Campeões e agora, de novo. Isto tem de acabar", lamenta.

Quem também se insurgiu contra a FLF foi Karine Reuter, que numa carta aberta à FLF defende que a suspenção do campeonato é "injusta, injustificável, errada e prejudica gravemente o futebol luxemburguês, em geral, e o futsal, em particular", dirigindo-se, também, ao Conselho de Administração da FLF, lembrando que "quando jogadores federados cometem atos de violência física têm de ser punidos, tanto a nível federal como penal" e não as vítimas, qualificando a decisão de "desmesurada e ilegal" e acusa a FLF de ter "ultrapassado as suas competências" à revelia dos próprios regulamentos internos.

Traversini ameaça retirar recintos a clubes

Por último, Roberto Traversini, presidente da edilidade de Differdange, também se mostrou revoltado com as cenas de violência no pavilhão de Oberkorn e deixou um aviso: "A violência não tem lugar no desporto. E não falo só do futsal, mas do desporto em geral. Vamos ter uma reunião com os responsáveis das equipas desportivas e se tiver que privar uma ou outra equipa de ter recinto para jogar, faço-o sem hesitar. O desporto é fator da união e aproximação das pessoas. Acompanho atividades desportivas há décadas e sei do que estou a falar. Chega. Não vou tolerar mais atos destes na comuna de Differdange", rematou.

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