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Futsal. Agressor do FC Wiltz arrependido

Futsal. Agressor do FC Wiltz arrependido

Foto: Bongarts/Getty Images
Desporto 5 min. 13.02.2019

Futsal. Agressor do FC Wiltz arrependido

Álvaro Cruz
Álvaro Cruz
Dois jogadores do FC Wiltz suspensos por três meses e dois anos e meio, respetivamente, e multas pecuniárias elevadas foram as penas que a comissão arbitral da FLF ditou na sequência das agressões em Wilwerwiltz.

"Estou arrependido, claro que estou arrependido. Aliás, senti isso imediatamente após tudo o que aconteceu. Fui sentar-me no banco e fiquei a pensar no que tinha feito”: a confissão é de João Marcos Soares, jogador do FC Wiltz que apanhou dois anos e meio de suspensão na sequência do empurrão que deu ao árbitro Luís Letra no final do jogo de futsal entre o Wilwerwiltz e o FC Wiltz. “Agora, infelizmente, tenho de arcar com as consequências do ato irrefletido e aceitar o meu erro. Vou estar ausente da competição, que é uma das coisas que mais amo na vida, durante mais de dois anos", lamenta João com amargura.

"Vou retirar as conclusões de toda esta situação. Os erros também nos ajudam a crescer na vida, vou ser forte e levantar-me. Garanto que depois da minha suspensão vou voltar mais forte", conclui o jovem jogador de 23 anos que foi suspenso por dois anos e meio, até 27 de julho de 2021, além de ter de pagar uma multa de 750 euros.

O Contacto não conseguiu falar com Bryan Araújo, jogador do FC Wiltz que tirara um cartão da mão do árbitro e, por isso, foi suspenso por três meses e meio, até 27 de abril, tendo de pagar uma multa de 300 euros.

Luís Melo, treinador do FC Wiltz, também falou ao Contacto na sequência dos castigos aplicados aos seus jogadores e ao clube e lamenta os acontecimentos. "Estamos tristes. São atos que não dignificam o desporto e neste caso concreto o futsal, uma das modalidades mais populares no Luxemburgo", reconhece.

O caso remonta a janeiro passado, que começou com a agressão ao árbitro Luís Letra no jogo Wilwerwiltz-Wiltz (Liga 2). A partir daí, generalizou-se a confusão, chegando mesmo a haver intervenção policial. A Federação decidiu suspender os dois campeonatos.

Sobre o empurrão dado pelo seu jogador ao árbitro e que gerou toda a confusão, mostra-se taxativo: "Não vi o meu jogador dirigir-se ao árbitro quando o empurrou. Se tivesse visto, faria tudo para o impedir, mas depois gerou-se a confusão geral com a invasão de campo e tudo ficou fora de controlo", argumenta.

Sobre as penas aplicadas a João Soares e Bryan Araújo, o treinador do FC Wiltz considerou-as "pesadas", sobretudo a de João Soares: "É uma pena isto ter acontecido. Dois anos e meio é muito tempo. Penso que seis meses era mais justo. São dois jogadores importantes para a equipa. Chegaram ao clube na pausa de inverno para reforçar a equipa e agora aconteceu isto", lamenta. No entanto, o técnico da formação nortista garante que o clube "vai retirar as ilações que se impõem" e mostrar no jogo das meias finais da Taça do Luxemburgo, frente à US Esch, dia 24 de março, que "defende a modalidade e será um digno representante dos clubes da segunda Liga na prova", assegura.

"Estou aqui para ajudar o FC Wiltz a representar de forma digna o norte do país no futsal do Grão-Ducado e a desenvolvê-lo da melhor forma possível", garante.

"Só queremos tranquilidade"

Paulo Brandão, presidente do Wilwerwiltz, também reagiu às penas aplicadas pela comissão arbitral da FLF e à multa de 575 euros imputada ao seu clube que considerou elevada. "Os dois jogos à porta fechada temos de aceitar porque era muito difícil controlar a confusão que se gerou e depois a invasão de campo. Como jogávamos em casa, é normal. Mas a multa é, no nosso entender, muito elevada", considera.

Sobre os castigos aplicados aos jogadores do FC Wiltz, Brandão é esclarecedor: "Não quero comentar as penas aplicadas aos jogadores deles. A comissão arbitral aplicou as penas que entendeu serem justas e, sobre isso, embora considere que não são um exemplo para ninguém, não quero tecer mais comentários", esclarece.

"Apenas queremos tranquilidade. Depois do que aconteceu, necessitamos de paz e sossego para nos concentrarmos no nosso objetivo que é a subida de divisão. Tudo o resto queremos deixar de lado, porque as polémicas não nos levam a lado nenhum", resume.

No entanto, o responsável máximo do Wilwerwiltz lamenta ainda que o treinador do FC Wiltz "tivesse ficado impune depois das agressões que cometeu em vez de acalmar a situação", acusa.

"Perguntem quem atirou a garrafa para dentro do campo que originou a confusão", sugere. "Se ele tivesse controlado os jogadores quando o oficial de segurança entrou em campo para afastar os jogadores do árbitro, as coisas teriam sido diferentes. Depois, foi a confusão total e tornou-se impossível controlar a situação como toda a gente viu", afirma.

"No final do jogo vi o João muito perturbado e disse-lhe para ir ao balneário do árbitro e pedir-lhe desculpa para tentar remediar a situação. Ele foi e falou com o árbitro. Esta é uma das provas de que queríamos tentar remediar as coisas da melhor forma, mas o mal já estava feito", explica.

Estando o clube primeiro lugar da Liga 2, em igualdade pontual com a ALSS, os dirigentes querem agora olhar em frente e focar-se no campeonato. "Vamos dar o nosso melhor para na próxima época estarmos entre a elite da modalidade no Luxemburgo. As polémicas não nos interessam", remata.

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