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Futebol. Jogador português do Lasauvage punido com 12 anos de suspensão
Desporto 3 min. 23.10.2019

Futebol. Jogador português do Lasauvage punido com 12 anos de suspensão

Futebol. Jogador português do Lasauvage punido com 12 anos de suspensão

Foto: LW
Desporto 3 min. 23.10.2019

Futebol. Jogador português do Lasauvage punido com 12 anos de suspensão

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
André Pinto foi castigado na sequência de uma alegada agressão ao árbitro no jogo da série 2 da segunda divisão entre as equipas do FC Minière Lasauvage e do Red Boys Aspelt, disputado a 29 de setembro.

“Estamos a pagar o preço de no clube sermos, praticamente, todos portugueses. Este castigo é extremamente pesado para o que se passou realmente no jogo contra o Red Boys Aspelt. O nosso jogador não agrediu o árbitro como muitos o acusam. A Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF) tem dois pesos e duas medidas. Recentemente, passaram-se casos semelhantes com outros clubes e as penas foram mínimas”, argumenta, agastado, Michel Ribeiro, presidente do FC Minière Lasauvage.

E o dirigente luso insiste, lamentando-se: “Não temos que nos calar. Estivemos na sede da FLF e o que dissemos nãofoi levado em conta. Apenas o relatório do árbitro e os depoimentos dos dirigentes e jogadores do Aspelt contribuiram para os castigos aplicados pelo Tribunal Federal”, precisa. Sobre a alegada agressão, explicou: “O nosso jogador teve uma disputa de bola mais dura com um jogador deles e o árbitro marcou falta contra nós. Depois, houve uma altercação entre vários jogadores e quando o juiz da partida levou a mão ao bolso para tirar os cartões, o nosso jogador colocou a sua mão na mão do árbitro e não deu nenhuma cabeçada como disseram. Não é justo”, reclama visivelmente irritado.

“Há má vontade contra nós”

“O jogo estava empatado 1-1 e até ao momento da expulsão não se tinha verificado nada de especial. Estávamos a dominar o encontro e a tentar chegar à vitória, mas o árbitro quis ser o grande protagonista e estragou tudo. Não soube gerir o jogo. Para além disso, saiu do campo com os jogadores do Aspelt e alguém me disse ainda que foi jantar com eles. Lamento dizer, mas há má vontade contra nós. Está mais que provado.”

Além da suspensão de 12 anos, até 2031, André Pinto foi multado pelo Tribunal Federal em 891 euros. O jogador, que já já tinha sido suspenso por 11 jogos há uns anos, voltou às malhas da justiça da FLF, desta vez de forma bastante contundente.

Michel Ribeiro condena a violência nos campos de futebol e esclarece que André Pinto já tinha sido afastado do clube quando apanhou os onze jogos de suspensão: “Depois disso, ele foi pai e voltou a jogar sem problemas. Mas desta vez tenho que defendê-lo. Ele não agrediu o árbitro. A confusão deu-se após a amostragem dos cartões sem qualquer critério” explica, revelando que o clube já uma solução para o futuro.

“A partir de agora vamos filmar todos os jogos que disputarmos. É a melhor solução. Se nos acusarem de alguma coisa, mostramos as imagens”, diz o dirigente máximo do Lasauvage, no clube desde 2013.

“Estamos em último lugar, mas não o merecemos. Temos equipa para ocupar lugares mais tranquilos e tudo vamos fazer para dar a volta por cima. Não é a classificação que nos deixa revoltados, mas sim a forma como muitas vezes somos tratados. Querem-nos atribuir o papel de ’maus da fita’, a meu ver, injustamente”, reclama Michel em tom de revolta.

“A FLF precisa de sangue novo e dirigentes de qualidade. Muitos desles estão há demasiado tempo nos respetivos lugares, agarrados ao poder, e isso tem que mudar”, acusa.

“Pena justificada”

Charles Schaack, presidente do Conselho de Arbitragem da FLF, condenou a agressão sofrida pelo árbitro, sublinhando que “estas situações são lamentáveis e não podem acontecer. São exemplos deploráveis que marcam negativamente o futebol. O Tribunal Federal aplicou a pena justa em conformidade com o que se passou. O árbitro nem pôde ir trabalhar no dia seguinte”, justificou.

“É uma condenação para a vida de um futebolista que fica marcada para sempre. Os dirigentes do Lasauvage contestaram a agressão ao árbitro, mas os testemunhos foram conclusivos, infelizmente.”

Sobre a escassez de árbitros que o Luxemburgo tem sofrido nos últimos, Schaack foi peremtório: “Com exemplos destes, é lógico que a situação dificilmente poderá melhorar. O recrutamento tem-se feito lentamente, mas muitos dos jovens árbitros ao fim de poucos meses queixam-se que o meio é violento e que verbalmente as agressões surgem com grande frequência, por vezes injustificadamente. Muitos dos que criticam, nem conhecem as leis de jogo que sofreram várias alterações recentemente”, recorda.

Mas, para o responsável da arbitragem, “muitos utilizam as redes para incendiar mais a situação com comententários pejorativos, ridículos e desajustados e que não podem ser punidos. As pessoas têm que compreender que essa não é a forma de se encontrar a solução para os problemas”, lamentou. 

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