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Euro-2020. Portugal ao ataque na defesa do título
Desporto 5 min. 11.06.2021
Futebol

Euro-2020. Portugal ao ataque na defesa do título

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Euro-2020. Portugal ao ataque na defesa do título

Desporto 5 min. 11.06.2021
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Euro-2020. Portugal ao ataque na defesa do título

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
A equipa de Fernando Santos joga com Hungria, Alemanha e França: o grupo é forte, a esperança também.

França 2000, Grécia 2004, Espanha 2008, Espanha 2012, Portugal 2016. Há aqui uma coincidência geográfica fora do comum, só países do sul conquistam o Europeu a partir do bug do milénio. E agora, quem se segue? Itália?

 É candidata, claro. E é curioso falarmos da Itália, um caso sui generis pelo único título de campeão europeu (1968) em contraste com o estatuto de tetracampeã mundial (1934, 1938, 1982, 2006). Também é curioso falarmos da Itália, a única selecção a beneficiar da moeda ao ar para ganhar um jogo. Acontece em 1968, no San Paolo, casa do Nápoles. A URSS defende-se com tudo e adia o 0:0 até aos 120 minutos. À falta de desempate de penáltis, a moeda ao ar. O árbitro alemão Tschenscher chama os dois capitães para o seu balneário e os três intervenientes desaparecem de cena. Tudo em suspense, qual filme hitchcockiano. Facchetti, lateral-esquerdo com o número 10 nas costas, e Shsterneyov, avançado-centro com o 18, dizem de sua justiça. A moeda vai ao ar e encalha na dobradiça do pavimento. É preciso um segundo lançamento. Facchetti mantém ‘testa’ (cara). O árbitro faz o movimento e, acto contínuo, Facchetti aparece no relvado com os braços no ar em sinal de vitória.

 Caaaalma, ainda há mais. A final é vs Jugoslávia, em Roma, onde hoje Itália e Turquia marcam o arranque para o Euro-2020. O Olímpico enche-se como um ovo e, surpresa das surpresas, a RTP transmite o jogo. É o primeiro jogo de sempre da história dos Euros a dar em directo na televisão portuguesa. Acaba 1:1, após prolongamento. Desta vez, à falta de penáltis, já não se faz a moeda ao ar. Crueldade por crueldade, mais vale um jogo de repetição. Dois dias depois, novamente no Olímpico, as duas selecções esgrimem argumentos e sai-se melhor a Itália, por 2:0. Acredite, daí para cá, a Itália nunca mais pesca nada. Se bem que é anfitriã do Euro-80, eliminada pela Bélgica ainda na fase de grupos num 0:0 apitado pelo português António Garrido. No Euro-2000, final ingloriamente perdida para a França com o golo de ouro de Trezeguet. No Euro-2012, final de sentido único para a Espanha (4:0), ao ponto de Casillas ter passado o tempo de descontos a pedir ao árbitro português Pedro Proença para acabar com a movida.

 E agora? A Itália respira saúde, treinada por Mancini, autor do golo inaugural do Euro-88, vs RFA, na última vez em que a azzurra participa no jogo de abertura. Na qualificação, a Itália passa a ferro toda e qualquer adversidade a avaliar pelas 10 vitórias em outros tantos jogos mais 37:4 em golos (melhor melhor só a Bélgica, também 10 em 10 e ainda 40:3 em golos). Na despedida, 9:1 vs Arménia em Palermo, com sete marcadores entre Immobile, Zaniolo, Barella, Romagnoli, Jorginho, Orsolini e Chiesa.

 E mais, e mais? Ainda pelo Mediterrâneo, há a Espanha sem qualquer jogador do Real Madrid e a França de olho na repetição de 1998-2000, altura em que o capitão Deschamps levanta a taça do Mundial e a do Europeu. Agora é o seleccionador Deschamps a querer aliar o Euro à conquista do Mundial-2018. O plantel é bom, óptimo, formidable. O 10 é Mbappé, o melhor sub23 do mundo. Calha-lhe é o grupo mais complicado de todos os seis na fase final mais esquisita da história dos Europeus. Como forma de homenagear os 60 anos da competição, a então UEFA liderada por Platini opta por um Euro ao estilo interrail em 12 países. A pandemia adia o evento e emagrece o contingente para 11. Onze cidade de onze países recebem o Euro, com 24 selecções em 52 inscritas. Quer isso dizer, o evento em si só tem graça a partir dos oitavos-de-final. A fase de grupos é como se fosse um prolongamento da fase de qualificação. Daí o interesse no grupo F, o único a reunir equipas de alto gabarito como França, Alemanha e Portugal.

 Pois é, Portugal. Campeões em título, jogam com Hungria (dia 15 em Budapeste), Alemanha (19 em Munique) e França (23 em Budapeste). Se ganharmos o primeiro, é mais de meio caminho andado para chegar à fase seguinte. Sim, os quatro melhores terceiros passam e Portugal com Ronaldo (melhor marcador do campeonato italiano), André Silva (segundo melhor marcador da Alemanha) e Bruno Fernandes (terceiro melhor marcador da Inglaterra) defende um passado, o de única selecção com sete fases finais sem nunca cair na fase de grupos. À oitava é de vez? O grupo é forte, a esperança também. Agarremo-nos também à fé inabalável de Fernando Santos, um dos treinadores portugueses em prova. O outro é Paulo Sousa. Com o Bola de Ouro e o Bota de Ouro Lewandowski, a Polónia tem sempre uma palavra a dizer num grupo com Espanha, Suécia e Eslováquia.

 Seja como for, e aqui para nós que ninguém nos ouve, a final está longe de ser entre dois países do sul. E a explicação é simples: Sporting é campeão nacional, Braga vence a Taça de Portugal. Na única vez que tal sucede, em 1966, dá Inglaterra e RFA na final do Mundial. Onde? Wembley. E a final do Euro-2020 é onde? Ah pois é. Se assim fosse, seria o primeiro título de campeão europeu para a Inglaterra, algo aceitável numa época em que três clubes da Premier League preenchem as finais europeias (City vs Chelsea na Liga dos Campeões, Villarreal vs United na Liga Europa). Football is coming home?

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