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FC Porto, o finalista justo (e esperado)
Opinião Desporto 4 min. 22.04.2022
Taça de Portugal

FC Porto, o finalista justo (e esperado)

Sanusi do FC Porto em ação contra o guarda-redes Adán, do Sporting, nas meias-finais da Taça de Portugal, no estádio do Dragão, a 21 de abril.
Taça de Portugal

FC Porto, o finalista justo (e esperado)

Sanusi do FC Porto em ação contra o guarda-redes Adán, do Sporting, nas meias-finais da Taça de Portugal, no estádio do Dragão, a 21 de abril.
Foto: Estela Silva/Lusa
Opinião Desporto 4 min. 22.04.2022
Taça de Portugal

FC Porto, o finalista justo (e esperado)

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Mais uma vitória vs Sporting, agora 1:0 do suplente Toni Martínez, num clássico quase de sentido único na direcção da baliza de Adán.

Sem espinhas. O FC Porto faz jus ao factor casa e à vantagem de 2:1 na primeira mão para reservar o bilhete rumo ao Jamor, vs Tondela, no dia 22 Maio. Basta-lhe um golo para conferir superioridade total sobre o seu maior (único?) adversário em 2021-22 numa noite de chuva intensa no Dragão e com o Sporting bastante aquém do seu futebol, traído pelos nervos e mais tremido que nunca pela derrota em casa vs Benfica no domingo de Páscoa.

O jogo em si é um hino ao disparate. Pepe simula uma falta na linha de fundo antes do primeiro minuto e indica o caminho a outros fiteiros. Sarabia, Evanilson, Ugarte, Otávio, Matheus Reis, Grujic, Porro. É um desfile sem pés nem cabeça entre mergulhos e quedas teatrais. Ups, Evanilson outra vez. E mais um. Tssss tssss, que artistas. Por um lado, dificultam a tarefa do árbitro Nuno Almeida. Por outro, atiram lenha para uma fogueira já bem quente pelos antecedentes do último clássico no Dragão (2:2 para a 1.ª divisão) e respectivos castigos, saídos a lume na antevéspera do jogo na enésima demonstração de falta de sensibilidade e bom senso de quem manda e supostamente mete ordem no mundo da bola em Portugal.

Mais confortável na eliminatória, pelo 2:1 na 1.ª mão no José Alvalade, o Porto joga à vontade e sem pressa. Bastas vezes se nota o pedido de calma entre os centrais Mbemba e Pepe, seja na reposição de bola, seja num lance tranquilo à defesa. O Sporting entra mal, sem jeito. Neto erra passes em zonas proibidas, Gonçalo Inácio idem idem. Só Coates foge ao aspas aspas, senão é via aberta para a baliza de Adán.

Já agora, tanto o espanhol como o argentino Marchesín passam ao lado do jogo na primeira parte. Pouco ou nenhum trabalho, só a atenção de sempre às jogadas. O único momento de frisson é aos 38’ num lance de contra-ataque portista em que o lateral nigeriano Zaidu aparece isolado. Dono da bola, o lateral nigeriano atira à saída de Adán com o pé esquerdo e falha o alvo por alguns centímetros – ali, naquela zona, e com tempo para tudo, pede-se mais qualidade.

Ao intervalo, 0:0 em tudo. Na segunda parte, o Sporting cria o primeiro sinal mais com uma descida oportuna de Matheus Nunes a passe de Matheus Reis. Resolve bem Marchesín, com a mancha. A partir daí, o Porto acorda e cresce em volume de jogo. Nem tem comparação, é outra equipa, mais ofensiva, mais aguerrida. O Sporting vê-se em palpos de aranha para acompanhar o ritmo e sucedem-se os remates para Adán. Nesse particular aspecto, Vitinha e Fábio Vieira ajeitam a mira uma e outra vez. O melhor que conseguem é incomodar Adán, sem grande aparato.

De repente, entramos nos últimos 10 minutos e o Sporting ainda tarda em sair do colete de forças. Até Marchesín aquece fora da sua área e, às vezes, recebe a bola para brincar com os seus companheiros da defesa. É também o resultado de um Porto mais subido, mais afoito. Rúben Amorim bem tenta dar gás com a entrada de Edwards, só que o inglês é tímido na abordagem. Muito pelo contrário, o jóquer portista Toni Martínez entra e, um minuto depois, acaba com qualquer dúvida sobre o finalista da Taça de Portugal. A jogada é sujeita ao VAR porque o espanhol aparece isolado e engana de tão supersónico na desmarcação. Vistas bem as coisas, Toni parte sete centímetros em jogo ao lançamento longo de Pepe, quase na linha do meio-campo, e o resto é um mimo: domínio com a parte direita, agarrado na camisola por Gonçalo Inácio, e remate com o esquerdo, sem hipótese para Adán.


Conta-me como foi da bola
Efemérides e histórias caricatas do futebol pelo jornalista Rui Miguel Tovar.

O Sporting recebe mal o golo e desorienta-se mais ainda. Zaidu arranca um pontapé cruzado a rasar o poste e, depois, Porro é expulso por entrada ao calcanhar do recém-entrado Galeno. Nada a dizer, o vermelho directo de Nuno Almeida é o indicado. O problema é o que se segue, porque o lance é aparatoso, porque Galeno está a contorcer-se com dores no chão e porque os adeptos portistas arremessam tudo e mais alguma coisa na direcção do banco do Sporting. Há confusão, claro, sobretudo entre os suplentes do Sporting e os titulares do FC Porto. Voam bocas, ‘és uma vergonha’ na direcção de Pepe é a única publicável.

Os restantes minutos são uma troca de insultos verbais e físicos. Voltamos ao início, com mergulhos e quedas teatrais mais insultos. Quando Nuno Almeida apita para o fim, o Porto festeja mais uma presença na final da Taça de Portugal, a quarta na carreira de Sérgio Conceição, vencido em 2015 e 2019, vencedor em 2020, ano da última dobradinha portista. Talvez se faça um f5 nesta afirmação no domingo 22 Maio, dia do Porto vs Tondela.

Sob a arbitragem de Nuno Almeida, eis os actores principais e secundários do clássico: 

FC Porto - Marchesín; Pepê, Pepe (cap), Mbemba e Zaidu; Otávio, Grujic, Vitinha e Fábio Vieira (Eustáquio 90’+2); Evanilson (Toni Martínez 81’) e Taremi (Galeno 88’)

Treinador Sérgio Conceição (português)

Sporting - Adán; Neto (Esgaio 56’), Coates (cap) e Gonçalo Inácio; Porro, Matheus Reis, Ugarte (Palhinha 86’) e Matheus Nunes; Sarabia (Edwards 71), Paulinho e Pedro Gonçalves (Nuno Santos 86’)

Treinador Rúben Amorim (português)

Marcadores - 1:0 Toni Martínez (82’)

Indisciplina - expulsão do sportinguista Porro (88’, vermelho directo)

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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