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FC Porto campeão na única época do Vizela
Desporto 4 min. 04.08.2021
Conta-me como foi da bola:

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Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Seis equipas do Minho em 18 é só um dos aliciantes da 1.ª divisão 2021-22, a par da falta de força do Sporting para revalidar o título desde 1954.

O Braga joga na 1.ª desde 1975, o Vitória SC desde 2007, o Moreirense desde 2014, o Gil e o Famalicão desde 2019, agora o Vizela. Em 18 participantes, um terço representa o Minho. É um caso sério, e inédito na história da 1.ª divisão, cujo arranque da época 2021-22 é já esta sexta-feira com o Sporting vs Vizela no Estádio José Alvalade.

 É a outra grande novidade, o Vizela. É só a sua segunda participação no escalão maior, a outra é já do século passado, mais precisamente em 1984-85. É a época em que o Porto eclipsa por completo a concorrência e ganha o título com uma autoridade indiscutível. A aposta em Artur Jorge como sucessor de José Maria Pedroto mais a contratação de André ao Varzim e Futre ao Sporting revelam-se determinantes. Prova disso, a série de 14 vitórias seguidas na 1.ª divisão, com um empate em Alvalade, o que confere ao FC Porto o título nacional com relativa antecedência. Nada que surpreenda, face ao alto grau de eficácia demonstrado, reflexo afinal de factores vários que a circunstância de 15 dos 22 jogadores serem internacionais não será a de menor monta. A equipa joga para o avançado Gomes, que marca 39 golos (13 de penálti) em 30 partidas e é Bota de Ouro, prémio atribuído ao melhor marcador da Europa.

 Adiante. O Sporting é o campeão nacional em título, é bom lembrar. E nunca o consegue revalidar nas últimas nove vezes (1958, 1962, 1966, 1970, 1974, 1980, 1982, 2000, 2002). A última vez remonta a 1954, há mais de 60 anos. É obra, e também um caso patológico. A ver se Rúben Amorim dá a volta ao texto, ele que é especialista em fazer história a avaliar pelo título de campeão da época anterior, o primeiro do Sporting em ano ímpar desde 1953. Ora bem, 1953 e 1954. Não há cá coincidências, e o que acontece nessa época? Numa palavra, magia.

 O Sporting é tetra, epopeia só imitada por Porto em 1998 e Benfica em 2016. À saída do treinador inglês Randolph Galloway (inglês) bem como a do adjunto Álvaro Cardoso (português), a direcção contrata a dupla formada por Joseph Szabo (húngaro) e Tavares da Silva (português). O resultado é extraordinário – além do tetra, a conquista da Taça. Até Dezembro, o campeonato é renhido com quatro equipas no topo. Hrotko e Travassos agridem adversários em pleno jogo na Covilhã e em Braga, respectivamente, e são multados pelo próprio Sporting para evitar mais descontrolos. A mão dura surte efeito, o Sporting arrepia caminho e faz uma segunda volta quase perfeita. Daí os sete pontos de avanço sobre o Porto, 11 sobre Benfica e 12 sobre Belenenses. Como se isso fosse pouco, o sexto violino João Martins é o melhor marcador da 1.ª divisão, com 31 golos. Curiosamente, é Martins quem enche as páginas dos jornais com um acidente de carro. Na verdade, o carro é de Vasques e o capot solta-se antes de bater violentamente na cara de Martins, em plena Avenida da República. A Martins, valem-lhe a destreza de Vasques ao volante e os conhecimentos médicos do célebre Manuel Marques, a quem recorre para diminuir a dor.

 Então, e os outros? O Porto treinado por Cândido de Oliveira só contrata um jogador (Valle, do Lusitano Évora) e até ganha ao Sporting na segunda jornada, com um golo do inevitável Hernâni. O problema é o de sempre, a regularidade. Fora, cinco derrotas. Em casa, uma (2:0 vs Belenenses). Feitas as contas, é o único clube a dar luta ao Sporting e disso mesmo se dá conta com o epíteto de melhor ataque graças aos 83 golos (mais três que o Sporting), a que não serão alheias as goleadas ao Vitória SC (10:0), Vitória FC (9:4) e Boavista (9:1). Já o Benfica convive com a rebeldia de Félix Antunes, afastado sem remissão pela direcção por se ter negado a jogar com o Vitória FC, a 18 Outubro, sob a alegação de faltas de condições psicológicas em virtude das multas importas pela FPF e, posteriormente, pelo Benfica por actos de indisciplina em Viena na ressaca dos 9:1 da Áustria. No balneário, a sua conduta passa dos limites e pisa a camisola do Benfica. O acto vale-lhe três anos (sim, anos) de suspensão. Outros tempos.

 Adiante. O Sporting é o campeão nacional em título, é bom lembrar. Arrisca o bi, portanto. A última vez é já em 1952, um ano em que a expressão ‘quatro grandes’ encontra realmente razão de ser com Sporting, Benfica, Porto e Belenenses em permanente discussão pelo título até à última. O Benfica de Ted Smith é o líder na esmagadora maioria do tempo. A cinco jornadas do fim, o Benfica goza de quatro pontos de avanço e perde 2:0 nas Salésias, com golos de Matateu e Castela. Na semana seguinte, perde 3:2 para o Sporting num Jamor à pinha em dia de recorde de bilheteira com 536 contos. Ao chegar ao balneário, a notícia de que o Belenenses empatara em Marvila com o Oriental faz com que Passos dispa o equipamento e solte o grito ‘Somos campeões’. E confirma-se. A 6 de Abril, o Sporting ganha 2:1 no Barreiro ao Barreirense e celebra o bi. Acaba assim, Sporting 41 pontos, Benfica 40, Porto 36, Belenenses 36.

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