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Portugal vs França, um final à grande e à húngara
Desporto 3 min. 23.06.2021
Euro2020

Portugal vs França, um final à grande e à húngara

Penálti de Zidane após a mão de Abel Xavier no jogo com os gauleses no Euro2000.
Euro2020

Portugal vs França, um final à grande e à húngara

Penálti de Zidane após a mão de Abel Xavier no jogo com os gauleses no Euro2000.
Foto: Arquivo Lusa
Desporto 3 min. 23.06.2021
Euro2020

Portugal vs França, um final à grande e à húngara

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Budapeste é o palco do segundo jogo de sempre entre os campeões mundiais e europeus em título num Euro, após o 3-1 da Holanda à Alemanha em 1992

França, quatro pontos, quatre points, four points, cuatro puntos. Alemanha, três pontos, trois points, three points, três puntos. Portugal, três pontos, trois points, three points, três puntos. Hungria, um ponto, une point, one point, uno ponto. Parece o Eurofestival da canção. Calma, é só o Euro do futebol, o tal das 11 cidades em 11 países, o tal itinerante de Sevilha até Baku. É o 13.º e último dia da fase de grupos, com a decisão dos grupos E e F. Seguem-se dois dias de descanso e, depois, olá oitavos-de-final.

Com Portugal? Boa pergunta. À vitória por 3-0 a abrir em Budapeste (vs Hungria), segue-se um arrepiante 4-2 em Munique (vs Alemanha). Vem aí a França (finalmente um jogo em campo neutro), é a reedição da final do último Euro. Já não temos Éder, o herói do golo mais importante de Portugal. Também, verdade seja dita, nem precisamos de golos. Com a trapalhada de alargar o Euro para 24 equipas, só as oito piores ficam pelo caminho. As outras 16 seguem em frente. Quer isto dizer, Portugal até pode perder e, ainda assim, qualifica-se. E porquê? Simples, há piores terceiros classificados. A não ser que a Hungria provoque uma surpresa maiúscula e derrube a Alemanha, em Munique. Nesse caso, Portugal está obrigado a pontuar. Um ponto chega. Mais uma vez, sem recorrer a Éder, o 0-0 é suficiente. Ai ai, que pobreza franciscana, o regulamento.

Seja como for, Budapeste é palco do segundo jogo de sempre no Euro entre o campeão mundial e europeu em título. O caso anterior remonta a 1992, na Suécia, quando Holanda e Alemanha também jogam a terceira e última jornada da fase de grupos, em Gotemburgo. Vence claramente o campeão europeu por 3-1, golos de Rijkaard, Witschge, Klinsmann e Bergkamp. Se Portugal se inspirar neste caso, temos candidato. Só que a tendência com a França em campo neutro é duplamente negativa, a avaliar pelas derrotas no Euro2000 em Bruxelas (a tal mão de Abel Xavier detetada pelo fiscal-de-linha eslovaco Sramcka e penálti superiormente transformado por Zidane em pleno prolongamento, 2:1) e no Mundial-2006 em Munique (mais um penálti de Zidane a ditar o fim de festa, 1:0). Mais, Portugal embica com o dia 23 de junho. A véspera de São João é um desfile de más notícias. Se não acredita, é ver o 3-2 vs França (mon dieu) em Marselha no Euro84 e o 1-0 da República Checa em Birmingham no Euro96. Tanto o golo de Platini ao minuto 119 como o chapéu de Poborsky a Baía implicam uma careta de total insatisfação pelo roda-bota-fora.

Se fizermos zoom à atualidade, Deschamps leva vantagem sobre Santos no confronto direto com três vitórias e só uma derrota, a tal do Éder. Pelo meio, um empate para a Liga das Nações. Chiça, será que não há uma boa notícia para Portugal? Há, claro que sim. Por exemplo, Santos nunca perde com Portugal a uma quarta-feira. A última derrota é na era Paulo Bento, em 2013, vs Brasil. Daí para cá, oito vitórias e três empates. E se fecharmos a contabilidade só em relação à última jornada da fase de grupos, Portugal só perde uma vez em sete, vs Suíça (2:0, bis de Hakan Yakin), na Suíça, num momento em que até já está apurado. De resto, um empate no último Euro, em Lyon (Hungria 3-3), e sempre a ganhar. Ora veja lá, Roménia 1-0 em 1984, Croácia 3-1 em 1996, Alemanha 3-0 em 2000, Espanha 1-0 em 2004 e Holanda 2-1 em 2012. Que maravilha, o mundo reequilibra-se.

Agora é jogar. De um lado, a França altamente competente com um dos melhores do mundo na velocidade, no drible em movimento e na capacidade goleadora (Mbappe), apoiado pelos grandes Benzema e Griezmann. Do outro, Portugal a querer inverter a má imagem do 4-2 vs Alemanha. Com alterações técnicas, supõem-se. Moutinho, por exemplo? Rúben Neves, outro exemplo? Renato, mais um? Isto mais parece um cubo rubik, invenção de um húngaro. E de Budapeste. Sim senhor, Ernö Rubik nasce na capital e já tem 76 anos. Quando nasce em 1944 a UEFA ainda nem criara o Europeu, a prova mais democrática de todas com 10 campeões em 15 edições. O seu detentor é Portugal. Até quando? A resposta está aí ao virar da esquina.

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Na classificação do Grupo F, a França, que tinha batido a Alemanha (1-0), soma quatro pontos, contra três de Portugal, um da Hungria e nenhum dos germânicos.