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Conheça os heróis da seleção (parte 3)
Desporto 6 min. 16.06.2021
Euro2020/Portugal

Conheça os heróis da seleção (parte 3)

Euro2020/Portugal

Conheça os heróis da seleção (parte 3)

Foto: Robert Michael/dpa-Zentralbild/d
Desporto 6 min. 16.06.2021
Euro2020/Portugal

Conheça os heróis da seleção (parte 3)

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Sabia que há um jogador que tem a alcunha de Capitão Iglo? Que os pais de Dalot queriam que seguisse música? E que José Fonte queria ser astronauta?

 Diogo Dalot

EPA

A história de José Diogo Dalot Teixeira, nascido em Braga a 18 de Março de 1999, começou num coro de igreja da cidade dos arcebispos. Foi lá que os pais se conheceram, pois ambos tementes a Deus, apreciadores do bel-canto, da música de câmara e, que remédio, de futebol. Os pais tinham gostado que ele fosse músico, mas ele tinha outras ideias em mente. Seria Mariana Dalot (cantora) a cumprir essa profecia. Diogo, de alcunha "Atrevido", é mais de encher os estádios por outras razões. Desde muito pequeno que se dizia portista, o que consolidou quando os pais lhe ofereceram uma camisola do FC Porto, que ainda guarda. O seu primeiro clube foi o Fintas, em Braga, onde começou com seis anos, onde os mais foram informados que o miúdo tinha potencial de grande jogador. Veríamos. Os pais inscreveram-no nas escolas do Benfica e do Porto em simultâneo, para ver o que tinham a dizer sobre isso os profissionais. O Benfica quis ficar com ele. O Porto também. Falou a razão geográfica: FC Porto, onde passou longos anos, com uma curta passagem pelo Padroense, onde entrou com oito anos, como apanha-bolas e de lá saiu campeão. Até José Mourinho o ter contratado para o Manchester United, no defeso de 2018. Tinha 19 anos. Clube actual: AC Milan.

Rafa Silva

Aqui e ali, Rafael Alexandre Fernandes Ferreira da Silva, nascido em Vila Franca de Xira a 17 de Maio de 1993, já tem congelado adeptos das equipas adversárias, mas não se sabe se será por isso ou por causa das barbas que lhe chamam "Capitão Iglo". Desde crianças que tinha dois objectivos na vida: ser jogador de futebol e convencer o pai a deixar de fumar. Uma coisa levou à outra. A família, de poucas posses, vivia na freguesia de Forte da Casa, assim chamado pelas fortificações ali existentes contra as invasões francesas, próximo da Póvoa de Santa Iria. Foi aqui o seu primeiro clube: União Atlético Povense. O Rafa não é rapaz de muitas palavras, assim agora como então. A sua técnica fala por si, já que a sua estatura fez sempre dele o mais baixo das equipas. Depois de ter dado nas vistas num torneio de juvenis, o FC Alverca chamou-o para o seu escalão de benjamins. Foi no Alverca que ele apostou com o pai que havia de marcar mais de 10 golos numa época. Se conseguisse, tinha de deixar de fumar. O pai perdeu a aposta e ganhou pulmões. O grande passo de carreira, deu-o sozinho em Santa Maria da Feira, quando foi estudar à noite e jogar profissionalmente no CD Feirense, onde o Braga o foi contratar por 300 mil euros. Em 2016, a sua transferência para o Benfica bateu o recorde entre clubes portugueses: 16 milhões de euros.

Renato Sanches

Nasceu em Lisboa, no dia 18 de Agosto de 199, na Musgueira, um bairro difícil às portas da capital, com vista para as pista de aterragem do Aeroporto Humberto Delgado. Via os aviões a ir e vir e pensava quando chegaria o dia da sua partida. Renato Júnior Luz Sanches e uma constelação de nacionalidades. O pai é de São Tomé e Príncipe, a mãe de Cabo Verde. Ele é português, é caboverdiano, é são-tomense, é do bairro, é de Lisboa, é da portugalidade e do Benfica, desde que nasceu. Quis o destino que, com apenas 6 anos, ele se tornasse jogador do Águias da Musgueira, que foi a águia que se arranjou, antes de dar o grande salto para a formação do SLB, com 9. 


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Renato cumpriu todas as etapas da formação, queimando algumas, dada a sua força. Irrompeu pela equipa principal e pela selecção nacional como um furacão, tornando-se campeão europeu e comendador da Ordem de Mérito em 2016, no mesmo ano em que se transferiu para um colosso: o Bayern de Munique. Em Munique, a sorte não lhe sorriu. Fez uma passagem pelo Swansea City, em Inglaterra, mas foi no Lille que se reencontrou.

José Fonte

José Miguel da Rocha Fonte, nasceu em Penafiel, a 22 de Dezembro de 1983. De família humilde, sempre quis ser jogador de futebol, ultrapassada a convicção que ia ser astronauta. José Fonte é um case-study. Chegou à selecção A com 30 anos de idade, depois de um percurso acidentado e um período de desemprego. É hoje um dos indiscutíveis de Fernando Santos, mas já foi dispensado pelo engenheiro por duas vezes na sua carreira: no Sporting e no Benfica, onde o jogador não vingou. Como iniciado, jogou no Penafiel, clube do coração. Muito jovem, tentou a sua sorte nos grandes de Lisboa. Passou pelo Sporting, dispensado sabemos por quem, e só aí iniciou carreira profissional no FC Felgueiras, que o catapultou para o Vitória de Setúbal, daqui para o Benfica, onde seria dispensado sabemos por quem, para ser emprestado ao Crystal Palace, então no Championship. Foi em Inglaterra que José Fonte iniciou uma escalada pelas ligas, passando pelo Southhampton, até atingir o West Ham, na Prémier League, que lhe abriu as portas da selecção. É colega de equipa de Renato Sanches, no Lille. Da sua passagem pelo Southhampton, onde foi capitão de equipa, lembra-se de Papa Waigo: a minutos dos jogos, ligava sempre para a mãe para matar uma galinha.

Rui Silva

EPA

Nasceu em Águas Santas, concelho da Maia, distrito do Porto, a 16 de Novembro de 1993. Rui Dantas Silva teve até há pouco tempo uma carreira discreta, reflectindo a sua personalidade. Calçou as luvas de guarda-redes desde pequenino, quando ingressou no FC da Maia, onde fez toda a sua formação, entre 2006 e 2012, altura em que se mudou para a ilha da Madeira, para representar o Nacional, o que em 2013 lhe valeu uma transferência para Espanha, para o Granada. Foi ao serviço deste clube que despertou a atenção de Fernando Santos. Já é oficial: será companheiro de William Carvalho no Real Bétis Balompié, em Sevilha.

Diogo Jota

AFP


A questão do 'Jota' - alcunha conquistada nas ruas da freguesia de Massarelos, Porto, onde Diogo José Teixeira da Silva nasceu a 4 de dezembro de 1996 -, não é de somenos. Diogo, como a família lhe chama, leva o assunto muito a sério, o próprio também e até a federação inglesa, que já teve de deliberar oficialmente sobre a sua alcunha. Para Isabel e Joaquim Silva, não há a mínima dúvida: Diogo é Diogo e está o assunto encerrado, ainda que tenham dado autorização, preto no branco, para que o filho pudesse envergar o 'Jota' na camisola do Wolverhampton Wanderes FC, quando o clube militava na Championship inglesa, hoje na Premier League.

Em criança, Jota, chamemos-lhe assim, seguia os passos do seu irmão mais velho, que era louco por futebol. Na rua, joga-se a todas as posições. São todos defesas, todos atacantes. Jota não era de andar a correr atrás da bola, mas quando esta lhe chegava aos pés, já se sabia o resultado: golo. O ambiente académico que se vive em Massarelos não o inspirou a estudar. Aos 9 anos, foi para o Gondomar FC, transitando depois para a formação do Paços de Ferreira. Jota é um caso raro. Nunca passou pelos escalões de formação dos "grandes". É um fenómeno atmosférico: chega aos clubes de forma meteórica e causa sempre uma forte precipitação de golos. 

Foi contratado ao Paços Ferreira pelo Atlético de Madrid, que o emprestaria ao FC Porto, onde conheceu o seu melhor amigo e colega de selecção: Rúben Neves, que o convenceu a viajar para o Wolverhampton (Wolves), onde se encontrava Nuno Espírito Santo. Com os golos de Jota, o clube ascendeu à Prémier League, que lamentavelmente proíbe as alcunhas nas camisolas. Assim Diogo passou a Diogo J. Mas não é de José. É de Jota. É hoje uma das estrelas do Liverpool.      

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