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Conheça os heróis da seleção (parte 2)
Desporto 10 min. 16.06.2021
Euro2020/Portugal

Conheça os heróis da seleção (parte 2)

Euro2020/Portugal

Conheça os heróis da seleção (parte 2)

Foto: Lusa
Desporto 10 min. 16.06.2021
Euro2020/Portugal

Conheça os heróis da seleção (parte 2)

Luís Pedro Cabral
Luís Pedro Cabral
Anthony Lopes chegou à seleção sub-17 porque o seu pai pegou no telefone e ligou para a FPF. "Vocês já ouviram falar de um guarda-redes que joga em França?". Esta e mais quatro histórias dos heróis das 'quinas' no Euro2020.


João Moutinho

Foto: AFP

Se dissermos que João Moutinho é algarvio ele não ficará arreliado, pois a sua família é natural do Algarve. João Filipe Iria Santos Moutinho calhou a nascer no Barreiro no dia 11 de setembro de 1986, embora tenha sido registado em Portimão. Filho de peixe, sabe nadar. João Moutinho nasceu numa família com tradição no futebol. Nélson Moutinho, o seu pai, jogou longos anos no Portimonense FC. Como o pai, deu os primeiros passos no futebol no Portimonense. Começou com apenas 4 anos. Com 13, o Sporting piscou-lhe o olho. E João mudou-se para o Barreiro, para casa de Joaquim Moreira, o padrinho. Estreou-se na equipa principal dos leões em 2005. João é uma pessoa muito calada, mas em 2010 deu muito que falar, quando foi transferido para o rival FC Porto. No Porto, conquistou título que o levaram a um contrato com o Mónaco, depois com o Wolverhampton. Consta que está de novo a ser bafejado pelo dragão.

João Félix

Foto: AFP


É um "delfim" para onde quer que vá. João Félix Sequeira nasceu em São João de Lourosa, Viseu. Os pais eram ambos professores, mas o seu talento para o futebol não se ensina. O mister 126 milhões é o quarto jogador mais caro da história do futebol, mas isso não é coisa que o intimide, pois ele já jogou nos "Pestinhas" de São João de Lourosa, uma "temível" equipa de sub-5, onde não só deu os primeiros toques na bola como também os primeiros passos, jogando na posição bípede. O futebol começou a tornar-se sério quando o chamaram para as escolinhas do FC Porto. No reino do dragão, porém, nunca auguraram grande futuro ao rapaz. Ainda muito jovem, foi emprestado ao Padroense FC, de Custóias. Onde os olheiros da águia o detectaram. Foi uma mudança radical na sua vida. Veio para Lisboa, para a formação do SLB, tendo sido o jogador mais jovem a estrear-se na equipa B do Benfica, com apenas 16 anos. As suas exibições acabaram por catapultá-lo para a equipa principal. Num ano, João Félix incendiou o mercado.

André Silva

Foto: Instagram/André Silva


Em Baguim do Monte, freguesia do concelho de Gondomar, quando se fala de futebol não se fala de Messi ou de Cristiano Ronaldo. O herói das redondezas é um rapaz chamado André Miguel Valente da Silva, ali nascido a 6 de novembro de 1995. A sua família era humilde e ele tornou-se um exemplo de como é possível mudar o destino. Nunca se esquece de onde veio. Sabe que foi com o suor dos pais que ele pôde perseguir o sonho de ser jogador de futebol. É um atacante nato, mas não no que diz respeito ao seu irmão mais novo, que sempre defendeu com unhas e dentes. Diz quem o conhece que sempre protegeu o irmão como se fosse um filho. O irmão nasceu tão pequenino, que lhe chamaram "Little" Afonso, que é hoje jogador profissional de hóquei em patins.


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O primeiro clube de André Silva foi um histórico: o Sport, Comércio e Salgueiros, onde entrou com 7 anos. Aos 8, representando o Salgueiros num torneio contra o Vianense FC, ocorreu algo que ficaria na história destes dois clubes. O miúdo, que jogava a meio-campista, teve de ser retirado do jogo a meia-hora do final. Ele não compreendeu, mas o treinador explicou-lhe que era uma questão de respeito pelo adversário. Nesse jogo, André Silva marcou 15 golos. É melhor repetir: 15 golos.

Como jogador, passou também pelo Boavista e pelo Padroense, sendo chamado para a formação do FC Porto, onde fez a sua carreira, até ser transferido para o AC Milan, a troco de 38 milhões de euros, em 2017. Em Itália, não teve sucesso. Foi emprestado ao Sevilha, dizendo ao que vinha logo na sua estreia na liga espanhola, marcando um hat-trick e igualando o feito de um extraterrestre: Romário - o "baixinho". Atualmente, é no Eintracht de Frankfurt que faz os seus golos. E muitos, embora não tantos como em certo dia.

Anthony Lopes

Foto: Instagram/Anthony Lopes

A família é de Miranda do Douro, Anthony é filho da diáspora. Nasceu em Givors, arredores de Lyon, França, no dia 1 de outubro de 1990. Segundo conta José Lopes, o pai, desde muito miúdo que ele tinha jeito para apanhar coisas que lhe lançavam, mesmo as que era lançadas com efeito, como era o caso de uma bola. Tinha ainda uma outra característica, que o marcaria mais tarde: não era pessoa para levar desaforos para casa. O pai, que é como uma espécie de agente secreto deste jogador, achou que era melhor ele direcionar a sua testoesterona para um clube. Toda a família é portista, mas em França são do Olympique Lyonnais. Foi neste clube que Anthony Lopes passou grande parte da sua vida, incluindo um bom número de atribulações, já que tem uma certa atração por problemas disciplinares, fruto da sua impulsividade. Sempre com um ar calmíssimo. Tem dupla nacionalidade e dupla personalidade. É um discreto enfant terrible, que representou pela primeira vez a seleção portuguesa de sub-17 porque o seu pai pegou no telefone e ligou para a Federação Portuguesa de Futebol. "Vocês já ouviram falar de um guarda-redes que joga em França? O Anthony Lopes". Não, senhor Lopes. Certo é que ele foi convocado. E desde aí tem marcado a sua presença na selecção nacional A.   

Danilo Pereira

LUSA

Danilo Luís Hélio Pereira, nascido em Bissau (Guiné-Bissau) a 9 de setembro de 1991, não teve tempo para ser miúdo. Desde muito cedo se tornou um globetrotter do futebol, para fintar a miséria. Sempre sozinho, sempre por sua conta. Viajou para Portugal, para ficar com uns tios, em Mem Martins, onde fica o seu primeiro clube: Arsenal 72. Fez mais tarde o upgrade para o Estoril Praia, onde começou a dar nas vistas dentro da camisola amarela deste histórico da linha. Hoje joga num dos clubes mais ricos do mundo, o PSG, sendo símbolo vitalício do FC Porto, mas a sua formação começou no Benfica, onde esteve dois anos, até iniciar um périplo, digno dos mais crescidos. Tornou-se jogador do Parma (Itália), depois passou pela Holanda, depois foi emprestado ao Aris de Salónica (Grécia), depois voltou a Itália e só depois viajou para a ilha da Madeira, para representar o Marítimo. Sporting e FC Porto disputaram-no, mas seria o Porto a contratá-lo, antes de fazer companhia a Neymar e Mbappé, no Paris Saint-Germain.

William Carvalho

O bairro do Sambizanga, junto com o Malanga e o Operário, compõem o distrito de Sambizanga, na imensa teia urbana de Luanda, Angola. No Sambizanga nasceu William Silva Carvalho no dia 7 de abril de 1992. Quem joga descalço no musseque, a driblar a pobreza com um sorriso, está preparado para jogar em qualquer palco do mundo. O avô e o tio de William, eram ambos jogadores no Progresso Associação do Sambizanga, clube local, sempre a discutir lugares cimeiros no Girabola. William não cresceu para isso. Os pais emigraram para Portugal, mudando-se para os subúrbios de Lisboa. Por causa da sua estatura, William andou sempre um passo à frente no escalão. 

Começou a jogar nos infantis do Algueirão, mas foi no Mira Sintra que começou a destacar-se. O Benfica quis chamá-lo, mas a costela sportinguista da família falou mais alto. Tão alto, como ele. No SCP, chegou a jogar em dois escalões, tornando-se em simultâneo campeão nacional e regional. Quando chegou a sénior, teve uma experiência mística, quando esteve emprestado ao Fátima Futebol Clube, partindo depois para uma aventura na Bélgica, no Cercle Brugge, de onde regressou ao Sporting. Depois dos acontecimentos de Alcochete, foi um dos jogadores que rescindiu unilateramente, mas acabaria por ser transferido por 16 milhões de euros para o Bétis de Sevilha, onde se encontra.

Bruno Fernandes

LUSA

O seu pai era jogador de futebol e jogava com o número 8, que é o número de Bruno Miguel Borges Fernandes por essa razão. Por mera causualidade (ou talvez não), nasceu a 8 de setembro de 1994, na cidade da Maia, distrito do Porto, no seio de uma família humilde. O pai teve um dia de abandonar o desporto do coração, como tantos e tantos aspirantes a galáticos, que um dia têm de trocar o sonho, feito de todas as coisas que a vida não lhe dera, por uma realidade crua, feita de quotidiano e um emprego 9 às 5. Seja como for, Bruno só tinha uma coisa em mente: ser jogador de futebol. Antes de mais, por uma questão de lógica. Número um: não pensava noutra coisa. Número dois: as ruas têm as suas leis, mas estas não incluem o fora-de-jogo. Número três: começou a ser preocupante quando a professora de português apontava para o quadro e ele só via matemática: 4x4x2; 4x3x3; 4x2x3x1, triângulos invertidos, trajetórias que ciência não explica. 

E, naquela altura em que a mãe, que era adepta irredutível do FC Porto (não fosse o seu amor de mãe, o tempo de verbo seria inexato), lhe comunicou que não podia dormir com a bola, nunca imaginando que esta, quase por magia, um dia se transformaria na mais doce das almofadas. Vá lá uma pessoa imaginar o seu filho na televisão ser capitão do Sporting, capitão do Manchester United, ter uma legião de idólatras a evocar o seu nome em cânticos e, mais esotérico ainda, a dar ordens ao Pogba. Bruno Fernandes é conhecido pelo seu temperamento "reguila" desde criança.

O seu primeiro clube foi o FC Infesta, passando depois para a formação do Boavista. Cedo abandonou a escola para perseguir o seu sonho, mas foi na escola que ele conheceu o amor da sua vida: Ana Pinho, mãe dos seus filhos, que muito jovem viajou ao seu encontro quando Bruno, com 19 anos, emigrou para Itália, para tentar a sua sorte no "calcio", representando o Novara, clube da séria B italiana. Foi com golos que subiu na hierarquia do clube, sendo mais tarde emprestado à Udinese, para ser depois emprestado à Sampdoria, onde despertou a atenção do SCP. Foi de leão ao peito que a sua carreira disparou. Foi nesta altura que a sua mãe passou a ser adepta do Sporting, sendo agora fã adotiva do Manchester United.

Bernardo Silva

LUSA

Se há espinha atravessada na consciência de Jorge Jesus, é este rapaz, lisboeta de gema, na medida em que isso é possível. Bernardo Mota da Veiga de Carvalho e Silva, nasceu a 10 de agosto de 1994, em Lisboa. Em muitos casos, o futebol é uma porta de saída de uma situação de pobreza, mas esse não era o caso de Bernardo Silva. A mãe é professora de História de Arte, o pai engenheiro informático, especialista em segurança digital. O Bernardo era aquilo que se pode definir com um "betinho de Lisboa", que estudava em colégios privados, mas só estava bem a jogar futebol. "Desde que me lembro que existo é com uma bola nos pés". A família paterna torce pelo Benfica, a materna é toda sportinguista. 

A mãe, que gosta de ir ver o Sporting ao estádio, foi quem o puxou para o futebol. Foram os avós paternos quem desataram o nó. Quando fez sete anos, ofereceram-lhe a inscrição nas escolas dos Benfica, nos Olivais. A mãe bem tentou que ele fosse do Sporting. Até lhe ficava bem, já que é do signo Leão. Mas metade da sua vida foi passada no Benfica. Tem uma tatuagem que diz "pluribus unum", nada a fazer. Bernardo Silva fez toda a formação no SLB, mas só jogou três jogos na equipa principal. No primeiro consulado de 'JJ', foi emprestado ao Mónaco. E nunca mais voltou. É uma das estrelas mais cintilantes do Manchester City, um dos clubes mais ricos do mundo, cujo símbolo foi em tempos uma águia. Será sina?

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