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Hungria-Portugal. Um dois três, diga lá outra vez
Desporto 3 min. 15.06.2021
Euro2020

Hungria-Portugal. Um dois três, diga lá outra vez

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Hungria-Portugal. Um dois três, diga lá outra vez

AFP
Desporto 3 min. 15.06.2021
Euro2020

Hungria-Portugal. Um dois três, diga lá outra vez

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Portugal controla, domina e só depois marca três golos para derrubar a anfitriã Hungria em Budapeste (3-0).

À partida, o desequilíbrio é enorme. Portugal é campeão em título, Hungria é da 2.ª divisão europeia. É o jogo ideal para arranque de um grupo com França e Alemanha. Mal começa o jogo, acentuam-se as diferenças. Os húngaros correm muito e jogam pouco, pouquíssimo – às vezes, nem sabem sair a construir e perdem a bola ao terceiro/quarto toque, no máximo. Os portugueses controlam a bola e dominam a situação sem grandes apertos. Falta-lhes o essencial, o golo.

O problema é a desinspiração para atacar a baliza de Gulacsi. Na primeira parte, só Diogo Jota o coloca à prova num remate à meia-volta, muito parecido com o 2:1 de Gerd Müller à Holanda na final do Mundial-74. O guarda-redes húngaro tapa o caminho da bola e adia o inevitável. Repetimo-nos, a Hungria raramente passa do meio-campo e, durante largos períodos, ninguém sabe de Rui Patrício. Ele até pode estar lá à baliza, who knows? O mérito maiúsculo vai para Pepe, o único titular a jogar em Portugal (FC Porto). É ele quem varre todas as iniciativas do calmeirão Szalai. E outros que tais. Também Rúben Dias merece uma palavra de atenção, sobretudo pelos passes longos à procura de Ronaldo ou Jota.

O nulo ao intervalo é um hino ao futebol adormecido de Portugal. Acreditamos que se o jogo só tivesse uma parte, o campeão europeu jogaria mais ao ataque, declaradamente à procura do golo. A paciência é uma virtude, dirão alguns. Sobretudo Fernando Santos. O homem sabe o que faz? Para já, o seu currículo resultadista no Euro é inatacável: empate, empate, empate, vitória, empate, vitória e vitória. Zero derrotas em sete jogos. É obra. E hoje? A Hungria entra mais cansada e acumulam-se erros atrás de erros. Passes sem direcção, cortes precipitados e decisões mal tomadas. Portugal, esse, continua senhor do jogo. E continua sem atacar devidamente a baliza de Gulacsi. Parece a selecção de outros tempos, do futebol sem balizas. Eis então que aparece Bruno Fernandes com uma sapatada numa série de zzzzzzzzzzz. Já estávamos quase a dormir quando o seu remate de fora da área obriga Gulasci a um voo sensacional, a desviar a bola para canto.


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A Hungria, sempre apoiada pelo seu fervoroso público, bem audível durante os 90 minutos, acorda e faz uns contra-ataques. Num deles, é golo de Schon. Bem anulado por Çakir, há fora-de-jogo claro. No instante seguinte, Fernando Santos faz entrar Renato Sanches e André Silva. Antes, já mexera pela primeira vez, uma substituição dos Silvas (Rafa por Bernardo). A Hungria defende-se como pode, muito recuada, já sem forças para chegar a todas as bolas com a mesma energia de antes. Aos 84 minutos, Bruno Fernandes desmarca-se pela direita e cruza para a área. A bola cai em zona de ninguém, o lateral Raphaël atira contra o corpo de Orban e está feito o 1:0, ás três tabelas.

Em desvantagem, a Hungria baixa completamente os braços e abre a comporta. Disso se aproveita Portugal para dar uma de campeão. Aos 86’, belo trabalho de Renato a isolar Rafa. Sem pedalada para acompanhá-lo, Orban comete penálti. Sem discussão. Na marcação, Ronaldo bate e engana Gulacsi. No jogo que o consagra como primeiro jogador a marcar presença em cinco Europeus, o 7 português ultrapassa Platini como melhor marcador de sempre em fases finais. Ainda faltam uns minutos e Ronaldo vai fixar o resultado, numa bela jogada de combinação com Rafa. Na pequena área, Ronaldo passa por Gulacsi como se nada fosse e atira com o pé esquerdo para a baliza aberta.

Acaba-se a papa doce, 3:0 em Budapeste a abrir boas perspectivas para os dois jogos em falta do grupo, vs Alemanha em Munique (sábado, dia 19) e França em Budapeste (quarta-feira, dia 23). Já para não falar na sequência dos 12 jogos seguidos sem qualquer derrota em Europeus, precisamente desde o 1:0 vs Alemanha, em 2012. Daí para cá, três figuras jogam sempre: Patrício, Pepe e Ronaldo. A Santa Trindade.

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