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Ò belgas ò belgas, ¼ final à vista
Desporto 4 min. 27.06.2021
Euro2020

Ò belgas ò belgas, ¼ final à vista

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Ò belgas ò belgas, ¼ final à vista

Foto: AFP
Desporto 4 min. 27.06.2021
Euro2020

Ò belgas ò belgas, ¼ final à vista

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Portugal sai pela porta do cavalo na defesa do título europeu, eliminado pela burocrática Bélgica (1:0).

Vitória, derrota, empate, derrota. O código morse de Portugal no Euro-2021 é curto, nem chega aos ¼ final. Tal como a Espanha em 2016, o campeão europeu é abalroado nos oitavos. Se há cinco anos a culpa é a Itália, agora é da Bélgica, curiosamente líder do ranking FIFA e a melhor selecção na fase de qualificação, com 10 vitórias em 10 além de um respeitável 40:3 em golos. Neste Euro, a Bélgica continua a dar que falar, com três vitórias em três e 7:1 em golos. Agora, quatro em quatro e 8:1 em golos.

 Portugal é uma sombra. Ou melhor, é Portugal. Façamos as contas de somar. Patrício é dos melhores do mundo e, até agora, autor da melhor defesa do Euro àquele remate de Pogba. No meio, Rúben Dias é eleito o melhor jogador da Premier League e Pepe é Pepe. No meio, Moutinho é o critério em pessoa. Nas alas, há desequilibradores geniais como Bernardo e Jota. No ataque, Ronaldo. No banco, por se acaso, temos Bruno Fernandes, João Félix e André Silva. Há mais, atenção. E o que faz Portugal? Uma primeira parte de nada, de chacha, vá. Tal como já acontecera vs Hungria. No deve e haver, verdade seja dita, a Bélgica também é assim-assim. Umas arrancadas de Lukaku, uns rodriguinhos de Hazard e umas habilidades de De Bruyne. O nulo assenta-lhes tão bem. Joga-se pouco. O relvado em Sevilha está péssimo e a bola ora prende ora saltita como um iô-iô maluco, inadmissível como a UEFA se deixa ir em cantigas. Às tantas, quiçá incomodado com tanta aselhice, Thorgeon Hazard apanha uma bola a jeito no limite da área, ajeita-a e despacha um pontapé fortíssimo, cruzado. Patrício estica-se, em vão. A bola faz um arco para fora e como que se desvia da mão do guarda-redes português. Abana, Portugal. Antes do intervalo, Palhinha desentende-se com o árbitro e vê o amarelo. A mania de discutir com a autoridade é muito portuguesa, como se o Félix Brych fosse tu cá-tu lá como os árbitros da 1.ª divisão. Embaraçoso.

 A segunda parte começa com a lesão de De Bruyne, provocado por uma entrada à bola de Palhinha no final da primeira parte. Entra Mertens e, acto contínuo, a Bélgica perde bola. Porque De Bruyne segura mais que Mertens. Aliás, Mertens faz uma série de passes disparatados, Lukaku está furioso lá na frente. E Portugal? Nada. Passa o tempo e pouco há a registar de lances a provocar o pânico. Primeira solução, inexplicável e sistemática neste Europeu: tira o Bernardo. Entra João Félix, um estreante. Nota-se um maior caudal ofensivo, ainda que atabalhoado, e a Bélgica vê-se por fim aflita. Courtois defende bolas de João Félix (61’), Rúben Dias (72’) e André Silva (81’) antes de ver uma bola no poste de Raphaël Guerreiro (84’). Do outro lado, a Bélgica raramente passa o meio-campo. Quando o faz, é invariavelmente com o capitão Eden Hazard a tentar segurar a bola e perder tempo. Às vezes, sofre falta. Outras, deixa-se elevar pelo entusiasmo e game over. Seja como for, o seu jogo incomoda os portugueses. Vai daí, começam as faltinhas, as picardias, os empurrões e a má educação. Pepe vê precisamente um amarelo nessa situação.

A três minutos do fim, sai Eden Hazard e entra Yannick Carrasco. O homem, filho de portugueses, isola-se duas vezes e perde o foco da baliza de Patrício. Aproveita Portugal. Ou talvez não. Os ataques finais já são pouco esclarecidos, sem trocas de bolas dignas. É tudo uma manta de retalhos. Quando se ouve o último apito, a Bélgica dá largas à sua alegria e marca encontro vs Itália, em Munique, no dia 2. Já Portugal está de rastos. Evidente. O problema é o adeus prematuro, personificado pela pobreza de jogo sem estilo nem pingo de beleza em 360 minutos.

 Sob a arbitragem do alemão Brych, eis os actores principais e secundários

PORTUGAL Rui Patrício; Diogo Dalot, Rúben Dias, Pepe e Raphaël; Palhinha (Danilo 78), Renato (Sérgio Oliveira 78) e Moutinho (Bruno Fernandes 55); Bernardo (João Félix 55), Ronaldo (cap) e Jota (André Silva 70)

Seleccionador Fernando Santos (português)

BÉLGICA Courtois; Alderweireld, Vertonghen e Vermaelen; Meunier, Tielemans, Witsel e T Hazard (Dendoncker 90+5); De Bruyne (Mertens 48) e E Hazard (cap) (Yannick Carrasco 87); Lukaku

Seleccionador Roberto Martínez (espanhol)

Marcador 0:1 T Hazard (42)

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