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Tutto bene, a bela Itália merece
Desporto 6 min. 12.07.2021
Euro 2020

Tutto bene, a bela Itália merece

Final resolvida nos penáltis
Euro 2020

Tutto bene, a bela Itália merece

Final resolvida nos penáltis
AFP
Desporto 6 min. 12.07.2021
Euro 2020

Tutto bene, a bela Itália merece

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
No Euro dos 11 autogolos em 11 cidades de 11 países, Portugal subscreve a pior participação de sempre e a Itália repete o título de 1968. O balanço do Europeu na crónica de Rui Miguel Tovar.

Começa mal. A UEFA, ainda com Platini no poder, idealiza o Euro-2020 em 13 cidades de 13 países para celebrar o 60.º aniversário da prova. Continua mal. Já com Portugal apurado, como segundo classificado de um grupo liderado pela Ucrânia, eis a pandemia.

A UEFA, agora com Ceferin a presidente, decide-se pelo adiamento por um ano. Muito a custo, dias depois da CONMEBOL decidir o mesmo em relação à Copa América. Money talks, shits walks. Triste verdade. Isso significa o recuo de algumas cidades na organização. Bruxelas é a primeira carta a sair do baralho, por falha nas obras do estádio. Bilbau é a segunda, por culpa do COVID. Ou melhor, a culpa é da UEFA. Mesmo com COVID, os estádios têm de ter pessoas. O município de Bilbau diverge nessa linha (retorcida) de pensamento. Como tal, a UEFA rompe unilateralmente com o contrato. Vai daí, Bilbau quer uma indemnização. E ganha 1,3 milhões de euros mais a promessa de duas finais europeias no escalão feminino.

 Começa mal, o Euro propriamente dito. No dia do arranque, uma sexta-feira, dia 11, Portugal lida com a notícia da morte inesperada de Neno. Um guarda-redes do alto, internacional português com jogos no Maracanã e em Wembley, figura em jogos irrepetíveis como 3:1 em Highbury, 6:3 no José Alvalade e 4:4 em Leverkusen. À noite, Itália 3:0 Turquia. O primeiro golo é na própria baliza, de um jogador da Juventus chamado Demiral. Precisamente um mês depois, a Itália fecha o ciclo, novamente com a Juventus, agora é Bonucci, 34 anos de idade, curiosamente o mais veterano de sempre a marcar na final (bate o recorde do alemão Holzënbein desde 1976). Nesse parêntesis temporal, há de tudo um pouco. O mais louco é a febre dos autogolos. Ao todo, 11 (três dos quais de guarda-redes). Há mais do que penáltis, imagine-se (9). E livres directos? Só um, o de Damsgaard no Dinamarca vs Inglaterra para a ½ final.

Por falar na Dinamarca, ainda hoje somos Eriksen. O número 10 cai inanimado vs Finlândia, em Copenhaga, e arma-se um 31 da armada. O homem dá saltos na relva, a imagem impressiona qualquer um. Todos temem o pior, todos sustêm a respiração. Eriksen recompõe-se e pede aos companheiros para acabar o jogo. A Dinamarca perde 1:0. E perde o outro, vs Bélgica, por 2:1. Depois é um conto de fadas até à ½ final, ingloriamente perdida com um penálti tricky a favor da Inglaterra, defendido por Schmeichel para a recarga vitoriosa de Kane durante o prolongamento. É o lado mais comum do Euro. Nos 15 jogos a eliminar, mais de metade (8) decidem-se para lá dos 90 minutos, seja tempo extra ou penáltis. Neste aspecto, a Itália faz história como primeira selecção de sempre a ganhar dois desempates no mesmo torneio, e em jogos seguidos. A primeira vítima é a Espanha na ½ final, a seguinte é a Inglaterra na final, ambas em Wembley. O herói poderia ter sido Jorginho nas duas ocasiões, só que o remate do 8 italiano é travado por Pickford e pelo poste. No quadradinho seguinte, Donnarumma defende a bola de Saka e a Itália acaba com um jejum de 12 Europeus sem qualquer vitória, desde 1968, numa edição em que elimina a URSS por moeda ao ar e arrebata o troféu à Jugoslávia na finalíssima.

Contas feitas, a Inglaterra é vice-campeã sem perder qualquer jogo. É inglório, sim, e também é bem feita para uma selecção treinada por um homem com a mania de guardar o ouro no banco, como Foden e Sancho. Na final, inclui Sancho e Rashford ao 120.º minuto, num canto defensivo. Estranho em dose dupla. Nos penáltis, nem um nem outro festejam o golo. Rashford engana Donnarumma e atira ao poste. Sancho não engana Donnarumma, de todo. A festa italiana justifica-se pelo futebol bem praticado do primeiro ao último dia. É um regalo vê-los a trocar a bola e há momentos gloriosos como os golos de Insigne e Chiesa vs Bélgica e Espanha, por exemplo.

 E Portugal? Bem visto, Portugal desenha o pior Europeu da sua história em oito participações. A falta de vontade em ganhar, a falta de ritmo, a falta de tudo, até de resultados. Inédito, acumula mais derrotas (Alemanha e Bélgica) que vitórias (Hungria). E sai à primeira, como no Mundial-2018. A pobreza nacional contagia Paulo Sousa, seleccionador da Polónia. Sai de cena ainda na primeira fase, como último classificado de um grupo com Suécia, Espanha e Eslováquia. Ao todo, Fernando Santos e Paulo Sousa acumulam uma vitória. Uma, só. Mais dois empates e quatro derrotas. É obra. Culpa-se o azar? Obviamente. E sai-se de cabeça erguida? Nem mais.

 Uma palavra para alguns artistas como Kane. O capitão da Inglaterra joga à bola com uma subtileza fora do comum para um 9 puro. Marca quatro golos e ajuda a construir mais uns quantos, como o da final, da autoria de Shaw. É ele quem pega na bola antes do meio-campo, controla-a e passa-a para Trippier. O seu controlo é exemplar e os dribles toma lá-dá cá desconcertantes. Jorginho, que poço sem fundo, chi-ça. A Itália joga a mil por culpa deste senhor, atleta prodigioso. Pedro, só 18 anos e tanto tanto tanto talento. É eleito o melhor jovem do torneio, sucede a Renato. Atenção, muita atenção, Pedri tem mais cabeça. Tanto dentro como fora de campo. Dani Olmo, outro craque. Esquerdino divinal, inventor de jogadas mirabolantes. Donnarumma, claro. Um senhor guarda-redes aos 22 anos. Forsberg, o mais influente de uma selecção como autor de quatro dos cinco golos da Suécia. Que pedaço de 10 como goleador, organizador e vencedor da bola ao poste (três, ao todo).

 Acabamos o texto com os melhores jogos. Suíça vs França salta-nos logo à cabeça pelo carrossel de emoções. Seferovic marca primeiro e, já na segunda parte, Lloris defende o penálti de Rodríguez para o 2:0. Benzema acorda e toma lá dois golos para a reviravolta. Pogba faz o terceiro num pontapé do outro mundo ao ângulo superior, lance já executado vs Portugal e superiormente defendido por Patrício. Está 3:1 aos 81 minutos. A Suíça vai-se a eles. Seferovic reduz aos 81’, Gavranovic empata em cima dos 90. No prolongamento, rien de rien. Nos penáltis,. Sommer defende o remate de Mbappé e c’est fini para o campeão mundial.

 No mesmo dia, coincidência das coincidências, há Espanha vs Croácia. Ao autogolo da praxe, a meias entre Pedri e Unai, segue-se a reacção. Aos 77 minutos, 3:1 de Ferrán Torres. Game over? Nem por sombras. Orsic reduz aos 85’, Pasalic empata aos 90’+2. No prolongamento, Morata e Oyarzabal definem melhor e apuram a Espanha. Para compor o pódio, Itália vs Bélgica. Era para ser Portugal vs Áustria, só que o ‘azar’ determina outro emparelhamento. E ainda bem, tanto italianos como belgas soltam-se em Munique e deslumbram a malta com um futebol despretensioso, sem preocupações defensivas. É um hino ao ataque. Se metade das bolas entrasse, por pontaria dos atiradores ou aselhice dos guarda-redes, acabaria 6:4 ou coisa parecida.

 Em 2024 há mais, na Alemanha. Até lá, o Mundial Qatar-2022 fora de época (entre Novembro e Dezembro) concentra as atenções. Até lá, a Itália é dona e rainha da Europa. Avanti ragazzi.

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