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Portugal-França. Diálogo entre Ronaldo e Benzema
Desporto 4 min. 23.06.2021
Euro 2020

Portugal-França. Diálogo entre Ronaldo e Benzema

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Portugal-França. Diálogo entre Ronaldo e Benzema

Foto: AFP
Desporto 4 min. 23.06.2021
Euro 2020

Portugal-França. Diálogo entre Ronaldo e Benzema

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
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Sevilha, Londres, Bucareste, Lisboa, Londres, Sevilha, Bucareste, Londres, Sevilha, Bucareste, Londres, Sevilha. Finalmente é Sevilha, o destino de Portugal nos oitavos-de-final, vs Bélgica, na ressaca do empate luso-francês a dois golos em Budapeste. Que roda-viva, a última jornada do grupo F, muito por culpa da surpreendente Hungria, quase sempre à frente do marcador vs Alemanha, em Munique. No fim das contas, prevalece a lógica. França em primeiro, Alemanha em segundo, Portugal em terceiro, como em 2016.

 O onze de Santos sofre duas alterações maiúsculas com as entradas de Moutinho e Renato para os lugares de William e Bruno Fernandes. Vai daí, Portugal abandona o 4-2-1-3 e abraça o 4-1-4-1, transformado em 4-3-3 numa toada mais prá frentex. Verdade seja dita, a França entra a dormir e pouco incomoda. Nem cócegas faz. Portugal assenhora-se facilmente do jogo do seu meio-campo para a frente, graças às correrias desenfreadas de Renato. À passagem da meia-hora, um livre para a área francesa dá o primeiro dos três penáltis do jogo. Danilo salta bem, tal como Lloris. O português chega primeiro que o punho do francês e é castigado com um murro digno de Tyson. O árbitro espanhol Mateu Lahoz assinala falta sem pestanejar. Na conversão dos 11 metros, Ronaldo atira para o meio, enquanto Lloris escolhe o seu lado direito. É o 1:0 e o toque a reunir para a França.

 Até ao intervalo, nada parece interferir com a vantagem de Portugal a não ser um penálti muito forçado por tropeção de Mbappé no pé de Nélson Semedo à entrada da área. Os protestos são mais que muitos, intervém o VAR e o espanhol mantém a decisão. Chamado a bater, Benzema engana Patrício e empata. No recomeço, já sem Danilo, substituído por Palhinha na sequência daquela pancada de Lloris, a França chega à vantagem de uma forma assustadoramente natural. Passe simples de Pogba, desmarcação de Benzema nas costas de Rúben Dias e remate de primeira com o pé direito, sem hipótese para Patrício. A bola ainda bate no poste. Ao festejo segue-se a interrupção do jogo. Off-side, diz-se. O VAR exercita-se, de novo. E garante o golo, Benzema está realmente onside. Pela primeira vez, Portugal está fora do Euro. Durante 13 longos minutos, a selecção nacional experimenta uma sensação nunca vista em sete participações. É o adeus. Será? Ainda falta muito.

 E o empate da tranquilidade chega de penálti, aos 60 minutos, a castigar mão de Koundé a um cruzamento de Ronaldo na linha de fundo. Mais uma vez, Ronaldo vs Lloris. O penálti é extremamente bem marcado, ao canto inferior direito de Lloris, que se atirara para o lado contrário. É o 109.º golo internacional de Ronaldo, o do empate com o rei Ali Daei, do Irão. E é também o seu quinto golo neste Europeu e o 14.º na história da competição. Desses 14, dez como capitão. É já o recordista, à frente de Platini, com nove, todos em 1984. Com o 2:2, Portugal descansa. Erro tremendo, porque ainda falta muito tempo e porque a França não está pelos ajustes. Carrega uma, duas, três vezes. À terceira, Pogba acerta bem na bola e obriga Patrício a uma defesa memorável. A palmada com a mão direita desvia a bola para o poste e ressalta para o relvado. Na passada, Griezmann nem pensa duas vezes e toma lá disto. Patrício levanta-se e faz outra defesa impressionante.

 É o canto do cisne. A partir daqui, e porque a Alemanha também chega ao 2:2, as duas equipas parecem contentes com o empate. Há assobios do público à falta de pica para jogar futebol. E com razão. Os últimos minutos passam a correr sem nenhuma ocorrência a registar. Está tudo controlado, a França é a primeira do grupo e joga com a Suíça em Bucareste, a Alemanha é segunda e acasala com a Inglaterra em Londres e Portugal faz terceiro lugar pelo segundo Euro seguido. À sua espera, a Bélgica. No fundo no fundo, é um jogo adiado desde a ½ final do Euro anterior, só que Gales surpreende à grande e à francesa (3:1 de virada). À sua espera, a líder do ranking mundial. Aí, o resultado até pode ser um empate, só que as duas equipas não vão sair do campo aliviadas e com a sensação de dever cumprido.

 Eis os actores principais e secundários do jogo

FRANÇA Lloris; Kounde, Varane, Kimpembe e Hernández (Digne 46) (Rabiot 52); Tolisso (Coman 66), N’Kanté e Pogba; Griezmann (Sissoko 87); Benzema e Mbappé

Seleccionador Didier Deschamps (francês)

PORTUGAL Rui Patrício; Nélson Semedo (Dalot 79), Rúben Dias, Pepe e Raphaël; Moutinho (Rúben Neves 73), Danilo (Palhinha 46) e Renato (Sérgio Oliveira 88); Bernardo (Bruno Fernandes 73), Ronaldo e Diogo Jota

Seleccionador Fernando Santos (português)

Árbitro Mateu Lahoz (Espanha)

Marcadores 0-1 Ronaldo (31 p); 1-1 Benzema (45+2 p); 2-1 Benzema (47); 2-2 Ronaldo (60 p)

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