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Itália saka título em Wembley
Desporto 4 min. 12.07.2021
Euro 2020

Itália saka título em Wembley

Final resolvida nos penáltis
Euro 2020

Itália saka título em Wembley

Final resolvida nos penáltis
AFP
Desporto 4 min. 12.07.2021
Euro 2020

Itália saka título em Wembley

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Saka falha último penálti, Inglaterra perde final em casa e Itália solta o grito de campeão preso desde 1968.

Duas horas e 58 minutos, mais que uma maratona. A final do Euro é longa, longuíssima. Ganha a Itália, a do futebol de ataque. Perde a Inglaterra, a do futebol previsível. A diferença está no pormenor: os italianos correm e jogam muito. Os ingleses correm muito e jogam. Até começam bem, atenção. O golo ao segundo minuto é um óptimo avanço para qualquer equipa, ainda por cima numa decisão em casa. Quer dizer, melhor é impossível.

 A jogada começa na sua defesa, com recuperação do lateral-esquerdo Luke Shaw junto à linha lateral. A bola avança para o capitão Kane, antes do meio-campo. O avançado abre para a direita, onde aparece Trippier completamente solto. Junto ao bico da área, o cruzamento sai longo e na direcção do segundo poste. Shaw, esse mesmo, mete o pé esquerdo e atira para o golo. Wembley vai abaixo, é de sonho. Para os ingleses, claro. Os italianos nem reagem. Tanto os adeptos como os jogadores. A selecção demora a dar a volta à situação e, verdade seja dita, nem um remate enquadrado à baliza de Pickford até ao intervalo. Só Chiesa nos seus repentes abana a estrutura inglesa, sempre sem acertar no alvo. A Inglaterra defende-se bem, como sempre – é notar a solidez ao longo do torneio, só um golo sofrido, e de livre directo, na ½ final vs Dinamarca. Outra verdade, a Inglaterra acomoda-se com o 1:0. Donnarumma é outro espectador, só exercita os braços em cruzamentos.

 O intervalo marca a diferença. A Itália aparece mais afoita. Aleluia, temos jogo. Aos 55 minutos, saem Barella e Immobile para a entrada de Cristante e Berardi. Mamma mia, mais Italia. Agora sim, futebol vertiginoso. A Inglaterra nem respira. Há um, dois, três lances de perigo. Às tantas, canto na direita. Berardi mete a cabeça ao primeiro poste, Chiellini falha a emenda, Verratti atira ao poste e Bonucci empurra para a baliza à guarda de Kane- Ya, o capitão é o último bastião, agarrado ao poste. Em vão, a bola entra com suavidade. É o empate.

 E agora? A Inglaterra continua imóvel (Southgate idem idem), a Itália avança ora em ataque continuado ora em lançamentos longos. Num deles, a cargo de Bonucci, o pontapé moinho de Berardi à saída de Pickford sai um nada por cima da trave. A Itália carrega carrega carrega e carrega. E toca toca toca e toca. A posse de bola chega aos 65%. Da Inglaterra nem uma palavra nem um rasgo de nada. Kane continua a ser o médio. Ele que é avançado, 9 puro, note-se. Os minutos passam, o cansaço apodera-se da malta toda. Já há reposições de baliza a baliza entre Donnarumma e Pickford.

 O prolongamento acentua essa realidade e a Inglaterra desperta, como já havia sucedido na ½ final vs Dinamarca. Lá está, os ingleses correm muito. O tempo todo. Se têm a bola, é um problema para afastá-los da área. Só que a Itália tem Chiellini mais Bonucci e a dupla de centrais varre a zona proibida sem cerimónias, mesmo que os dribles de Sterling e Grealish sejam de respeito. No outro lado do campo, Pickford já sobe à condição de libero e Maguire assenta arraiais no meio-campo. A Itália recua e oferece jogo na esperança de um contra-ataque. Em vão, já não há pernas para nada. Só para os penáltis.

 Moeda ao ar. Ganha a Inglaterra. É na bancada dos adeptos ingleses. Ouve-se um bruááááááá. Moeda ao ar, again. Ganha a Itália. Começa Berardi. E desagua em Saka. O miúdo de 19 anos atira para defesa de Donnarumma e é o terceiro inglês seguido a falhar, e o terceiro suplente, após Rashford (23 anos) e Sancho (21). As apostas de Southgate falham clamorosamente e a Itália é a primeira selecção de sempre a ganhar dois desempates no mesmo Europeu. No final, é Éder quem leva a taça ao campeão. Levanta o caneco, Chiellini. E bem alto. O homem merece, a Itália também. Grande, enorme, gigantesco trabalho de Mancini, invencível há 33 jogos, desde o 1:0 de André Silva na Luz para a Taça das Nações. A Itália, afastada do Mundial-2018 via play-off vs Suécia, faz história e repete o título de 1968, aí com necessidade de eliminar final a URSS por moeda ao ar e só ganhar à Jugoslávia na finalíssima.

 Game over, il calcio torna a casa. Wembley é tomada por italianos, tal como o Maracanã é tomado por argentinos na final da Copa América durante a madrugada (Brasil 0:1 Argentina). Anfitriões out, convidados in.

 Com Makkelie no apito, eis os actores principais e secundários

INGLATERRA Pickford; Trippier (Saka 70), Walker (Sancho 120) , Stones, Maguire e Shaw; Phillips e Rice (Henderson 74) (rashford 120); Mount (Grealish 99) e Sterling; Kane (cap)

Seleccionador Gareth Southgate (inglês)

ITÁLIA Donnarumma; Di Lorenzo, Bonucci, Chiellini (cap) e Emerson (Florenzi 118); Barella (Cristante 54), Jorginho e Verratti (Locatelli 96); Chiesa (Bernardeschi 865), Immobile (Berardi 54) e Insigne (Belotti 91)

Seleccionador Roberto Mancini (italiano)

Marcadores 1:0 Shaw (2); 1:1 Bonucci (67)

Desempate por penáltis Berardi (0:1), Kane (1:1), Belotti (defesa de Pickford), Maguire (2:1), Bonucci (2:2), Rashford (ao poste), Bernardeschi (2:3), Sancho (defesa de Donnarumma), Jorginho (defesa de Pickford), Saka (defesa de Donnarumma)

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