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Escola do Benfica. Um ano de crescimento com pandemia pelo meio
Desporto 21 8 min. 29.10.2020

Escola do Benfica. Um ano de crescimento com pandemia pelo meio

A Escola do Benfica fez um ano e apesar da pandemia continua a crescer.

Escola do Benfica. Um ano de crescimento com pandemia pelo meio

A Escola do Benfica fez um ano e apesar da pandemia continua a crescer.
Foto: Álvaro Cruz
Desporto 21 8 min. 29.10.2020

Escola do Benfica. Um ano de crescimento com pandemia pelo meio

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
A crise do vírus limitou o desenvolvimento da academia encarnada no Grão-Ducado, mas dirigentes, responsáveis e treinadores não baixam os braços, vincando que os progressos já são visíveis e que no futuro os frutos do trabalho vão ser reconhecidos por todos.

O sol alternava com períodos de chuva, mas nem por isso a miudagem arredou pé do relvado sintético em Hamm, porque como diz o velho ditado, "quem corre por gosto, não cansa".

Era dia de treino para as muitas dezenas de crianças da Escola do Benfica no Luxemburgo que, orgulhosamente de águia ao peito, quais papoilas saltitantes, corriam sem parar, fintavam, chutavam e festejavam efusivamente os golos como de uma final da ’Champions’ se tratasse. A plateia de pais, familiares e amigos, atentos a cada pormenor, não perdia pitada do treino dos seus protegidos.

"Isso, joga, conduz, olha o companheiro, boa João, isso, vai, vai, muito bem...", os incentivos dos treinadores em português aos jovens jogadores misturavam-se com algumas correções em francês e muitas, também, em luxemburguês "séier, séier (rápido, rápido), jo, jo, (isso, isso), laaf (corre), op de Goal (para a baliza), géi, géi (vai, vai), schéiss, schéiss (chuta, chuta), schéin (bonito) Joel, gudd gespillt, mäi Jong (bem jogado miúdo)"... ecoavam pelo campo com muitas palmas e incentivos à mistura.

Os ateliês espalhados estrategicamente pelo campo revelaram-se dinâmicos, variados e com conteúdos ricos nas múltiplas vertentes da metodologia de aprendizagem do futebol 'made in Benfica' que se tornou referência no mundo e instalou-se há um ano no Luxemburgo.

Passaram-se exatamente doze meses depois da vinda de Nuno Gomes ao Grão-Ducado. O ex-internacional português e referência benfiquista, juntamente com Paul Philipp, presidente da Federação Luxemburguesa de Futebol, e os dirigentes do clube de Cents realizaram um sonho que demorou alguns anos a tornar-se realidade.

Igor Santos, Coordenador da Escola do Benfica no Luxemburgo.
Igor Santos, Coordenador da Escola do Benfica no Luxemburgo.
Foto: Álvaro Cruz

O balanço feito por Igor Santos, coordenador da Escola, é positivo, apesar do responsável da formação encarnada admitir que inicialmente nem tudo foram rosas: "Tendo em conta alguns problemas que tivemos na primeira fase, até janeiro, e depois com a pandemia, as coisas até nem correram mal. A implementação e consolidação de uma Escola de Futebol com as características das nossas precisa de muito tempo e paciência", sublinha.

"Inicialmente talvez não tenhamos comunicado as informações da melhor forma, mas agora já chegamos a mais gente um pouco por todo o país. De qualquer forma, a evolução já é visível nos miúdos, mais nuns que noutros, segundo os objetivos pessoais, o que é normal porque nem todos estão no mesmo patamar."

Metodologia de trabalho reconhecida internacionalmente

Sobre a reação dos pais, Igor diz que "de uma forma geral têm sido boas", realçando que acima de tudo "eles sabem que estamos aqui para ajudar na evolução dos miúdos, através de uma metodologia que tem dado provas a nível mundial."

Paulo Osório tem um filho de 10 anos que é guarda-redes na Escola. Enaltece a qualidade dos treinos e a evolução que afirma ter-se verificado a todos os níveis.

"Noto uma clara evolução no meu filho desde que veio para cá. Os treinos são mais puxados e exigentes, mas o resultado está à vista. Acho que ele melhorou em todos os aspetos sobretudo no que respeita à motivação,", enfatiza, opinião partilhada por Murphy Shehu, pai de Noah, de 8 anos, que afina pelo mesmo diapasão: "Estou bastante satisfeito com a evolução que o meu filho tem tido. A qualidade dos treinos e a forma como os miúdos são enquadrados e acompanhados é diferente. A exigência é maior, mas vale a pena", vinca.

Mas Igor Santos sabe que ainda tem muito trabalho pela frente num país onde reconhece que a formação não é uma prioridade.

"Preocupamo-nos em fazer bem o nosso trabalho, mas excluindo a Federação e alguns clubes, a maioria não dá a importância devida às camadas jovens. Faltam treinadores direcionados para o trabalho de formação e para a qualidade do jogo", reforça, lembrando que "a casa não se pode começar pelo telhado".

Sobre a sua missão no Luxemburgo, lembra que o Benfica lhe pediu que "representasse dignamente os valores do clube e a forma de jogar assente na metodologia criada na instituição, internacionalmente reconhecida pela sua qualidade".

"Replicar ao milímetro, aqui, o jogo que caracteriza o Benfica não é fácil porque a qualidade e quantidade de jogadores é muito menor. No entanto, dentro dos nossos condicionalismos, cabe-nos reforçar o trabalho e aproveitamento dos treinos direcionado aos jogadores que possuímos para que eles possam continuar a progredir. O nosso objetivo é deixar as coisas melhores do que as encontrámos."

Paulo Farrajota, é um dos diretores da Escola do Benfica no Grão-Ducado, juntamente com Toni Costa e Pedro Amorim.
Paulo Farrajota, é um dos diretores da Escola do Benfica no Grão-Ducado, juntamente com Toni Costa e Pedro Amorim.
Foto: Álvaro Cruz

Paulo Farrajota é um dos diretores da Escola do Benfica. Juntamente com Toni Costa e Pedro Amorim, o ex-jogador do Rio Ave congratula-se pelo crescimento da Escola encarnada, reconhecendo que "Apesar de todos os condicionalismos num ano tão complicado pela pandemia, os resultados acabam por ser positivos num ano de crescimento."

O dirigente lembra que "colocar de pé um empreendimento desta envergadura não é fácil. Contrariamente ao que pensavam algumas pessoas inicialmente, acabámos por ter um retorno positivo do nosso trabalho, que é muito difícil", lembra.

É preciso tempo e paciência para consolidar ideias e métodos.

"Nós não somos profissionais. Trabalhamos, todos, muito, para as coisas funcionarem. A pandemia foi muito prejudicial em toda a nossa estratégia, mas apesar de todas as contrariedades já começamos a ver frutos do trabalho. A metodologia do Benfica é reconhecida mundialmente e aqui vai seguir o mesmo caminho. Nestes meses já vemos que a qualidade de jogo das várias equipas melhorou consideravelmente, mas convém lembrar que é preciso tempo e paciência para consolidar ideias e métodos", precisa.

"O fisioterapeuta e massagista que recrutámos é também uma mais valia para todos porque é um profissional competente e experiente na prevenção, avaliação e recuperação de lesões."

"Os pais estão satisfeitos e têm aderido de forma bastante satisfatória nos treinos e jogos, apoiando as equipas, mas para que tudo corra bem são necessárias muitas horas de trabalho invisível", vinca. Presente em vários campos, a escola do Benfica organiza também campos de férias e sessões de treinos específicos para jogadores de outras instituições como por exemplo a Escola Europeia. Para Paulo Farrajota, "a qualidade dos nossos treinos é profissionais e de grande fialbilidade. Tenho a certeza que o nosso futuro será risonho e que poderemos ajudar os jogadores a melhorar em todos os aspetos. O meu sonho é que esta academia se transforme numa referência para todo no Luxemburgo."

Roma e Pavia não se fizeram num dia e o trabalho costuma ser sempre recompensado, sobretudo se a pandemia deixar... 

Verónica Gonçalves. "É um verdadeiro privilégio trabalhar na Escola do meu clube"

Verónica Gonçalves, a treinadora que trocou Trás-os-Montes pela Escola do Benfica no Luxemburgo.
Verónica Gonçalves, a treinadora que trocou Trás-os-Montes pela Escola do Benfica no Luxemburgo.
Foto: Á. Cruz

Verónica Gonçalves é transmontana, natural de Vila Real, e profundamente apaixonada pelo futebol. Chegou há três anos ao Luxemburgo e integra o staff de treinadores da Escola do Benfica no Grão-Ducado, desde a sua inauguração oficial, em outubro do ano passado.

A jovem treinadora conta-nos como e porque decidiu vir para o Luxemburgo e como entrou em contacto com os dirigentes do RM Hamm Benfica: “Como muitas outras pessoas vim para tentar uma oportunidade na área da educação física, na qual possuo um mestrado. Felizmente as coisas correram bem e atualmente estou a trabalhar nas piscinas de Bettembourg.”

Em Portugal, já tinha desempenhado as funções de treinadora e em solo luxemburguês a escolha para continuar a exercer o cargo recaiu sobre o RM Hamm Benfica. “Como sou fanática pelo Benfica desde pequenina e soube que o clube tinha uma ligação à casa mãe, aproveitei a fui à sede falar com os dirigentes. Em Portugal, já tinha treinado durante dois anos a equipa feminina de sub-16 da Associação de Futebol de Vila Real e como trazia uma carta de recomendação de um treinador com quem trabalhei. Como também possuo o curso de treinadora nível C, os dirigentes do Hamm interessaram-se por mim e fiquei. Foi o que se costuma dizer, juntar o útil ao agradável”, lembra com um sorriso.

Nos encarnados do Cents tem trabalhado com várias equipas dos escalões de formação e agora integra o staff da escola encarnada, orientando mais frequentemente a equipa de sub-13 e os mais pequenos (Baby Foot).

“Para mim é um sonho tornado realidade e um verdadeiro privilégio poder fazer parte desta Escola de Futebol. A formação do Benfica é conhecida mundialmente pela sua qualidade em formar jogadores. Poder trabalhar no Luxemburgo com essa missão, é muito bom em todos os aspetos”, congratula-se, reforçando que “aprender com treinadores mais experientes e outra dimensão no futebol é também importante para mim e para a minha evolução.”

Com apenas 30 anos, Verónica pretende continuar a treinar na Escola do Benfica, mas assume que quer concretizar o sonho de um dia chegar a outro patamar.

“Ainda tenho um longo caminho pela frente. Quero continuar a aprender com humildade e evoluir para mais tarde poder tornar-me treinadora profissional. O futebol é a grande paixão da minha vida e sem ele não sei viver. Fazer o que se gosta na vida é a melhor coisa, por isso vou empenhar-me o máximo para poder realizar o meu g rande sonho”, concluiu. ÁC 


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