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Eintracht campeão por tuta e meia
Opinião Desporto 24 5 min. 19.05.2022
Liga Europa

Eintracht campeão por tuta e meia

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Eintracht campeão por tuta e meia

Foto: Javier Soriano/AFP
Opinião Desporto 24 5 min. 19.05.2022
Liga Europa

Eintracht campeão por tuta e meia

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Final da Liga Europa decidida a favor dos alemães vs Rangers no desempate por penáltis, em Sevilha (5:4).

Impressionante, a moldura humana no Sánchez Pizjuán, em Sevilha. O azul do Rangers e o branco (alternativo) do Eintracht ofuscam o verde da relva. Quando a câmara faz grandes planos das caras dos adeptos acotovelados nas suas bancadas, dá-nos vontade de saltar para dentro da televisão. O sofá, amarelo torrado, é mais a nossa praia. Baaaah, paciência.

A final da Liga Europa é desnivelada pelo superior toque de bola do Eintracht, invicto na campanha europeia com sete vitórias e cinco empates em 12 jogos, seis em fases de grupos e outros seis a eliminar vs Betis, Barcelona e West Ham. Em Sevilha, o Eintracht mexe-se melhor com (e sem) bola, o problema é a falta de pontaria na hora agá. As oportunidades acumulam-se, seja Knauff, Lindström, Kostic, Kamada, Borré. Uma série de figuras arriscam o golo, seja de longe e de perto. McGregor, o guarda-redes de 40 anos, defende com categoria ou vê-las passar – a elas, às bolas.

O Rangers mexe-se melhor sem bola, à conta do seu futebol físico e pouco requintado. Há talento em Tavernier, o capitão e melhor marcador da competição (sim, da Liga Europa, com 8 golos), há querer em Wright e há oportunismo em Aribo. Todos os restantes sete jogadores de campo vestidos de azul correm muito de um lado para o outro, atrapalham imenso quem lhes aparece à frente e fazem pela vida. Atenção, o Rangers chega a Sevilha com mérito maiúsculo: afasta duas equipas alemãs (Borussia Dortmund mais Red Bull Leipzig) e, pelo meio, o Braga. A sua força é o factor casa, no Ibrox. Fora, é assim-assim. E então? William Wallace estaria orgulhoso dos seus heróis do século XXI.

No Sánchez Pizjuán, já palco de uma final europeia interminável em 1986 entre Barcelona e Steaua (0:0 e 2:0 no desempate de penáltis), o prolongamento é algo distante da realidade porque o Eintracht entra forte, determinado e provoca as melhores oportunidades. Ao intervalo, 0:0. No reinício, mais do mesmo. De repente, num lance inofensivo, Tuta escorrega e Aribo aproveita aquela autoestrada para abrir o marcador, com um remate rasteiro à saída de Trapp.

O Eintracht vê-se em desvantagem e continua a carregar, às vezes sem cabeça. Pois bem, é num desses lances espontâneos, saídos do nada, sem trabalho de equipa, que cai do céu o 1:1. Kostic cruza da esquerda para o interior da área e os centrais Goldson-Bassey fazem cerimónia a atacar a bola. Borré, astuto, estica o pé e sai a festejar com cara séria, à frente dos seus adeptos. Ainda faltam 20 minutos para o fim, o Eintracht arrisca mais, o Rangers estuda o prolongamento. E ganha.

Mais 30 minutos extra de futebol movimentado e cheio de cãibras. O cansaço pesa, o poder de decisão diminui e aí, verdade seja dita, o Rangers manda mais. O tal poder físico faz mossa e a melhor oportunidade é aos 118’, por Davis, cujo remate à queima-roupa é repelido por Trapp com a perna direita. Aos 120’+1’, livre directo para o Rangers em zona perigosa e o capitão Tavernier roça o nono golo da sua aventura europeia. Trapp defende a dois tempos.

Chega o enésimo apito de Vincic, vamos para penáltis pela segunda época seguida na final da Liga Europa. Há um ano, é uma maratona de mais de 20 penáltis e tem de ser um guarda-redes a falhar (De Gea, Man United) para entregar a taça ao Villarreal. Em Sevilha, no Sánchez Pizjuán, a responsabilidade é imensa. Em 1986, na final europeia anterior naquele estádio, um senhor romeno chamado Duckadam defende quatro penáltis seguidos e entrega o título de bandeja ao Steaua vs Barcelona. 

Acaba 2:0, um resultado inacreditável para um desempate a 11 metros da baliza. Desta vez, tudo diferente e há seis golos nos primeiros seis remates. Ao sétimo, Trapp impede o golo de Ramsey. O Eintracht aproveita o deslize e adianta-se por Kostic. Depois, Roofe estica a corda e Borré sentencia com um remate ao ângulo superior direito de McGregor, precisamente na baliza onde se encontra uma imensidão de camisolas azuis escuras.


Final da Liga Europa este ano tem um representante português: Gonçalo Paciência, do Eintracht.
A melhor final europeia de sempre
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O Rangers perde a quarta final europeia da sua história, a primeira desde 2008 (vs Zenit), o Eintracht junta a Liga Europa à Taça UEFA 1980. O Rangers perde uma final europeia em Sevilha, como o arqui-rival Celtic (vs FC Porto 2003), o Eintracht é o segundo pior campeão europeu da história, via 11.º lugar do campeonato alemão desta época (pior pior só mesmo o Schalke 04, também alemão, em 12.º na campanha 1996-97). Palmas para Glasner, tão-só o segundo treinador austríaco a levantar uma taça europeia, na ressaca de Ernst Happel (1970 Feyenoord, 1983 Hamburgo). E um passou-bem a Van Brockhorst, o oitavo holandês a perder uma final. Já agora, e só para acabar, Gonçalo Paciência é campeão da Liga Europa. Suplente em Sevilha, contribui para a conquista com dois golos na fase de grupos, ambos nos descontos, ambos vs Antuérpia, um na Bélgica e outro na Alemanha.

Sob a arbitragem do esloveno Slavko Vincic, eis os actores principais e secundários no Sánchez Pizjuán:

Eintracht: Trapp; Tuta (Hasebe 58’), Touré e N’Dicka (Lenz 100’); Knauff, Sow, Rode (cap) (Jakic 90’) e Kostic; Lindström (Hauge 71’), Borré e Kamada; treinador Oliver Glasner (austríaco)

Rangers: McGregor; Tavernier (cap), Bassey, Goldson e Barisic (Roofe 117’); Lundstram e Jack (Davis 74’); Kent, Wright (Sakala 74’) (Ramsey 118’) e Kamara (Arfield 91’); Aribo (Sands 101’); treinador Giovanni van Bronckhorst (holandês)

Marcadores: 0:1 Aribo (57’); 1:1 Borré (69’)

Desempate por grandes penalidades: Tavernier 0:1, Lenz 1:1, Davis 1:2, Hrustic 2:2, Arfield 2:3, Kamada 3:3, Ramsey (defesa de Trapp), Kostic 4:3, Roofe 4:4, Borré 5:4

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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