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Domenico Laporta volta a candidatar-se ao Conselho de Administração da FLF
Desporto 5 min. 22.10.2020

Domenico Laporta volta a candidatar-se ao Conselho de Administração da FLF

Domenico Laporta vai voltar a candidatar-se ao Conselho de Administração da Federação Luxemburguesa de Futebol.

Domenico Laporta volta a candidatar-se ao Conselho de Administração da FLF

Domenico Laporta vai voltar a candidatar-se ao Conselho de Administração da Federação Luxemburguesa de Futebol.
Foto: Arquivo LW
Desporto 5 min. 22.10.2020

Domenico Laporta volta a candidatar-se ao Conselho de Administração da FLF

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
O educador de profissão e dirigente desportivo, que há quatro anos não obteve os votos necessários para a eleição, quer dinamizar o futebol no Luxemburgo que garante precisar de uma lufada de ar fresco.

Domenico Laporta é educador de profissão e um dos principais impulsionadores do futsal no Luxemburgo. Vai candidatar-se pela segunda vez a membro do Conselho de Administração (CA) da Federação Luxemburguesa de Futebol (FLF) para um mandato de quatro anos, no próximo congresso que se realiza sábado, em Huseldange.

Desta vez, Laporta confessou ao Contacto que a sua candidatura "não foi tão bem preparada como poderia e deveria", mas afirma ter "ideias novas para implementar, melhorar e desenvolver o futebol de uma forma geral no Luxemburgo", lembrando que "quando queremos muito realizar uma coisa é preciso insistir e ousar."

O fundador da Associação Luxemburguesa de Street Soccer (ALSS) pretende desenvolver um programa de educação pelo desporto para sensibilizar mais jovens para a prática do futebol no país. "É necessário preservar aquilo que a federação tem feito de bom, mas existem muitas coisas que podem ser melhoradas, como por exemplo o futebol de formação nos clubes e como encaramos seus valores", afirma.

Outro dos problemas que Laporta quer ver resolvido é o marketing e a comunicação entre a FLF e os clubes, os quais afirma serem bastante deficitários. "É necessário ouvir os clubes sobre os seus problemas, necessidades e ambições. O diálogo é fundamental para que o futebol possa avançar na boa direcção em todas as suas vertentes."

"Tenho boas relações com a  maioria dos clubes no Luxemburgo e pretendo melhorá-las ainda mais. Acredito que juntos poderemos fazer coisas bastantes interessantes para dar outra dimensão à modalidade no país. O futebol não se resume apenas aos grandes clubes da Liga BGL, os pequenos também merecem ser ouvidos, acompanhados e ajudados" atira com convicção.

Mas é no trabalho com os jovens "desportiva e socialmente" que Domenico acredita ter uma palavra a dizer. "É no meio dos jovens que me sinto melhor porque estou todos os dias nos campos. Sou educador e com a minha experiência acredito que posso dar um incremento válido no trabalho que a Federação Luxemburguesa de Futebol pode fazer em prol da juventude no país", argumenta.

"Por exemplo, no futebol de formação, é importante distinguir as suas diferentes fases e colocar à frente das equipas gente com reais competências. Dos 6 aos 12 anos os treinadores são mais educadores. Além do aspeto desportivo, devem preocupar-se com as crianças, a sua educação e bem-estar, implementar regras simples de vida em grupo, comunicar e transmitir aos pais o papel [determinante] que têm na vida dos seus filhos", explica. 

"Dos 12 aos 18/19, os treinadores deverão assumir já um papel de formadores porque é nesta fase que os miúdos adquirem realmente a sua formação como jogadores nos várias vertentes desportivas e educacionais. E só depois, quando chegam a sénior, com toda uma formação adequada deverão ter um verdadeiro treinador que pela seu superior conhecimento os ajudarão a integrar-se e assumir o papel em equipas competitivas e até profissionais."

A transição entre a fase da formação e o mundo sénior também foi abordado por Laporta, que defende a criação de um campeonato sub-21. "Na altura de passarem à idade adulta, muitos jovens sentem-se numa encruzilhada. Muitos querem seguir os estudos no acesso à universidade, outros vão trabalhar, mas querem quase todos continuar a jogar e temos de dar-lhes essa oportunidade. Se houvesse um campeonato sub-21, estes jovens poderiam continuar a competir num patamar mais equilibrado e preparavam-se melhor para a transição para o mundo sénior, mais competitivo e exigente. Acredito que todos ficariam a ganhar." 

Arbitragem, um problema que tem de ser resolvido

O problema da arbitragem é outra das preocupações de Domenico Laporta: "Além de termos poucos árbitros, estes sofrem muitas vezes maus tratos e a sua formação é também um dos 'calcanhares de aquiles' da FLF. Eles necessitam de  incentivos, valorização e uma formação adequada que é bastante importante", precisa, continuando o seu raciocínio: "Até aos 12 anos acho que os árbitros podem ser substituídos pelos educadores que mesmo fora do campo podem deixar a responsabilidade às crianças de assumir as regras, interferindo apenas em caso de necessidade."

"Por outro lado, deveríamos colocar os miúdos a partir de 12 anos a apitar jogos, para eles perceberem as dificuldades que um árbitro tem e colocarem-se na 'pele' de quem tantas vezes é criticado injustamente. Era importante para a consciencialização de todos que o árbitro assume um papel fundamental num jogo e deve ser respeitado por todos. Por outro lado, dar também a oportunidade a alguns jovens de poderem descobrir a vocação de árbitro, em vez de jogador." 

Concorrência forte

Domenico Laporta vai apresentar a candidatura através da sua filiação ao clube AS Porto Luxembourg, juntamente com Tun Di Bari (FC Etzella), Gilbert Goergen (CS Fola), Manou Goergen (F91 Dudelange), Jacques Muller (Racing Luxembourg), Georges Kuhn (FC Schifflange), Christian Hess (Schouweiler),  Léon Hilger (UNA Strassen), René Kremer (Résidence Walferdange), Charles Schaack (Sporting Mertzig) e Jean Schiltz (US Hoster)    

Na eleição participam sete novos candidatos mais os quatro que terminam mandato no CA e voltam a candidatar-se, pelo que dos onze, no total, serão escolhidos apenas cinco. 

Sobre as suas possibilidades nesta eleição, Laporta mostrou-se realista: "Sei que vai ser difícil porque defronto adversários com grande 'peso' no mundo do futebol luxemburguês. No entanto, não vou desistir. Se não for eleito, acredito que daqui a dois anos tudo será diferente. Sei que muitos não gostam de mim porque falo sempre o que penso, sem hipocrisias e de forma clara, mas posso orgulhar-me de fazer aquilo que digo, ao contrário de muitos que só falam, mas nunca fizeram nada de relevo", conclui.

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