Escolha as suas informações

Do Brasil recuperado à ausência italiana
Desporto 2 min. 14.06.2018

Do Brasil recuperado à ausência italiana

Paulo Jorge PEREIRA
Paulo Jorge PEREIRA
Há quatro anos, quem viu a desolação, a tristeza e, em certa medida, a vergonha estampada nos rostos de jogadores e adeptos brasileiros depois da goleada, no Mineirão, com a Alemanha, pensou que levaria muito tempo até que a seleção superasse o golpe.

O processo de recuperação foi penoso, lento e conheceu etapas duras, mas o Brasil aí está de novo com equipa à altura do seu magnífico historial. Tal como habituou os adeptos do desporto-rei, esta seleção brasileira liderada pela competência serena de Tite, com Neymar como estrela maior da constelação e nomes seguros como o de Firmino, volta a ser candidata.

Enquanto o Brasil voltou aos melhores tempos, a Itália é a ausência de maior peso nesta edição em que Islândia e Panamá se estreiam. Seis décadas depois de não estar no Mundial da Suécia, em 1958, foram precisamente os suecos que, através do play-off, roubaram à squadra azzurra aquela que seria a presença na prova pela 15a vez consecutiva. Num currículo com quatro títulos mundiais, qualquer acontecimento deste género é traumático, exige reflexão e obrigará os italianos a um processo semelhante ao que viveram os brasileiros, embora por motivos diferentes.

Outra ausência de peso é a da Holanda, três vezes vice-campeã mundial (1974, 1978 e 2010) e habitual praticante de um estilo de jogo atraente.

De volta aos candidatos, não faltam qualidades e recursos a seleções como Alemanha ou Argentina, finalistas da edição brasileira. Os germânicos usaram a Taça das Confederações para nova manifestação de poderio. Mas enfrentam dúvidas, como a longa ausência de Manuel Neuer devido a lesão e cujo regresso se processou já muito perto da convocatória.

Os argentinos tornam a enfrentar fantasmas próprios e uma ideia que tem ensombrado Messi ao longo da carreira: será a equipa sul-americana capaz de resolver os problemas internos e encarar-se ao espelho da competição como candidata de corpo inteiro?

Para lá das surpresas que têm marcado o historial dos Campeonatos do Mundo, outra equipa que se apresenta como candidata é a seleção espanhola. Interrompida a vaga de enorme sucesso iniciada em 2008 e que englobou dois títulos europeus e um mundial, a Espanha chega à Rússia com renovada esperança de retomar o caminho do sucesso e, apesar de ter aos comandos um técnico como Julen Lopetegui, de quem a passagem pelo FC Porto permitiu gerar dúvidas quanto à capacidade de agir bem no jogo, dispõe de variadas opções para se impor.

Adversário da equipa espanhola na fase de grupos, Portugal também tem potencial para um percurso feliz no Campeonato do Mundo. Fernando Santos permanece como fator de coesão e o seu discurso é um catalisador de vontades num mesmo sentido.

Num grupo em que se incluem, segundo o próprio selecionador, além da poderosa Espanha, “a melhor equipa de África (Marrocos) e a melhor equipa da Ásia (Irão)”, não vale a pena pensar que repetir fórmulas chega.

Siga-nos no Facebook, Twitter e receba a nossa newsletter das 17h30.


Notícias relacionadas

Entre candidatos e favoritos
Depois do título europeu conquistado em França, em 2016, o sonho de ser campeões do Mundo na Rússia paira nas cabeças de muitos portugueses, com certa legitimidade, embora a tarefa seja muito mais complicada que há dois anos. Quanto a isso, que nenhum adepto se iluda, porque a realidade é esta.
Depois da vitória do Europeu de 2016, Portugal vai tentar a conquista do Mundial de 2018.