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Daniel Nunes: Treinador campeão do futebol feminino é lusodescendente e quer fazer história
Daniel Nunes ambiciona chegar a treinador principal da equipa sénior masculina

Daniel Nunes: Treinador campeão do futebol feminino é lusodescendente e quer fazer história

Foto: Á. Cruz
Daniel Nunes ambiciona chegar a treinador principal da equipa sénior masculina
Desporto 4 min. 14.06.2017

Daniel Nunes: Treinador campeão do futebol feminino é lusodescendente e quer fazer história

Daniel Nunes é o mentor da equipa feminina do SC Bettembourg que recentemente se sagrou campeã luxemburguesa de futebol. Depois do seu primeiro título, o jovem técnico vai participar na Liga dos Campeões e diz sentir-se preparado para mais altos voos.

Daniel Nunes é o mentor da equipa feminina do SC Bettembourg que recentemente se sagrou campeã luxemburguesa de futebol. Depois do seu primeiro título, o jovem técnico vai participar na Liga dos Campeões e diz sentir-se preparado para mais altos voos.

Por Álvaro Cruz

Começou a dar os primeiros pontapés na bola aos quatro anos, no Sporting Club Bettembourg, sua equipa do coração. Foi guarda-redes, percorreu todas as equipas da formação do clube, mas decidiu parar de jogar aos 22 anos porque a estatura não ajudava, e acabou por abraçar a carreira de treinador. Depois de ter desempenhado o cargo em quase todos os escalões etários do clube, inclusivamente como adjunto nos séniores, iniciou há cinco anos um projeto com a equipa feminina e esta temporada sagrou-se campeão, um título inédito para o clube que considera “saboroso” e “merecido” pelo “trabalho e esforço” realizados.

“Há cerca de cinco anos elaborei um projeto ambicioso que tinha como grande finalidade criar uma equipa feminina competitiva, capaz de discutir o título com as mais fortes, e consegui. Tenho consagrado muito do meu tempo nestes últimos anos a esta equipa que me dá uma grande satisfação”, reforça o treinador de 29 anos.

Mas nem tudo foram rosas na caminhada até ao título, como explica Daniel Nunes: “Tenho feito de tudo com os meus colaboradores. Transferências, treinos, deslocações, coordenação, enfim, todo o trabalho visível e invisível que uma equipa requer. Mas como quem corre por gosto não cansa, sinto-me recompensado com a obtenção do título de campeão esta época, que para todos nós foi extraordinária”, diz.

“Apesar do sucesso, esta temporada tivemos muitas lesões e alguns contratempos que poderiam ter comprometido o primeiro lugar. Perdemos algumas jogadoras importantes como Andreia Machado, mas a equipa uniu-se ainda mais e trabalhou imenso para chegar à vitória que é amplamente merecida. Equipas como o Junglinster, campeão nas últimas épocas, Racing e Niederkorn obrigaram-nos a lutar até ao fim pelos nossos objetivos e isso tornou-nos mais fortes, sublinha”.

O jovem técnico de origem portuguesa que tem nacionalidade luxemburguesa possui no seu plantel várias jogadoras lusas que integram as seleções nacionais, facto que deixa o treinador orgulhoso. “Temos uma equipa jovem, mas com qualidade. Vamos trabalhar ao máximo para continuar entre as melhores do Luxemburgo, porque esse é o nosso objetivo”. O jovem treinador destaca ainda “o grande espírito de equipa” que faz da sua formação “uma autêntica família” facto que na sua opinião revelou-se “fundamental” na conquista deste primeiro campeonato para o clube.

O treinador do SC Bettemnourg conquistou o seu primeiro título de campeõa esta época
O treinador do SC Bettemnourg conquistou o seu primeiro título de campeõa esta época
Foto: Ben Majerus

Sobre a próxima época, o educador de infância de profissão sabe que as responsabilidades aumentaram e que defender o título não vai ser fácil. No entanto, garantiu ao Contacto que a sua equipa vai querer “continuar a ganhar” e para isso estão todos prontos “a fazer sacrifícios”.

A participação na Liga dos Campeões entre 21 e 28 de agosto é outro dos desafios da equipa feminina do SC Bettembourg. Daniel ainda não conhece os adversários que serão sorteados a 23 de junho na sede da UEFA, na Suíça, mas mostra-se entusiasmado com esta primeira experiência europeia.

“Sei que vamos estar num grupo de quatro equipas para disputar o apuramento para a fase seguinte. Vai ser um momento histórico para o clube, para mim e para as jogadoras. Ainda não sabemos onde nem contra quem vamos jogar, mas estamos empenhados em dar o nosso melhor em prol do clube e do futebol feminino luxemburguês”, garante.

Os recentes resultados das representantes luxemburguesas nas competições europeias não têm sido animadores. As diferenças de nível são evidentes e as goleadas surgem com regularidade. Daniel está consciente da realidade entre o futebol feminino grão-ducal e a maioria dos países europeus e aponta como medida principal para a evolução do futebol luxemburguês “a criação de academias para o futebol feminino” e “um maior investimento nas infraestruturas e condições de treino por parte dos clubes”.

Apesar de ser benfiquista dos ’sete costados’, gostava de defrontar a equipa feminina do Sporting mas prefere “esperar e analisar as adversárias” e depois “traçar uma estratégia para estar à altura das responsabilidades e, quem sabe, tentar ganhar um ou outro jogo”.

Confessa que se sente no SC Bettembourg como em sua casa e que o clube é parte integrante da sua família. Pretende aprofundar os seus conhecimentos sobre futebol, sem o qual diz não saber viver, e ambiciona chegar a treinador principal da equipa sénior masculina e fazer história com a conquista de títulos.

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