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Daniel da Mota: “Quero deixar o F91 Dudelange e garantir a conquista da dobradinha”
Daniel da Mota continua a ser um dos jogadores mais valiosos da Liga BGL no Luxemburgo

Daniel da Mota: “Quero deixar o F91 Dudelange e garantir a conquista da dobradinha”

Foto: Fernand Konnen
Daniel da Mota continua a ser um dos jogadores mais valiosos da Liga BGL no Luxemburgo
Desporto 5 min. 17.05.2017

Daniel da Mota: “Quero deixar o F91 Dudelange e garantir a conquista da dobradinha”

Após nove épocas consecutivas ao serviço do F91 Dudelange, com o qual ganhou vários troféus, Daniel da Mota vai deixar o clube e rumar à capital para representar o Racing Luxembourg, desafio que considerou “ambicioso e aliciante”.

Após nove épocas consecutivas ao serviço do F91 Dudelange, com o qual ganhou vários troféus, Daniel da Mota vai deixar o clube e rumar à capital para representar o Racing Luxembourg, desafio que considerou “ambicioso e aliciante”.

Por Álvaro Cruz

“Quero deixar o F91 Dudelange e garantir a conquista da ’dobradinha’. Despedir-me com seis campeonatos e quatro taças seria fechar este ciclo da minha carreira com chave de ouro”. Quem o diz é o lusodescendente Daniel da Mota que vai fazer, no domingo, o seu último jogo de campeonato ao serviço do F91 Dudelange, clube que representou nas últimas nove temporadas com grande sucesso.

O encontro no terreno do Canach é de extrema importância, já que em caso de vitória garante a revalidação do título à formação de Dudelange e o jogador quer terminar a época em beleza.

No último encontro, o F91 Dudelange recebeu e venceu o Fola por 5-2, na derradeira partida que Daniel disputou com as cores do clube frente aos sócios. Um jogo que o jogador considerou “bem conseguido”, coroado com um golo e uma assistência que teve comemoração especial.

“Este jogo contra o Fola foi especial para mim por várias razões. Primeiro, porque era fundamental ganharmos para podermos continuar a lutar pelo título, depois porque queria muito despedir-me dos sócios da melhor forma possível. O meu golo foi dedicado a eles porque me acarinharam incondicionalmente ao longo de todos estes anos. Foi uma forma de lhes retribuir o carinho que sempre me dispensaram. Conheci em Dudelange, ao longo de quase uma década, gente maravilhosa que me ajudou a crescer, a alcançar objetivos e a escrever páginas importantes na minha carreira. Fiz mais de 240 jogos ao serviço do clube e marquei 71 golos. Trataram-me sempre como se eu fosse um filho da terra. Nunca os esquecerei”, diz, emocionado.

“Foram nove anos de dedicação ao clube com um balanço extremamente positivo. Conquistei cinco campeonatos e três taças, mas espero terminar a época com o sexto campeonato e a quarta taça. Era também um prémio justo para mim. Dei sempre o melhor em prol de um clube que aprendi a amar e respeitar”, reforça.

Daniel da Mota fez representou o F91 Dudelange em mais de 240 jogos e marcou 71 golos
Daniel da Mota fez representou o F91 Dudelange em mais de 240 jogos e marcou 71 golos
Foto: Fernand Konnen

Domingo, em Canach, frente à equipa local, o F91 Dudelange vai ter que vencer para revalidar o título. Um jogo que se afigura complicado contra uma equipa frente à qual os atuais campeões nunca venceram, facto que o jogador desvaloriza. “É verdade que nas poucas vezes que fomos jogar a Canach nunca ganhámos, mas isso faz parte do passado. Temos plena consciência das dificuldades que vamos enfrentar ao longo dos 90 minutos. Além do campo ser pequeno, irregular e com condições precárias, eles necessitam de pontos para evitar a descida de divisão, o que torna as coisas ainda mais difíceis. Perante tudo isto, só nos resta mostrar que temos a qualidade necessária para trazer de lá a vitória, único resultado que nos interessa, e mudar a história dos confrontos entre os dois clubes”, sublinha.

Sobre os melhores e piores momentos que viveu no clube, Daniel da Mota lembra que “a conquista do primeiro campeonato é sempre significativa”. Destaca ainda que “todos os campeonatos e taças foram importantes”, mas elege a “eliminação do Red Bull Salzburg na pré-eliminatória da Liga dos Campeões” como “um momento inesquecível que ficará para sempre na minha memória”.

Momentos desagradáveis, Daniel diz que “foram raros” os que viveu em Dudelange, tendo lembrado apenas o afastamento da equipa por três meses por parte de Sébastien Grandjean como “um episódio triste, sobre o qual o treinador reconheceu ter-se equivocado mais tarde”.

“Desafio do Racing é bastante ambicioso e aliciante”

Aos 32 anos, Daniel da Mota considerou que era tempo de abraçar outro desafio, apesar de ter recebido uma proposta de renovação por parte do seu ainda atual clube. O avançado lusodescendente afirma ter recusado continuar em Dudelange devido a razões pessoais que não quis enunciar, mas principalmente por considerar o desafio do Racing Luxembourg “bastante ambicioso e aliciante”.

“O meu ciclo em Dudelange chegou ao fim. Estava a precisar de uma nova experiência. A forma como os responsáveis do Racing apresentaram o projeto motivou-me bastante. A presidente do clube [Karine Reuter] tem ideias concretas e quer construir uma equipa competitiva e ambiciosa nos próximos anos. O recrutamento de novos jogadores está a ser feito minuciosamente e por isso acredito que o projeto tem pernas para andar”, garante.

Mas o jogador formado em Ettelbruck teve outras propostas que acabou por recusar, adiantando que “não foi só o factor financeiro que me levou a escolher o Racing”. “Alguns clubes do topo da classificação também manifestaram o interesse em contratar-me, mas acredito que posso ser uma peça importante na recuperação da imagem que o clube da capital já teve há alguns anos, como uma das grandes equipas do país”, explica.

Daniel da Mota fez toda a sua formação de jogador no Etzella, clube ao serviço do qual fez 142 jogos na elite do futebol luxemburguês, marcando 74 golos. Instado se pretendia terminar a carreira no seu clube de origem, o jogador garante que “se a equipa estivesse na Liga BGL a disputar os primeiros lugares, era uma hipótese a considerar, mas infelizmente esse não é o caso”, lembra.

Com 76 internacionalizações pela da seleção ’A’ luxemburguesa e com vários golos decisivos ao serviço dos ’leões vermelhos’, Daniel da Mota acredita que o facto de trocar o Dudelange pelo Racing não o vai desfavorecer nas escolhas de Luc Holtz, selecionador grão-ducal. “Sinto-me bem e com capacidade para continuar a representar o Luxemburgo. Nos últimos jogos que fiz pela seleção mostrei que as minhas qualidades permanecem intactas. Continuo a treinar-me bem e não cometo excessos na minha vida privada. Por isso, acredito que vou continuar a ter o prazer de defender as cores do país ao mais alto nível internacional como o tenho feito até hoje”, concluiu.

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