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Daniel Brandão. "Em Heffingen temos coisas que o dinheiro não compra"
Desporto 4 min. 12.02.2020

Daniel Brandão. "Em Heffingen temos coisas que o dinheiro não compra"

O português Daniel Brandão, treinador do Heffingen, que está a fazer sensação na principal liga luxemburguesa de basquetebol.

Daniel Brandão. "Em Heffingen temos coisas que o dinheiro não compra"

O português Daniel Brandão, treinador do Heffingen, que está a fazer sensação na principal liga luxemburguesa de basquetebol.
Foto: Stéphane Guillaume
Desporto 4 min. 12.02.2020

Daniel Brandão. "Em Heffingen temos coisas que o dinheiro não compra"

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Mudou-se da Liga portuguesa de basquetebol para a luxemburguesa, em Agosto de 2019, com a missão de garantir a permanência do Heffingen entre a elite. De crónica candidata à descida, a equipa passou a disputar o play-off título, algo que não acontecia há 16 anos. A história de sucesso do português que trocou a carreira de engenheiro civil pela de treinador.

O início de campeonato foi titubeante, como é hábito sempre que o Heffingen disputa a elite do basquetebol luxemburguês. Mas entre vitórias e derrotas, a equipa soube sofrer, acabando, depois, por conquistar de forma surpreendente seis vitórias consecutivas, assegurando não só a permanência [principal objetivo traçado pelo clube], como um lugar no play-off título, algo que no início da temporada muito poucos acreditavam ser possível alcançar.

Em vésperas do jogo contra o Musel Pikes, primeiro classificado, Daniel Brandão regojizou-se pelo feito e desfez-se em elogios aos seus atletas: “É um grande orgulho treinar esta equipa. O facto de termos conseguido um lugar no play-off título deve-se ao extraordinário espírito que reina na equipa. Neste clube somos como uma verdadeira família. Possuímos um dos orçamentos mais baixos do campeonato, não temos, provavelmente, os jogadores mais dotados técnica e tacticamente, mas evidenciamos grande caráter e vontade de superação”, vinca.

“A vitória no terreno do Racing, que garantiu definitivamente o lugar no play-off, demonstrou a grande força do nosso coletivo. No final, todos se abraçavam e muitos choravam de alegria. Jogadores, staff, dirigentes, sócios e patrocinadores, num momento inesquecível, mas inteiramente merecido”, recorda.

No entanto, nem tudo foram ’rosas no percurso da equipa’. Daniel recorda “um mês de novembro bastante complicado”, mas que foi, ao mesmo tempo, um importante ponto de viragem: “Algumas lesões impediram-nos de apresentar a melhor equipa. Sofremos algumas derrotas, mas nunca quebrámos. E foi esta extraordinária união que nos manteve vivos no campeonato. O forte compromisso entre todos faz de nós uma equipa capaz de defrontar qualquer adversário olhos nos olhos, mesmo os mais fortes. Em Heffingen temos coisas que o dinheiro não compra”, enfatiza.

Os elogios do grupo

Daniel Brandão tem como adjunto Diogo Lopes, também ele português. Há três épocas no clube, Diogo começou por elogiar “a grande capacidade de adaptação à cultura do país, às particularidades, contexto da competição e ao clube” do seu chefe de equipa, lembrando que “para quem vem de uma realidade completamente diferente como a que se vive em Portugal, não é nada fácil”, explica.

“Ele é um dos grandes responsáveis por termos conseguido, para já, a manutenção. Uniu o grupo. Não só os jogadores, mas também os dirigentes e o público. Com um plantel curto e algumas limitações, tem feito um excelente trabalho ao ponto de estarmos a disputar o play-off título, algo que muito poucos poderiam vaticinar”, precisou.

Conseguiu unir o grupo de forma exemplar e retirar, individual e coletivamente, o que há de melhor em cada um de nós. 

Além de Daniel e Diogo, como treinadores, a equipa tem mais um português nas suas fileiras. O jogador David Torres que antes de ter sido emprestado pelo Mersch ao Heffingen esta época, passou grande parte da sua carreira no Contern, onde se sagrou campeão.

David Torres, jogador lusodescendente do Heffingen.
David Torres, jogador lusodescendente do Heffingen.
Foto: Heffingen.

Para o experiente jogador, “o trabalho do Daniel tem sido muito importante para todos nós. Conseguiu unir o grupo de forma exemplar e retirar, individual e coletivamente, o que há de melhor em cada um de nós, construindo, etapa por etapa, uma equipa competitiva, solidária e bastante ambiciosa”, precisa.

“Ele tem muito potencial e grande conhecimento da modalidade. Prepara bem os jogos e é muito dedicado. Acredito que se continuarmos a trabalhar como até aqui poderemos fazer uma época histórica”, concluiu.

Ambição no ADN

Mas Daniel Brandão não quer ficar por aqui e deixa um alerta aos jogadores e dirigentes do clube.

“Conseguimos a tão almejada manutenção na primeira Liga e um lugar no play-off título. Agora temos de assumir as nossas responsabilidades. A equipa deu uma excelente resposta até aqui, mas não nos podemos relaxar no que falta da competição. No sábado, frente ao líder [Musel Pikes], perdemos por quatro pontos e deixámos uma imagem de grande competência e combatividade. No final, o público aplaudiu-nos como se tivéssemos sido campeões. É uma sensação muito boa, mas não podemos ficar por aqui. Esta é uma oportunidade de fazer algo diferente daquilo a que o clube está habituado”, insiste.

“Não podemos dizer que vamos ser campeões, mas queremos fazer história e terminar num lugar do qual todos se possam orgulhar. Temos de unir esforços nesta fase final da competição. Todos. Não só os jogadores, para depois festejarmos uma grande época”, esclarece.

Daniel Brandão formou-se em Engenharia Civil, mas o basquetebol passou a ser a sua profissão quando assumiu o cargo de treinador principal no Terceira Basket, em Portugal, com grande sucesso.

Os dirigentes do Heffingen já sondaram o jovem treinador para prolongar o vínculo, mas este não fecha a porta a outros convites.

“Sou profissional e por isso estou recetivo às propostas que me endereçarem, mas neste momento estou completamente focado no play-off e o depois logo se verá”, garante o treinador que ambiciona um dia trabalhar em grandes campeonatos como Espanha ou Estados Unidos. 

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