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Cristiano Ronaldo. A época perfeita em 2011-12
Desporto 1 5 min. 06.08.2022
Futebol

Cristiano Ronaldo. A época perfeita em 2011-12

Cristiano Ronaldo no Real Madrid (novembro de 2012)
Futebol

Cristiano Ronaldo. A época perfeita em 2011-12

Cristiano Ronaldo no Real Madrid (novembro de 2012)
Foto: EPA
Desporto 1 5 min. 06.08.2022
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Cristiano Ronaldo. A época perfeita em 2011-12

Rui Miguel Tovar
Rui Miguel Tovar
Tudo o que sempre sonhou saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar. Por Rui Miguel Tovar.

Capítulo 15. A época perfeita em 2011-12

Eusébio é o primeiro, Jardel o último. Pelo meio, ninguém. Nem um para amostra. Acredite, só Eusébio e Jardel marcam a todas as equipas numa época da 1.ª divisão. Entre o registo de um e do outro, uma distância de 34 anos.

Eusébio estabelece a marca em 1967-68, época em que conquista a primeira Bota de Ouro, ao serviço do Benfica. O homem agiganta-se e marca vs Vitória SC (2 na primeira volta + 3 na segunda), Barreirense (2+4), Braga (0+2), Vitória FC (1+0), Belenenses (0+4), Leixões (1+2), Tirsense (0+3), CUF (1+0), Sanjoanense (4+4), Académica (1+0), Sporting (0+1), FC Porto (1+1) e Varzim (1+6).

Outros tempos, sem dúvida, sobretudo se tivermos em conta o cabaz da Sanjoanense (oito golos, quatro em São João da Madeira e outros quatro na Luz) e também o do Varzim (seis na última jornada – vale tudo para ultrapassar o alemão Gerd Müller, do Bayern.

Avançamos uns anitos e já estamos no século XXI. A façanha de Jardel é ainda mais meritória que a de Eusébio pelo maior número de equipas (de 14 para 18) e porque Super-Mário só aterra em Portugal à quarta jornada, para o jogo em Leiria, vs União de Mourinho. Vai daí, toma lá e vai buscar: FC Porto (0+1), Belenenses (0+2), Alverca (0+3), U. Leiria (1+3), Gil Vicente (1+0), Farense (3+0), Vitória SC (2+0), Braga (1+2), Santa Clara (0+1), Paços (2+2), Salgueiros (2+0), Boavista (1+0), Marítimo (1+2), Varzim (2+2), Benfica (2+1), Vitória FC (1+2) e Beira-Mar (0+2).

Está visto um herói do Benfica e outro do Sporting. Pede-se aqui um representante do FC Porto, só que Fernando Gomes, o mais sério candidato, falha em toda a linha, até nas épocas da Bota de Ouro (82-83 e 84-85). No primeiro caso, a culpa é do Benfica de Bento. No segundo, é do Sporting de Katzirz.

Se transportarmos o mesmo exercício para o estrangeiro, o único português a marcar a todas as equipas do seu campeonato numa edição é Ronaldo em 2011-12. O Real Madrid de Mourinho sagra-se campeão espanhol e a pontaria de Cristiano é um caso sem igual. A epopeia começa de forma insuspeita, com hat-trick vs Saragoça.

Até ao final da primeira volta, Ronaldo assina mais quatro hat-tricks, vs Rayo Vallecano, Málaga e Sevilha. Ainda há bis vs Osasuna, Atlético e Athletic. E um golo vs Getafe, Valencia, Sporting Gijón e Granada. Assim de repente, 22 golos a 11 adversários num total de 19.

Ainda a respeito do tal hat-trick vs Sevilha, é a fechar o ano civil 2011. E; já se sabe, qualquer que seja o balanço de um ano, o chegar a uma conclusão deixa-nos invariavelmente de boca aberta entre o divertido e o fantástico, entre a redescoberta de verdades evidentes e o descobrimento de factos espantosos. Como este relacionado com o ranking dos melhores marcadores portugueses num ano civil, englobando todas as competições nacionais e internacionais pelo(s) clube(s) mais selecção nacional.


Cristiano Ronaldo, celebra um golo contra a seleção da Holanda. EPA/OLIVER BERG
Tudo o que sempre quis saber sobre Cristiano Ronaldo mas nunca ousou perguntar
Histórias sobre o lado menos conhecido do jogador português. Por Rui Miguel Tovar.

Pois bem, 2011 evidencia um impressionante Ronaldo com 60 golos em 60 jogos. Desses 60 (estamos a falar de golos, para variar), 53 pelo Real Madrid e sete por Portugal. O registo é avassalador, até porque marca na maioria dos jogos (diga lá 33) e, às vezes, quando o faz é de uma pontaria incomum. A saber: oito bis, oito hat-tricks e ainda um póquer (credo, e já sabe? Sevilha). Números de recorde? Sem dúvida.

Se Ronaldo não tivesse marcado aquele hat-trick no último jogo do ano, em Sevilha (sempre Sevilha, Díos mio), o 7 do Real Madrid tão-só igualaria a marca de Eusébio, autor da módica quantia de 58 golos no belo ano de 1964, entre 53 pelo Benfica e cinco por Portugal. Daí para cá, 47 anos. A bola muda de cor, de couro, de feitio, os guarda-redes melhoram, as balizas ganham postes redondos e eis que há um outro jogador a falar português com os pés, através de golos. É Ronaldo, no Real Madrid.

Os vídeos 360 não têm suporte aqui. Ver o vídeo na aplicação Youtube.

Fechado o parêntesis, voltamos à época 2011-12 de Ronaldo. Sente-se a pressão no ar? A segunda volta inicia-se com outro golo vs Saragoça. E depois um hat-trick vs Levante. Apre. Seguem-se Racing, Rayo Vallecano e Espanyol. A todos estes, Cristiano pica o ponto. Um, só. Depois, bis vs Betis. E um vs Villarreal. E bis vs Real Sociedad. E bis vs Osasuna. E hat-trick vs Atlético. Irra, o homem está cá com um pedal.

À falta de quatro jornadas, Ronaldo já tem 17 adversários marcados. Faltam dois, um é o Barcelona, outro o Maiorca. Um é já a seguir, em Camp Nou. É um clássico importante, mais importante que todos os outros, porque um deslize do Real Madrid deixa-o à mercê do então maior clube do mundo e uma alegria estende a passadeira vermelha para o ambicionado título de campeão.

O resultado está 1:1 quando Özil desmarca Ronaldo com um passe sublime e a conclusão na cara de Valdés até parece fácil. Nos festejos, faz cara de mau a caminho da bandeirola de canto com o gesto de ‘calma, muita calma’. Barcelona, check, 18.ª vítima. Sobra o Maiorca, na última jornada, a 15 Maio. Até lá, o Real Madrid sela o título em Bilbau com 0:3. Ronaldo faz o dele, claro – e só depois de falhar um penálti com 0:0 no marcador.

E, agora sim, venha de lá o Maiorca. Dia de festa no Bernabéu, vitória fácil por 4:1 e, óbvio, um golo de Ronaldo. É o primeiro do jogo (de cabeça, após cruzamento de Marcelo), o 23.º da segunda volta, o 45.º da época na Liga e está feito o pleno. É um registo histórico, impensável. À medida de Ronaldo.

(Autor escreve de acordo com a antiga ortografia.)

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